Encontrando consciência no estado vegetativo

O estado vegetativo (coma vigil) é um transtorno em que as funções mais básicas do sistema nervoso estão preservadas, mas a pessoa não demonstra perceber coisa alguma em si ou ao seu redor. Uma pessoa em estado vegetativo dorme e acorda, tosse, boceja e move os olhos; mas não é capaz de olhar nos olhos de alguém, alimentar-se ou estabelecer uma conversa. De certa forma, é um meio caminho entre a normalidade e o coma. A definição tradicional de estado vegetativo é estar acordado sem estar consciente, mas graças a um grupo de pesquisadores europeus isso pode acabar sendo revisto.

O respeitado periódico New England Journal of Medicine publicou em seu último fascículo uma pesquisa conduzida por Martin M. Monti e colaboradores, em que 5 pacientes com estado vegetativo ou minimamente consciente foram capazes de responder a perguntas feitas pelos pesquisadores. Os pacientes foram instruídos a pensar em movimentos em caso de resposta afirmativa, e em imagens tridimensionais em caso negativo; e aí foram submetidos a uma ressonância magnética funcional para detectar qual parte do cérebro era ativada após cada pergunta.

A pesquisa envolveu 54 pacientes, bem como 16 voluntários com a consciência preservada. Enquanto todos voluntários saudáveis manifestaram resposta em todas as questões, apenas 5 pacientes tiveram uma resposta detectada pelo aparelho. Desses 5 pacientes, 3 estavam em estado minimalmente consciente e 2 em estado vegetativo. Dos 3 em estado minimamente consciente, dois tinham inicialmente o diagnóstico de estado vegetativo mas após o estudo foram reexaminados e manifestaram algum sinal de consciência. Todos os 5 pacientes estavam naquele estado por causa de um traumatismo craniano, ou seja, os pacientes com transtorno da consciência por outras causas não mostraram sinal algum de consciência à ressonância magnética funcional.

A pesquisa mostrou que a avaliação clínica do nível de consciência nem sempre coincide com a atividade cerebral, corroborando as conclusões de um estudo preliminar feito em 2006 por um grupo composto por praticamente os mesmos cientistas. Ainda são necessárias pesquisas adicionais para que isso tenha uma aplicação prática, mas é possível que no futuro a ressonância magnética funcional seja usada para avaliar melhor o nível de consciência ou obter informações dos pacientes, como por exemplo se estão com dor.

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