Retrospectiva 2011: os artigos mais lidos no Doutor Leonardo

Você que acompanha o Doutor Leonardo deve ter reparado que os artigos se tornaram menos frequentes. É por um bom motivo: além dos compromissos pessoais típicos de fim de ano, a produção científica também está tomando muito do meu tempo, e em janeiro passei a acumular o cargo de professor da Emescam, uma tradicional faculdade de medicina do Espírito Santo.

Em breve voltarei a publicar artigos orginais, mas hoje trago uma lista dos 10 artigos mais lidos pelos visitantes em 2011:

E você, quais foram seus artigos favoritos em 2011? Deixe seu comentário!

Médico de família e comunidade é peça-chave no combate às doenças não transmissíveis

Semana passada eu dizia que as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são responsáveis por dois terços da carga de doença no Brasil. Mas para enfrentá-las é necessário que o sistema de saúde, e a sociedade como um todo, tenha uma atitude fundamentalmente diferente daquela adotada para combater as doenças transmissíveis.

Para entender melhor essa diferença, destaco abaixo alguns trechos do manifesto internacional dos médicos de família e comunidade, publicado pelo Lancet e (em português) pela Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade:

Embora muito tenha sido aprendido com os programas verticais e orientados à doença, as evidências científicas sugerem que melhores resultados ocorrem quando se enfrenta as doenças por meio de uma abordagem integrada em um sistema de APS forte. Um exemplo é o Brasil, em que a cobertura terapêutica atinge quase 100%, maior do que em países com APS menos robusta. Os programas verticais orientados para HIV/AIDS, malária, tuberculose e outras doenças infecciosas criam duplicidade, uso ineficiente de recursos, lacunas no cuidado de pacientes com múltiplas comorbidades e reduzem a capacidade dos governos ao empurrar os melhores profissionais para fora do setor de saúde pública, concentrando-os no cuidado voltado a uma única doença. Além disso, programas verticais causam desigualdade aos pacientes que não têm a doença “certa”, e drenagem interna dos melhores “cérebros” entre profissionais de saúde.

As lições aprendidas de uma abordagem vertical e orientada para doenças infecciosas e tropicais negligenciadas deveriam nos inspirar a repensar a estratégia para as DCNT. A melhor resposta ao desafio das DCNT é promover cuidados centrados nas pessoas, por meio de investimentos numa APS integrada e fortalecida, incluindo um número suficiente de profissionais bem treinados para tal modelo de atenção. Pelo menos 50% dos profissionais de saúde formados deveriam ser treinados e capacitados aos cuidados de saúde primários.[...] Como resultado, milhões de pessoas poderão ter acesso a cuidados primários de saúde abrangentes, custo-efetivos, de qualidade e que atendam às condições, incluindo as doenças infecciosas e as DCNT.

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Onde está a epidemia de doenças crônicas não transmissíveis?

Todo o mundo sabe que a presidenta Dilma Rousseff foi a primeira mulher a abrir uma sessão da Assembleia Geral da ONU. Mas para nós, da saúde, essa 66ª sessão teve outro diferencial, ainda mais importante: o comprometimento da ONU com o enfrentamento das doenças não transmissíveis, como diabetes mellitus, derrame, infarto, asma, enfisema e câncer.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já vinha promovendo o enfrentamento das doenças não transmissíveis, e é daí que vêm iniciativas como a redução do sal e do açúcar dos alimentos industrializados, a proibição da condução de veículos por pessoas embriagadas, e os altos impostos sobre os cigarros.

Mas o combate às doenças não transmissíveis também exige o compromisso de todos os setores. Para termos uma alimentação saudável, por exemplo, é preciso ter acesso a alimentos saudáveis de forma conveniente e a um baixo custo, ao longo de todo o ano. Colocando em outros termos, para termos uma população brasileira saudável, não basta o compromisso do ministro da saúde; é preciso que a presidência vista a camisa.

De uma forma geral, a declaração política (em inglês) foi muito equilibrada, mas eu não poderia deixar de destacar uma expressão que, infelizmente, muitas pessoas levam a sério demais: epidemia.

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A tuberculose no Brasil, em números

Ano passado escrevi um artigo sobre a evolução dos sintomas da tuberculose, sem citar números. Acontece que manter-me atualizado e escrever neste blog são coisas que andam de mãos dadas, de forma que resolvi escrever um novo artigo sobre o assunto, desta vez esclarecendo a dimensão do problema.

Colônias do bacilo de Koch vistas de perto.

O Brasil é um dos 22 países que detêm 80% da tuberculose do mundo. Em 2010, 71 mil pessoas desenvolveram a doença no país; quase 5 mil morreram. Isso porque hoje em dia já existe um tratamento eficaz e gratuito; antigamente a mortalidade era de 70%.

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As 10 principais doenças das crianças no Brasil

OK, eu prometo que no próximo Dia das Crianças publico alguma coisa menos mórbida. Mas vocês sabem que ultimamente estou revirando os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a carga de doença e a mortalidade de cada país em 2004. Com essas planilhas, e os documentos que as descrevem, é possível saber a importância de cada doença para diversas partes da população brasileira. Já listei as doenças mais importantes para os homens e para as mulheres, já listei para os idosos, e agora é a vez das crianças. (Em seguida: adultos.)

Menina curda com o rosto arranhado e a expressão sofrida

© Dûrzan cîrano (CC-BY-SA-3.0)

“Criança”, aqui, significa menores de 15 anos de idade, ou seja, os adolescentes estão um pouco incluídos também.

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As 10 principais doenças dos idosos no Brasil

De acordo com o IBGE, 3 em cada 4 idosos têm alguma doença crônica, ou seja, uma doença de curso arrastado, boa parte delas incurável. As doenças infecciosas e os acidentes continuam a ser importantes, mas a maior parte da carga de doença da terceira idade no Brasil é por causa das doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes mellitus e as consequências da hipertensão arterial.

Fotografia de mulher idosa nordestina

Essas são as 10 doenças que mais prejudicam a saúde dos idosos brasileiros:

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As 10 principais doenças da mulher brasileira (corrigido)

Depois de ter listado as 10 principais doenças do homem brasileiro, eu não poderia deixar de contemplar também as mulheres com um artigo semelhante. Até porque as mulheres procuram os serviços de saúde com mais frequência, além de estarem em contato mais direto com os agentes comunitários de saúde.

Os números entre parênteses são a proporção da carga de doença da mulher brasileira atribuída a cada doença.

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CFN divulga a importância do nutricionista

O Conselho Federal de Nutricionistas lançou um vídeo destacando a importância de que a dieta seja individualizada, além de reforçar que as dietas restritivas (com muito poucas calorias) fazem a pessoa engordar de novo. O vídeo, que atende pelo nome de Perfeita para você, termina enfatizando a importância de ser atendido por um nutricionista.

Para dar um exemplo da importância do nutricionista, as informações mais importantes do artigo Como prevenir o diabetes mellitus foram obtidas de estudos em que os dois grupos, tanto o de intervenção quanto o de controle, receberam informações sobre alimentação saudável e atividade física. Mas, enquanto no grupo de controle as pessoas receberam apenas folhetos, no grupo de intervenção as pessoas foram acompanhadas por nutricionistas. Em ambos estudos as pessoas com excesso de peso acompanhadas por nutricionistas emagreceram mais, e assim foi possível detectar que a atividade física e o controle do peso são eficazes na prevenção do diabetes mellitus.

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Pedofilia não é tudo a mesma coisa

Longe de mim querer relativizar um problema tão grave de nossa sociedade (e de tantas outras). Mas eu não poderia deixar de mencionar o artigo recente do psiquiatra Daniel de Barros sobre os tipos de pedofilia. A motivação do colega foi um projeto de lei da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), mas acredito que a discussão seja ainda mais relevante para o estado do Espírito Santo, onde o senador Magno Malta (PR-ES) costuma aparecer em propagandas contra a pedofilia.

O problema é que a palavra tem ao menos três usos diferentes que vêm sendo tratados como se fossem intercambiáveis:

  • Um transtorno mental que leva as pessoas a terem desejos eróticos por crianças;
  • O ato de apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito, envolvendo criança ou adolescente (Estatuto da criança e do adolescente); e
  • Ter envolvimento sexual de qualquer natureza com menores de idade.

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As 10 principais doenças do homem no Brasil (corrigido)

Quando se fala em um homem ir a uma consulta médica, muitas pessoas pensam logo no exame de próstata. Primeiro, o próprio Instituto Nacional do Câncer (Inca) não recomenda que se faça toque retal ou dosagem de PSA no sangue como rotina. Segundo, o homem brasileiro tem uma série de doenças mais importantes, qualquer que seja o critério adotado. Por isso, compilei uma lista das doenças que mais comprometem a saúde do homem brasileiro, usando como critério a carga de doença (que considera os anos de vida perdidos, o grau de incapacidade dos sobreviventes, e o número de pessoas afetadas). O número entre parênteses é a proporção da carga de doença do homem brasileiro que é atribuída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) àquela doença.

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