Conselho Federal de Medicina impõe limites à prática ortomolecular
A chamada medicina ortomolecular, ou biomolecular, atribui o adoecimento a desequilíbrios da composição corporal, e usa métodos que supostamente verificam os eventuais desquilíbrio, para então corrigi-los com suplementos. Acontece que grande parte disso não tem comprovação científica alguma, e ainda por cima expõe a pessoa ao risco de novas doenças, inclusive câncer de intestino. Por isso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a resolução nº 1.938/2010, impondo limites éticos à prática ortomolecular com base no avanço científico dos últimos 15 anos.
Grande parte da resolução pode ser resumida a respeitar o conhecimento científico. Como as pessoas não costumam ler artigos científicos, destaquei alguns pontos mais interessantes:
- Suplementos de vitaminas e outros nutrientes não devem ser substitutos para um estilo de vida saudável.
- A análise capilar só deve ser usada para detectar contaminação e/ou intoxicação por metáis tóxicos (por exemplo, chumbo), nunca para para verificar a quantidade de aminoácidos, vitaminas e outros elementos normais no organismo
- A falta (ou excesso) de nutrientes só pode ser atribuída a erros alimentares ou digestivos depois de descartar as doenças que poderiam causar essa falta ou excesso.
- Pode parecer óbvio, mas a resolução proíbe o uso de megadoses, ou seja, doses acima dos limites de segurança.
O Conselho Federal de Medicina é uma autarquia da União cuja missão é zelar pelo respeito à ética médica. Não cabe ao CFM dizer ao médico que uma prática é desprovida de fundamentação científica. O que acontece é que alguns médicos seguem a doutrina ortomolecular mesmo contra as evidências científicas, e aí cumpre ao CFM punir o profissional. Espero que a resolução ajude o CFM a punir os profissionais que arriscam a vida de outras pessoas, seja expondo-as a novos riscos, seja negando-as tratamentos comprovadamente eficazes.
Participe!
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