Filme alemão aborda depressão pós-parto

Eu não sei você, mas eu estava sentindo falta de um pouco mais de variedade no cinema. Em qualquer sala que você frequente, os filmes são praticamente os mesmos. Aqui em Vitória, o único que inovava era o Cine Metrópolis, da UFES, mas agora descobri o Cine Jardins, no bairro Jardim da Penha. E o primeiro filme a que assisti lá foi O Estranho em Mim, um drama sobre a depressão pós-parto. Filmado em 2008 na Alemanha, o filme venceu a Competição de Novos Diretores da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo naquele mesmo ano. (Trailer disponível em alemão ou com legendas em inglês; bonito de se ver mesmo para quem só sabe português.)

Mãe de frente ao espelho, contemplando a si mesma carregando o bebê

O filme tem aquele ritmo cadenciado que se convencionou chamar de cinema de arte. A primeira parte, que vai até o diagnóstico da depressão, não dura muito mais que meia hora. Em vez do filme atingir seu clímax e encerrar poucos minutos depois, começa a segunda parte, sobre o processo de tratamento. Além de se recuperar da depressão, a personagem precisa reconstruir a relação com seu filho e seu marido.

Concordo com Érico Borgo quando ele escreve no Omelete que é paradoxal que um filme tão importante seja exibido em tão poucas salas de cinema. De fato, a depressão pós-parto é um problema relativamente pouco conhecido, e muitas mulheres demoram ou mesmo nem chegam a procurar ajuda. Não acredito que o problema, como um todo, seja um tabu, como dizem as resenhas sobre o filme. Mas deve ser difícil para uma mãe admitir que não está tão ligada ao seu filho quanto espera a sociedade.

Do ponto de vista médico, praticamente não tenho o que criticar no filme, mas estranhei que a depressão pós-parto tenha começado imediatamente após o nascimento. Em todos os casos que conheço, ou de que tive notícia, os sintomas se apresentaram dias ou semanas após o parto. Vladimir Melo e Daniel de Barros, vocês conhecem algum caso de início tão precoce?

A depressão pós-parto acontece em 10% a 15% dos partos, principalmente em mulheres com baixo suporte social (família, amigos), insatisfação na relação com o marido, ou com antecedente pessoal de transtornos mentais. Eventos recentes marcantes também aumentam o risco de depressão pós-parto, mas não existe consenso quanto aos problemas da gravidez em si. Os sintomas da depressão pós-parto são muito semelhantes aos da depressão “comum”, de forma que recomendo a leitura do artigo Como saber se você está com depressão.

Uma ideia sobre “Filme alemão aborda depressão pós-parto

  1. Vladimir Melo

    Considerando que temos notícias de que muitas mães abandonam filhos recém-nascidos, em grande parte das vezes imediatamente após o nascimento do bebê, poderíamos declarar que casos assim são frequentes. Eu diria até que a mãe que desenvolve a depressão pós-parto provavelmente apresenta sinais de rejeição ao bebê antes do nascimento, embora esse não necessariamente seja um sinal de que haverá a depressão. Como você bem afirmou, não é fácil para a mãe (nem para a família) reconhecer a rejeição ao bebê.

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