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	<title>Doutor Leonardo &#187; expectativa de vida</title>
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	<description>Medicina de família e comunidade</description>
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		<title>Como a expectativa de vida evoluiu em 200 anos</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jan 2011 02:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
		<category><![CDATA[expectativa de vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Um médico e estatístico famoso mostra as melhorias na saúde e na economia de 200 países em um vídeo de 4 minutos. <a href="http://leonardof.med.br/2011/01/14/como-a-expectativa-de-vida-evoluiu-em-200-anos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Doutor Hans Rosling é estatístico e médico, e tem um programa de televisão onde apresenta a estatística de forma divertida. <q><a href="http://trendguardian.blogspot.com/2010/12/hans-rosling-200-countries-200-years-in.html">200 países, 200 anos, 4 minutos</a></q> é um vídeo em que o professor mostra como a saúde está ligada à economia, e como os países evoluíram nesses aspectos ao longo de 2 séculos.</p>
<p>O vídeo está em inglês e não tem legendas. Se quiser, preferir, leia as anotações a seguir antes de assistir ao vídeo.</p>
<ul>
<li>Cada bola representa um país. Quanto maior a bola, maior a população. Quanto mais para cima, maior a expectativa de vida ao nascer. Quanto mais para a direita, maior a renda média da população. A cor indica o continente.</li>
<li>Em 1810 todos os países eram pobres e doentes. Apenas dois países tinham um expectativa de vida maior que 40 anos: Reino Unido e Holanda.</li>
<li>Ao longo do século 19 a revolução industrial melhorou em muito a renda em alguns países, principalmente na Europa. A expectativa de vida acompanhou. No resto do mundo, por outro lado, a situação continuou a mesma.</li>
<li>Os efeitos da 1ª Guerra Mundial, da Gripe Espanhola, da Crise de 1929, e da 2ª Guerra Mundial são marcantes.</li>
<li>Em 1948 a diferença entre os países atingiu seu máximo. O Brasil, que começou a melhorar em 1913, tinha superado a maioria dos países asiáticos e africanos, mas ainda estava pior que a maioria dos europeus.</li>
<li>As colônias europeias na África e na Ásia ganharam independência, e começaram a melhorar, tanto na economia quanto principalmente na expectativa de vida. O Brasil mudou para a parte mais rica e saudável do gráfico, mas continua não sendo exatamente um expoente.</li>
<li>Mesmo com a melhora geral, em 2009 ainda existiam grandes discrepâncias entre os países — e entre os países. A China, por exemplo, tem uma renda média e um nível de saúde semelhante ao Brasil, mas sua província Xangai tem condições mais semelhantes à Itália, enquanto outra província, Guizhou, está mais próxima do Paquistão.</li>
<li>A tendência para o futuro é de melhora, e com as novas tecnologias é possível que todos os países se tornem ricos e sadios.</li>
</ul>
<p>E finalmente, o vídeo:</p>
<p><script type="text/javascript" src="/wp-includes/js/swfobject.js"></script></p>
<div id="flashcontent"><a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&#038;v=jbkSRLYSojo">Acesse o Youtube para assistir</a></div>
<p><script type="text/javascript">
<!--
var so = new SWFObject("http://www.youtube.com/v/jbkSRLYSojo", "flashcontent", "480", "295", "8");
so.write("flashcontent");
//-->
</script></p>
<p>Muitas pessoas no Brasil têm a impressão de que o mundo está piorando. De fato, a violência no Brasil se tornou um problema seríssimo nas ultimas décadas. Mas, quando eu penso no aumento da expectativa de vida e nas condições de vida, fica muito mais fácil aceitar que as coisas estão melhorando, sim.<br />
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/11/02/mamografia-aos-40-anos-e-controversa/' title='Mamografia aos 40 anos é controversa'>Mamografia aos 40 anos é controversa</a></li>
<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/10/23/saude-da-familia-diminui-mortalidade-infantil/' title='Saúde da Família diminui mortalidade infantil'>Saúde da Família diminui mortalidade infantil</a></li>
</ul>
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		<title>Mamografia pode ser feita a cada 2 anos</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Nov 2010 02:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
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		<description><![CDATA[A mamografia bianual dos 50 aos 69 anos de idade otimiza a proporção de riscos e benefício. <a href="http://leonardof.med.br/2010/11/06/mamografia-pode-ser-feita-a-cada-2-anos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No artigo em que discuti os <a href="http://leonardof.med.br/2010/11/02/mamografia-aos-40-anos-e-controversa/" rel="bookmark" title="Mamografia aos 40 anos é controversa">prós e os contras da mamografia a partir dos 40 anos de idade</a>, falei o tempo todo em mamografia anual. De fato, tudo indica que nessa faixa etária a mamografia anual seja melhor que a bianual.<!-- http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17161727 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15601639 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15467032 --> Mas, no que diz respeito às mulheres com 50 anos de idade ou mais, a frequência ideal é alvo de uma nova discussão. O <abbr title="Instituto Nacional de Câncer">Inca</abbr> recomenda mamografia a cada 2 anos, enquanto a <abbr title="Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama">Femama</abbr> divulga que toda mulher deve fazer o exame anualmente.</p>
<p>Um <a href="http://www.annals.org/content/151/10/727.abstract">estudo (em inglês)</a> encomendado pela <cite>Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos</cite> reuniu uma série de pesquisas feitas até hoje, e chegou à conclusão de que fazer mamografia de 2 em 2 anos traz entre 67% e 99% do benefício de se fazer todo ano. Os riscos da mamografia, por outro lado, são proporcionais ao número de exames realizados, e não são nada desprezíveis.</p>
<p><span id="more-1731"></span></p>
<p>Para ilustrar os resultados desse estudo, vamos imaginar 2 grupos, cada um com 1000 mulheres americanas de 50 anos de idade. O primeiro grupo vai fazer mamografia todo ano, enquanto o segundo vai fazer o exame a cada 2 anos. Ao fim de 20 anos, as mulheres do primeiro grupo terão ganho em média 48 dias de vida a mais, em comparação à expectativa de vida que teriam se não fizessem mamografia alguma. No segundo grupo, o ganho médio terá sido de 36 dias de vida. </p>
<p>(Aqui entra uma conta que eu fiz. Cada mamografia significa uma consulta médica antes e outra depois, além do exame em si; isso significa que ao longo desses 20 anos as mulheres do primeiro grupo terão gasto parte de 60 dias de suas vidas com o exame, enquanto no segundo grupo as mulheres terão gasto parte de 30 dias com o exame. Isso sem contar com o tempo gasto com a investigação de alterações descobertas pela mamografia.)</p>
<p>Mas nem só de benefícios vive a mamografia. Aquelas 1000 mulheres que fizerem a mamografia todo ano terão no total 1350 resultados falso-positivos ao longo de 20 anos. Em média, cada mulher terá uma ou duas mamografias indicando um câncer que não existe. Ao total, essas mulheres passarão por 95 biópsias desnecessárias. Uma biópsia é um exame em que uma agulha é enfiada na mama para recolher um material para análise laboratorial; às vezes é necessário realizar um corte para enfiar uma agulha mais grossa. No grupo das 1000 mulheres que fizerem mamografia a cada dois anos, espera-se que ocorram 780 mamografias falso-positivas, e 55 biópsias desnecessárias.</p>
<p>Essas estimativas foram feitas com base nas taxas de câncer de mama das norte-americanas, que são aproximadamente o dobro das taxas brasileiras. Se essa pesquisa fosse feita no Brasil, os benefícios seriam ainda menores, enquanto os malefícios permaneceriam os mesmos, dependendo só da quantidade de exames feitos.</p>
<p>Não posso deixar de mencionar <a href="http://www.cochrane.dk/research/Screening%20for%20breast%20cancer,%20CD001877.pdf">uma revisão de literatura (em inglês)</a> publicada em 2009 pela <a href="http://www.centrocochranedobrasil.org.br/colaboracao.html">Colaboração Cochrane</a>. Seus autores aplicaram um raciocínio semelhante, e chegaram à conclusão de que a mamografia ajuda a diminuir a mortalidade por câncer de mama, mas que não está claro se a mamografia faz mais bem do que mal. Os autores afirmam, ainda, que por isso todas as mulheres, antes de fazer o exame, deveriam assinar um termo de consentimento como aqueles exigidos em cirurgias arriscadas ou em pesquisas científicas.</p>
<p>Fazendo mamografia a cada 2 anos, a mulher mantém a maior parte do benefício do exame, ao mesmo tempo em que reduz pela metade seus riscos.<br />
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/11/18/quando-parar-de-fazer-mamografia/' title='Quando parar de fazer mamografia'>Quando parar de fazer mamografia</a></li>
<li><a href='http://leonardof.med.br/2011/10/31/o-exame-pode-nao-ter-salvado-a-sua-vida/' title='O exame pode não ter salvado a sua vida'>O exame pode não ter salvado a sua vida</a></li>
</ul>
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		<title>Mamografia aos 40 anos é controversa</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 02:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entre os 40 e os 49 anos de idade a mamografia tem um custo-benefício questionável. <a href="http://leonardof.med.br/2010/11/02/mamografia-aos-40-anos-e-controversa/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegamos ao fim de mais um <cite><a href="http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/agencianoticias/site/home/noticias/2010/movimento_outubro_rosa_promove_mobilizacao_deteccao_precoce_cancer_mama">Outubro Rosa</a></cite>: vários monumentos públicos foram iluminados, e os meios de comunicação deram mais espaço para o combate ao câncer de mama. Este é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres (depois o câncer de pele não-melanoma), e está entre as 15 <a href="http://leonardof.med.br/2010/09/29/as-10-principais-doencas-da-mulher-brasileira/" rel="bookmark" title="As 10 principais doenças da mulher brasileira">doenças que mais comprometem a saúde da mulher brasileira</a>. A mamografia é o melhor exame para a detecção precoce, mas ainda existem controvérsias sobre quais mulheres devem fazê-lo, e com que frequência. Por isso, o <cite>Doutor Leonardo</cite> vai publicar uma série de quatro artigos sobre dúvidas no rastreamento do câncer de mama, expondo os prós e os contras de cada opção.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Diagnosis_-_Mammography.jpg"><img alt="Mama sendo comprimida para obter imagem mamográfica ótima." src="http://arquivos.leonardof.med.br/WikimediaCommons_DiagnosisMammography_320x213.jpeg" title="Diagnóstico - Mamografia" width="320" height="213" /></a><p class="wp-caption-text">© Governo federal dos Estados Unidos da América (domínio público)</p></div>
<p>A maior polêmica, no Brasil e no resto do mundo, é se as mulheres com 40 a 49 anos de idade devem ou não ser submetidas ao exame. A <abbr title="Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama">Femama</abbr> <a href="http://www.femama.org.br/novo/arquivos/0.163891001286463380.pdf">recomenda</a> que todas as mulheres nessa faixa etária façam mamografia anualmente. O <abbr title="Instituto Nacional de Câncer">Inca</abbr>, por outro lado, <a href="http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/97654a804452f9519774bfc73453f449/folder_outubro_rosa+final+para+gr%C3%A1fica+-+4-10.pdf?MOD=AJPERES&#038;CACHEID=97654a804452f9519774bfc73453f449">recomenda</a> que a mulher só realize mamografia de rotina a partir dos 50 anos de idade, a não ser que tenha fatores de risco adicionais.</p>
<p><span id="more-1669"></span></p>
<p>O Inca recomenda que a mamografia seja feita anualmente, desde os 35 anos de idade, entre as mulheres cuja mãe, irmã ou filha tenham tido câncer de mama antes dos 50 anos de idade; entre as mulheres cuja mãe, irmã ou filha tenham tido câncer de mama nos dois lados ou então câncer de ovário em qualquer faixa etária; entre as mulheres com algum caso na família de câncer de mama em homem (sim, isso existe); e entre as mulheres que já tiveram <q>lesão mamária proliferativa com atipia</q> ou <q>neoplasia lobular in situ</q> (não se preocupe, seu médico sabe o que é isso). Estima-se que 1% das mulheres brasileiras entre 40 e 49 anos de idade estejam nessa condição; as outras (de acordo com o Inca) só devem fazer mamografia nessa faixa etária se o exame clínico das mamas (pelo médico ou enfermeiro) encontrar alguma alteração.</p>
<p>Ao contrário do que eu diria até pouco tempo atrás, hoje em dia já existe comprovação científica de que fazer mamografia todo ano diminui a mortalidade por câncer de mama entre os 40 e os 49 anos de idade. O problema é que, como o número de casos é bem menor nessa faixa etária, a utilidade do exame diminui muito. Além disso, como já expus no artigo <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/08/11/nem-sempre-e-melhor-prevenir-do-que-remediar/" rel="bookmark">Nem sempre é melhor prevenir do que remediar</a></q>, fazer exames de rotina também expõe a pessoa a riscos. No caso da mamografia, o maior risco são os exames falso-positivos, em que a mamografia detecta um nódulo que na verdade não é câncer. Nesses casos, a mulher é obrigada a fazer exames adicionais, e até cirurgia, que não seriam necessários se ela não tivesse feito a mamografia. <a href="http://leonardof.med.br/2010/04/19/como-identificar-os-sintomas-da-sinusite/" rel="bookmark" title="http://leonardof.med.br/2010/04/19/como-identificar-os-sintomas-da-sinusite/">Além disso</a>, boa parte dos casos de câncer são causados pela radiação de radiografias, tomografias, mamografias e similares. Não que um exame aumente em muito o risco, mas quando o exame é desnecessário, qualquer risco de dano é inaceitável.</p>
<p>No caso da mamografia, não existe comprovação de que o exame faça (ou não) mais mal do que bem em qualquer faixa etária. Levando em consideração que a mamografia diminui o risco de morte por câncer de mama em cerca de 15%, vale a pena fazer o exame se ele sair de graça. <q>Sair de graça</q> significa um plano de saúde sem co-pagamento (ou seja, que não seja <q>participativo</q>), ou um exame particular que a mulher pretenda abater integralmente do imposto de renda. Para o resto das mulheres, o custo-benefício precisa ser levado em consideração — mesmo nos Estados Unidos, onde o risco de câncer de mama é o dobro do risco no Brasil, e os mamógrafos são mais baratos.</p>
<p>Do ponto de vista individual, fazer mamografia pelo SUS é de graça. Mas, do ponto de vista da gestão, o orçamento é limitado, de forma que  oferecer mamografia significa deixar de oferecer outros serviços.</p>
<p>Em fevereiro deste ano a <cite>Revista Brasileira de Cancerologia</cite> publicou um <a href="http://www1.inca.gov.br/rbc/n_56/v02/pdf/03_artigo_analise_custo_inicio_rastreamento.pdf">estudo brasileiro de custo-efetividade (custo-benefício) da mamografia</a>. Os pesquisadores brasileiros chegaram à conclusão de que a mamografia anual dos 40 aos 49 anos de idade custaria R$ 11.648,30 para cada ano de vida ganho, quando comparado aos R$ 7.469,43 para cada ano de vida ganho com a mamografia bianual dos 50 aos 69 anos de idade. <a href="http://leonardof.med.br/2010/05/27/eleicoes-2010-dilma-e-serra-se-comprometem-com-a-regulamentacao-da-emenda-constitucional-n-29/" rel="bookmark" title="Dilma e Serra se comprometem com a regulamentação da Emenda Constitucional nº 29">Em 2006</a>, cada brasileiro ganhou em média R$ 12,5 mil (por ano), e colocou R$ 449,93 (por ano) no SUS.</p>
<p>Dessa forma, a própria inclusão da mamografia no SUS, e ainda mais a sua extensão para as mulheres com 40 a 49 anos de idade significa que os homens e as mulheres de outras faixas etárias terão menos dinheiro para a sua saúde. Não que isso esteja necessariamente errado, mas é uma decisão que precisa ser tomada de forma consciente e com muito cuidado.</p>
<p>Além disso, o IBGE <a href="http://leonardof.med.br/2010/07/09/ibge-documenta-expansao-da-saude-da-familia/" rel="bookmark" title="IBGE documenta expansão da Saúde da Família">estima</a> que 28,9% das mulheres com 50 a 69 anos de idade nunca fizeram mamografia na vida. Levando em consideração que a custo-efetividade da mamografia nessa faixa etária é 55,9% maior do que aos 40-49 anos, faz sentido garantir primeiro a mamografia do primeiro grupo antes de estendê-la para o segundo.</p>
<p>Em suma, do ponto de vista individual vale a pena fazer a mamografia todo ano, na faixa etária dos 40 aos 49 anos, se a mulher não tiver que tirar dinheiro do bolso, ou se ela estiver disposta a pagar o preço apesar do menor retorno. Já a oferta da mamografia no SUS depende de uma decisão que a sociedade precisa tomar com muita cautela. Em especial, não faz sentido deixar de oferecer serviços com melhor custo-efetividade para oferecer serviços com pior custo-efetividade.</p>
<p>Talvez você tenha percebido que, com relação à faixa etária entre os 50 e os 69 anos de idade, falei o tempo todo em mamografia a cada 2 anos, e não todo ano. <a href="http://leonardof.med.br/2010/11/06/mamografia-pode-ser-feita-a-cada-2-anos/" rel="bookmark" title="Mamografia pode ser feita a cada 2 anos">Daqui a alguns dias explico o porquê disso</a>.<br />
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/11/18/quando-parar-de-fazer-mamografia/' title='Quando parar de fazer mamografia'>Quando parar de fazer mamografia</a></li>
<li><a href='http://leonardof.med.br/2011/10/31/o-exame-pode-nao-ter-salvado-a-sua-vida/' title='O exame pode não ter salvado a sua vida'>O exame pode não ter salvado a sua vida</a></li>
</ul>
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		<title>Saúde da Família diminui mortalidade infantil</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2010 02:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A expansão da Saúde da Família ("PSF") tem diminuído dramaticamente a mortalidade infantil no Brasil. <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/23/saude-da-familia-diminui-mortalidade-infantil/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas semanas atrás, ao discutir a lista das <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/12/as-10-principais-doencas-das-criancas-no-brasil/" rel="bookmark" title="As 10 principais doenças das crianças no Brasil">principais doenças das crianças brasileiras</a>, eu disse que a Saúde da Família (<q><abbr title="Programa Saúde da Família">PSF</abbr></q>) estava colaborando para a diminuição da mortalidade infantil, ou seja, em menores de um ano de idade, mas não mostrei qualquer estudo científico que justificasse a afirmação. Não que faltasse comprovação científica; pelo contrário. Achei melhor escrever um artigo só sobre o assunto, de tão importante que ele é.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://www.flickr.com/photos/bbenvegnu/1879415761/"><img alt="Menina olhando e esticando as mãos em sua direção" src="http://arquivos.leonardof.med.br/Flickr_1879415761_320x213.jpeg" title="Manu" width="320" height="213" /></a><p class="wp-caption-text">© Bruna Benvegnù (<a href='http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/deed.pt_BR' title='Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 2.0 Genérica'>CC-BY-NC-ND 2.0</a>)</p></div>
<p>A expansão da Saúde da Família tem contribuído com a queda da mortalidade em menores de um ano e em menores de 5 anos de idade, e o efeito é ainda maior se não considerarmos as mortes ocorridas no primeiro mês de vida, muitas das quais são inevitáveis. Em especial, a Saúde da Família contribui para a queda da mortalidade por pneumonia e diarreia, que são as duas maiores responsáveis pela carga de doença das crianças brasileiras.</p>
<p><span id="more-1568"></span></p>
<p>Nos resultados apresentados a seguir já foi descontada a contribuição de uma série de fatores sociais, econômicos e demográficos, e mesmo de algumas características do sistema de saúde de cada cidade, como a proporção de médicos por habitante, a cobertura vacinal e a proporção de mulheres que fazem pré-natal.</p>
<p>Na primeira <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19008516">pesquisa</a>, publicada em janeiro de 2009 pelo <cite lang="en">American Journal of Public Health</cite>, três pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) analisaram registros de mortalidade no período de 1996 a 2004, para todo o país. Confirmou-se que a taxa de mortalidade infantil dos municípios diminuiu à medida que aumentou a cobertura pela Saúde da Família. Os municípios com cobertura igual ou superior a 70% da população tiveram uma taxa de mortalidade infantil 22,0% menor que a dos sem Saúde da Família, enquanto os municípios com cobertura intermediária tiveram reduções também intermediárias.</p>
<p><!--more--></p>
<p>Dois desses pesquisadores se juntaram a um terceiro, também da UFBA, para realizar mais duas pesquisas sobre a relação entre Saúde da Família e mortalidade de crianças brasileiras menores de 5 anos de idade. Em <a href="http://dx.doi.org/10.1186/1471-2458-10-380">uma dessas pesquisas</a>, o aumento da cobertura Saúde da Família se mostrou associado à diminuição da proporção de crianças que morreram por causas mal definidas, no período de 2000 a 2006. Os municípios com 70% ou mais da população coberta pela Saúde da Família apresentaram proporções de óbitos por causas mal definidas 50% menores, e proporções de óbitos sem assistência médica 50% menores. Ao contrário do que muita gente acreditaria, o efeito da Saúde da Família foi até um pouco maior em municípios com <abbr title="Índice de Desenvolvimento Humano">IDH</abbr> acima da média brasileira (0,713).</p>
<p><a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20679307">Outra pesquisa</a>, publicada em setembro deste ano no periódico <cite lang="en">Pediatrics</cite>, estudou a relação entre a expansão da Saúde da Família e a diminuição da mortalidade em menores de 5 anos de idade, no período de 2000 a 2005. Quando comparados aos municípios sem Saúde da Família, aqueles com cobertura maior ou igual a 70% apresentaram taxas de mortalidade geral 13% menores, taxas de mortalidade por diarreia 31% menores, e taxas de mortalidade por pneumonia 19% menores, sempre em crianças com menos de 5 anos de idade. O efeito foi ainda maior para a mortalidade pós-neonatal, ou seja, desconsiderando os óbitos com até 28 dias de vida. (No primeiro mês de vida, a proporção de óbitos evitáveis é bem menor.)</p>
<p>Mas os baianos não são os únicos que pesquisam o assunto. Duas semanas atrás escrevi um <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/10/o-papel-do-agente-comunitario-de-saude-no-sus/" rel="bookmark" title="O papel do agente comunitário de saúde no SUS">artigo</a> em homenagem a Dia Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde, e nele comentei um estudo do americano James Macinko e do brasileiro Frederico Guanais sobre a relação entre os agentes comunitários de saúde e as taxas de internação hospitalar. Pois bem, eles se juntaram a outros dois pesquisadores e <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17689847" title="Macinko et al. Going to scale with community-based primary care: an analysis of the family health program and infant mortality in Brazil, 1999-2004. Social Sciences &#038; Medicine 2007; 65(10):2070-80.">estudaram</a> a relação entre a queda da mortalidade infantil nos anos de 1999 a 2004 e a expansão da Saúde da Família. A pesquisa descobriu que, para cada 10% de aumento da cobertura da Saúde da Família, a taxa de mortalidade infantil geral cai em 4,5 por 1000 nascidos vivos, a taxa de de mortalidade pós-neonatal geral (de 28 dias até 11 meses e 29 dias de idade) cai em 5,9 por 1000, e a taxa de mortalidade infantil por diarreia cai em 10,3 por 1000.</p>
<p>Para se ter uma noção da magnitude dessa contribuição, hoje em dia pouco mais de metade da população brasileira tem Saúde da Família, e <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&#038;id_area=1450&#038;CO_NOTICIA=10818">a taxa de mortalidade infantil é menor que 20 por 1000</a>. Estender a Saúde da Família para toda a população brasileira poderia praticamente acabar com a mortalidade infantil no país.</p>
<p>Por mais que algumas mortes sejam inevitáveis, os países mais desenvolvidos estão aí para mostrar que ainda podemos diminuir, em muito, a mortalidade infantil. E a Saúde da Família é uma das estratégias para alcançarmos esse objetivo.<br />
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</ul>
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		<item>
		<title>As 10 principais doenças do homem no Brasil (corrigido)</title>
		<link>http://leonardof.med.br/2010/09/01/as-10-principais-doencas-do-homem-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 03:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
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		<description><![CDATA[As causas externas, como a violência e os acidentes de trânsito, convivem com doenças como o infarto e a depressão. <a href="http://leonardof.med.br/2010/09/01/as-10-principais-doencas-do-homem-no-brasil/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se fala em um homem ir a uma consulta médica, muitas pessoas pensam logo no exame de próstata. Primeiro, o próprio <a href="http://leonardof.med.br/2010/04/05/descobridor-do-psa-critica-seu-uso-no-cancer-de-prostata/" rel="bookmark" title="http://leonardof.med.br/2010/04/05/descobridor-do-psa-critica-seu-uso-no-cancer-de-prostata/">Instituto Nacional do Câncer (Inca) não recomenda que se faça toque retal ou dosagem de PSA no sangue como rotina</a>. Segundo, o homem brasileiro tem uma série de doenças mais importantes, qualquer que seja o critério adotado. Por isso, compilei uma lista das doenças que mais comprometem a saúde do homem brasileiro, usando como critério a carga de doença (que considera os anos de vida perdidos, o grau de incapacidade dos sobreviventes, e o número de pessoas afetadas). O número entre parênteses é a proporção da carga de doença do homem brasileiro que é atribuída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) àquela doença.</p>
<p><span id="more-1190"></span></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://www.flickr.com/photos/7202153@N03/532519876/"><img alt="Estátua de um revólver com o cano dobrado fazendo um nó" src="http://arquivos.leonardof.med.br/Flickr_7202153_320x206.jpeg" title="Não-Violência" width="320" height="206" /></a><p class="wp-caption-text">© Alan (<a href='http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/deed.pt_BR' title='Licença Creative Commons Atribuição - Uso não comercial 2.0 Genérica'>alguns direitos reservados</a>)</p></div>
<ul>
<li><strong>Violência</strong> (11,4%) — Essa &#8220;doença&#8221; inclui <strong>assassinato</strong>, tentativa de assassinato e outros tipos de agressão. Em outros termos, todo tipo de agressão intencional que não tenha sido causado pela própria vítima ou como parte de algum tipo de guerra. Estima-se que, no Brasil e região, o álcool seja responsável por 45% da mortalidade por assassinato em homens a partir dos 15 anos de idade, e 15% em crianças. O consumo de drogas ilícitas também tem uma contribuição, mas parece que trabalhar no tráfico é ainda pior. <a href="http://blogs.estadao.com.br/crimes-no-brasil/2009/11/08/entre-o-crime-organizado-e-o-crack/" title="Crimes no Brasil: Entre o crime organizado e o crack">De acordo com o ex-secretário de segurança do Espírito Santo</a>, <q cite="Rodney Miranda">cerca de 70% dos assassinatos [no estado] são resultados de disputas territoriais envolvendo o tráfico de drogas</q>.</li>
<li><strong>Acidentes de trânsito</strong> (4,9%) — Estima-se que o álcool seja responsável por 60% das mortes por acidentes de trânsito nos homens entre 30 e 44 anos de idade no Brasil e região. Essa proporção ainda é de 56% entre os 15 e os 29 anos de idade, e vai caindo nos extremos da vida sem deixar de ser relevante: 18% para os menores de 15 anos de idade, e 30% para os maiores de 70 anos de idade. (Isso sem contar com as pessoas que sobrevivem aos acidentes mas ficam incapacitadas.) Vale lembrar que pedestre, ciclista e motociclista que bebem também aumentam o risco de se envolverem num acidente, e que quem não bebe pode morrer ou ficar incapacitado por causa de alguém que bebeu.</li>
<li>Transtornos relacionados ao uso do álcool (4,9%) — O <strong>alcoolismo</strong> é uma doença muito debilitante, e estimativas variam de 5% a 15% dos adultos no Brasil. Outro problema muito comum é o <strong>uso nocivo do álcool</strong>, no qual a pessoa continua usando álcool em excesso (ou em ocasiões inadequadas) mesmo percebendo que sua forma de beber está trazendo consequências. O uso nocivo do álcool não é uma doença, mas é um problema de saúde grave, e colabora com grande parte das doenças desta lista. Para conhecer os limites do uso de baixo risco do álcool, confira o artigo <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/08/27/por-que-os-homens-morrem-mais-cedo/" rel="bookmark">Por que o homens morrem mais cedo?</a></q>.</li>
<li>Doença cardíaca isquêmica (4,3%) — A <strong>angina</strong>, o <strong>infarto</strong> e os outros problemas da família aparecem nos homens antes do que nas mulheres, algo como 5 anos mais cedo. Existem uma série de fatores de risco, como falta de atividade física, tabagismo, obesidade, pressão alta, colesterol alto, e glicose alta. O uso de álcool em baixas doses parece reduzir o risco de infarto, enquanto o uso excessivo aumenta o risco, até porque o álcool está ligado a outros fatores de risco como a pressão arterial.</li>
<li> <strong>Depressão</strong> (4,1%) — Os transtornos depressivos unipolares, como o episódio depressivo maior e a distimia, são problemas mentais comuns e às vezes muito graves. As mulheres sofrem mais com a depressão que os homens, mas isso não significa que o problema seja negligenciável no sexo masculino. A maioria dos casos estão relacionados a problemas sociais, financeiros etc., mas alguns são decorrentes de fatores de risco preveníveis. Estima-se que o álcool seja responsável por 7,0% dos casos de episódio depressivo maior, que é um tipo importante de depressão; no caso das mulheres, essa proporção é de apenas 1,4%. (O contrário também ocorre: os transtornos depressivos aumentam o risco da pessoa desenvolver um transtorno relacionado ao uso do álcool.) Outra causa importante de depressão é o abuso sexual na infância. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/06/30/como-saber-se-voce-esta-com-depressao/" rel="bookmark">Como saber se você está com depressão</a></q>.)</li>
<li><strong>Pneumonia</strong> (3,8%) — Mesmo com a queda da mortalidade pela doença, a pneumonia pode trazer sequelas que prejudicam o funcionamento dos pulmões para o resto da vida. Não é novidade de que o uso de álcool e o tabagismo contribuem para as infecções respiratórias.</li>
<li><strong>Outros tipos de acidentes</strong> (3,3%) — Esses são os acidentes que não se enquadram em trânsito, afogamento, queda, envenenamento ou incêndio. No Brasil e região estima-se que 48% dos &#8220;outros tipos de acidentes&#8221; sejam causados pelo álcool, nos homens entre 15 e 44 anos de idade. Até os 14 anos de idade essa proporção é de 18%, e a partir dos 45 anos de idade, é de 42%. Os acidentes de trabalho também constituem uma parte importante da causa desses acidentes.</li>
<li><abbr title="acidente vascular cerebral"><strong>AVC</strong></abbr> (3,3%) — A doença cerebrovascular, que inclui tanto o derrame (AVC) quanto outras formas menos drásticas, é a principal causa de morte no Brasil, mas essa é uma morte que costuma acontecer em idades bem mais avançadas que a das mortes por violência ou acidente de trânsito. 62% de todos os derrames no mundo são causados por pressão arterial arterial elevada. Como já disse antes, quanto menor a pressão arterial, melhor. Baixar a pressão de 12,5 por 8 para 11,5 por 7,5, por exemplo, diminui em 38% o risco de AVC. Além disso, a maioria dos <a href="http://leonardof.med.br/2010/03/17/os-10-maiores-fatores-de-risco-para-a-saude-do-brasil/" rel="bookmark">principais fatores de risco para a saúde do brasileiro</a> podem causar um derrame.</li>
<li><strong>Diarreia</strong> (2,9%) — Na verdade, o número de pessoas incapacitadas ou falecidas por diarreia é menor do que o de muitas doenças que não entraram nessa lista. Mas a diarreia afeta principalmente as crianças, de forma que o número de anos de vida perdidos acaba sendo ainda maior.</li>
<li><strong>Prematuridade</strong> e <strong>baixo peso ao nascer</strong> (2,1%) — Estima-se que nascer com o peso abaixo de 2500 gramas aumente em 6 vezes o risco do bebê morrer antes de completar um mês de vida. (O peso médio ao nascer é de 3300 gramas.) Existe uma série de complicações da gravidez que podem causar um nascimento prematuro (antes do feto alcançar as 37 semanas) ou com baixo peso. E o melhor é que a maioria dessas complicações pode ser prevenida ou diagnosticada precocemente se a mulher fizer o pré-natal adequadamente.</li>
</ul>
<p>Pessoalmente, sou a favor de não deixarmos que as diferenças nos ceguem para as semelhanças. A maioria das doenças mais importantes para os homens também têm alguma importância para as mulheres, e vice-versa. Mas se for para focar nas diferenças, façam-me o favor de não ficar pensando só em câncer de próstata. A carga de doença causada pelo câncer de próstata é de cerca de um terço da carga de doença causada por prematuridade e baixo peso ao nascer, que são apenas a décima doença mais importante para os homens. As doenças que mais distinguem os homens das mulheres são problemas mentais e sociais: a violência, os acidentes, e os transtornos relacionados ao uso de álcool, tabaco e drogas ilegais. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/08/27/por-que-os-homens-morrem-mais-cedo/" rel="bookmark">Por que o homens morrem mais cedo?</a></q>.)</p>
<p>Se você tiver alguma dúvida sobre uma dessas doenças, ou se simplesmente quiser manifestar seu interesse, não deixe de <a href="http://leonardof.med.br/2010/09/01/as-10-principais-doencas-do-homem-no-brasil/">fazer um comentário</a>. Pretendo usar essas manifestações para escolher o tema dos próximos artigos a serem publicados aqui no <cite>Doutor Leonardo</cite>.</p>
<p>Ao longo dos próximos meses pretendo publicar outras listas das <q>principais doenças</q>: para as <a href="http://leonardof.med.br/2010/09/29/as-10-principais-doencas-da-mulher-brasileira/" rel="bookmark" title="As 10 principais doenças da mulher brasileira">mulheres</a>, para as <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/12/as-10-principais-doencas-das-criancas-no-brasil/" rel="bookmark" title="As 10 principais doenças das crianças no Brasil">crianças</a>, para os <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/06/as-10-principais-doencas-dos-idosos-no-brasil/" rel="bookmark" title="As 10 principais doenças dos idosos no Brasil">idosos</a>, e para os adultos.<br />
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/05/17/as-doencas-causadas-pelo-tabagismo-passivo/' title='As doenças causadas pelo tabagismo passivo'>As doenças causadas pelo tabagismo passivo</a></li>
<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/03/17/os-10-maiores-fatores-de-risco-para-a-saude-do-brasil/' title='Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil'>Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil</a></li>
</ul>
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		<title>Por que os homens morrem mais cedo?</title>
		<link>http://leonardof.med.br/2010/08/27/por-que-os-homens-morrem-mais-cedo/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 03:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As causas incluem fatores de risco como uso de álcool, tabagismo, pressão alta e falta de aleitamento materno. <a href="http://leonardof.med.br/2010/08/27/por-que-os-homens-morrem-mais-cedo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje se completa um ano desde que o Ministério da Saúde lançou a <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=33061">Política Nacional da Saúde do Homem</a>. (Leia a <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&#038;id_area=124&#038;CO_NOTICIA=10490" title="MS lança Política Nacional de Saúde do Homem">nota publicada em 2009</a>.) Todo o mundo o mundo viu na televisão o que os médicos já sabiam havia muito tempo: o homem morre mais cedo que a mulher. Quando a política foi lançada, a expectativa de vida ao nascer dos homens era estimada em 7,6 anos a menos que a das mulheres.</p>
<p>O engraçado é que os homens morrem mais cedo, mas adoecem menos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um homem brasileiro que nascesse em 2002 teria uma uma expectativa de passar 13,0% de sua vida, ou seja, 8,5 anos com algum grau de incapacidade (que é uma forma de medir a gravidade das doenças). Já uma mulher que nascesse naquele mesmo ano teria uma expectativa de passar 9,8 anos com incapacidade, ou seja 13,6% de sua expectativa total de vida.</p>
<p>A maioria dos consultórios médicos recebe mulheres com muito mais frequência do que homens. Além de adoecer mais, as mulheres vão ao médico com mais facilidade que os homens, seja por motivos culturais, seja por motivos trabalhistas. Quando o agente comunitário de saúde visita uma família, é quase sempre a mulher que o atende, mesmo que o homem esteja em casa.</p>
<p>Pensando em ajudar todos a olhar um pouco mais para a saúde do homem, trago aqui uma análise dos 10 principais fatores de risco para a saúde do homem brasileiro. Para dar uma dimensão da importância de cada fator de risco, anotei entre parênteses a proporção da <em>carga de doença</em> da população masculina que é causada por aquele fator de risco.</p>
<p><span id="more-1044"></span></p>
<ul>
<li><strong>Uso de álcool</strong> (15,2%) — Apesar do álcool uso moderado do álcool ter um aparente efeito protetor para a doença cardíaca isquêmica (angina, infarto cardíaco) e para a forma isquêmica da doença cerebrovascular (mais conhecida como <abbr title="acidente vascular cerebral">AVC</abbr> ou derrame), existem dezenas de doenças para as quais quanto mais álcool pior, mesmo se a pessoa não for alcoolista. Não é segredo que os homens bebem muito mais do que as mulheres. O resultado é que o sexo masculino sofre 6,0 vezes as consequências que o sexo feminino sofre pelo uso excessivo do álcool. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2011/01/05/voce-sabe-beber-com-moderacao/" rel="bookmark">Você sabe beber com moderação?</a></q>.)</li>
<li><strong>Tabagismo</strong> (4,2%) — Outro fator de risco tradicionalmente ligado ao gênero masculino. Mesmo com a proporção cada vez maior de mulheres entre os fumantes, a carga de doença decorrente do uso do tabaco nos homens é 2,6 vezes a carga das mulheres. Como os efeitos deletérios do tabagismo demoram a aparecer, espera-se que essa diferença diminua sensivelmente ao longo das próximas décadas. Em maio escrevi uma série de artigos sobre o assunto: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/" rel="bookmark">10 motivos para fumar</a></q>, <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/24/10-motivos-para-parar-de-fumar/" rel="bookmark">10 motivos para parar de fumar</a></q>, <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/17/as-doencas-causadas-pelo-tabagismo-passivo/" rel="bookmark">As doenças causadas pelo tabagismo passivo</a></q>, e <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/31/como-parar-de-fumar/" rel="bookmark">Como parar de fumar</a></q>.</li>
<li><strong>Sobrepeso e obesidade</strong> (3,5%) — Apesar de ser o terceiro fator de risco que mais contribui para a carga de doença do homem brasileiro, o excesso de peso traz ainda mais consequências para a população feminina. Dessa forma, não é pela obesidade que os homens morrem antes que as mulheres. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/04/22/como-saber-se-voce-esta-acima-do-peso-ideal/">Como saber se você está acima do peso ideal</a></q>.)</li>
<li><strong>Pressão alta</strong> (3,3%) — O ideal seria que todo o mundo tivesse a pressão menor do que 12 por 8. Acima disso, aumenta cada vez mais o risco de AVC, infarto cardíaco, amputação e várias outras doenças cardiovasculares (do coração e dos vasos sanguíneos). Como todo o mundo vai morrer um dia, o importante não é saber qual vai ser a causa de morte. Mas, quando o risco de uma doença aumenta, aumenta também o risco da pessoa ter uma morte ou incapacidade precoce, o que se traduz em menos anos de vida saudáveis. No Brasil os homens têm 20% mais carga de doença causada pela pressão arterial do que as mulheres, presumidamente pela dificuldade em fazer acompanhamento médico. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/04/26/como-prevenir-e-controlar-a-hipertensao-arterial/" rel="bookmark">Como prevenir e controlar a hipertensão arterial</a></q>.)</li>
<li><strong>Glicose alta</strong> (3,1%) — Assim como no caso da pressão arterial, quanto menor a glicemia (o nível de glicose no sangue), menor o risco da pessoa desenvolver complicações cardiovasculares nos próximos anos. Há dois meses escrevi três artigos sobre o assunto: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/06/25/conheca-os-sintomas-do-diabetes-mellitus/">Conheça os sintomas do diabetes mellitus</a></q>, <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/06/28/quem-tem-risco-de-ter-diabetes-mellitus/">Quem tem risco de ter diabetes mellitus</a></q>, e <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/07/05/como-prevenir-o-diabetes-mellitus/">Como prevenir o diabetes mellitus</a></q>. O diabetes e o pré-diabetes trazem ainda mais consequências para a saúde da população feminina do que para a da masculina, então não é por causa disso que os homens morrem mais cedo.</li>
<li><strong>Falta de aleitamento materno</strong> (2,3%) — A alimentação do bebê deve ser completamente constituída pelo leite materno até completar 6 meses de idade; a partir daí os alimentos da família devem ser introduzidos gradualmente, mas mantendo o aleitamento materno 2 a 3 vezes ao dia até pelo menos os 2 anos de idade. A interrupção precoce do aleitamento materno implica em maior mortalidade infantil e em menores de 5 anos de idade, e a carga disso para a saúde dos homens é 1,2 vez a carga para a saúde da mulher. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/08/04/conheca-os-beneficios-do-aleitamento-materno-para-a-saude-da-mae/" rel="bookmark">Conheça os benefícios do aleitamento materno para a saúde da mãe</a></q>.)</li>
<li><strong>Sexo sem camisinha</strong> (2,2%) — Relações sexuais sem preservativo podem trazer doenças sexualmente transmissíveis e/ou Aids, mas para a mulher o risco é ainda maior. Algumas mulheres tentam abortar gravidezes indesejadas, e pela clandestinidade as tentativas de aborto podem levar ao óbito materno. (Assista a essa <a href="http://leonardof.med.br/2010/03/09/como-se-prevenir-contra-a-aids/" rel="bookmark" title="Como se prevenir contra a AIDS">propaganda bem-humorada sobre o uso da camisinha</a>.)</li>
<li><strong>Uso de drogas ilícitas</strong> (2,2%) — A maior consequência do uso problemático de cocaína (e crack), anfetaminas e opioides é a morte precoce. Os 2,2% que citei só incluem sobredose (<q lang="en">overdose</q>), suicídio, trauma (homicídio, acidentes de trânsito e outros) e infecção pela Aids; e não incluem o uso da maconha. A somatória desses problemas nos homens é 2,5 vezes a somatória das mulheres.</li>
<li><strong>Colesterol alto</strong> (2,1%) — O excesso de colesterol é um dos principais fatores de risco para a doença cardíaca isquêmica, além de outras doenças do aparelho circulatório. E o problema surge uns 5 anos mais cedo para os homens, que por isso têm uma carga de doença atribuída ao colesterol cerca de 40% maior que a das mulheres. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/07/12/como-esta-sua-alimentacao/" rel="bookmark">Como está sua alimentação?</a></q>)</li>
<li><strong>Fatores de risco ocupacionais</strong> (2,1%) — O adoecimento ou falecimento decorrente do trabalho é muito maior no sexo masculino: a carga de doença atribuída é 5,8 vez aquela do sexo feminino. Mas as consequências variam muito de um lugar para o outro, e de uma ocupação para a outra.</li>
</ul>
<p>A carga de doença é uma forma de expressar o impacto de uma doença ou fator de risco. Esse impacto é medido em anos de vida perdidos (quando mais precoce a morte, pior), e ajustado para o grau de incapacidade das pessoas que não morrem mas têm que conviver com a doença ou uma consequência da mesma. Quanto maior o número de pessoas afetadas, maior a carga de doença. Já expliquei o conceito com mais detalhes nos artigos <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/03/17/os-10-maiores-fatores-de-risco-para-a-saude-do-brasil/" rel="bookmark">Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil</a></q> e <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/03/08/conheca-os-10-maiores-fatores-de-risco-para-a-saude-da-mulher/" rel="bookmark">Conheça os 10 maiores fatores de risco para a saúde da mulher</a></q>.</p>
<p>Assim como nesses dois outros artigos, os números são para toda a América Latina, e não apenas para o Brasil. Segunda-feira publico um novo artigo com a lista das <a href="http://leonardof.med.br/2010/09/01/as-10-principais-doencas-do-homem-no-brasil/" rel="bookmark" title="As 10 principais doenças do homem no Brasil">10 principais doenças do homem brasileiro</a>, desta vez com dados exclusivamente nacionais. Até lá!<br />
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/03/17/os-10-maiores-fatores-de-risco-para-a-saude-do-brasil/' title='Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil'>Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil</a></li>
<li><a href='http://leonardof.med.br/2011/02/23/ter-uma-saude-perfeita-nao-e-normal/' title='Ter uma saúde perfeita não é normal'>Ter uma saúde perfeita não é normal</a></li>
</ul>
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		<title>Como parar de fumar</title>
		<link>http://leonardof.med.br/2010/05/31/como-parar-de-fumar/</link>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 03:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[atividade física]]></category>
		<category><![CDATA[café]]></category>
		<category><![CDATA[expectativa de vida]]></category>
		<category><![CDATA[medicamento]]></category>
		<category><![CDATA[obesidade]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde da Família]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[tabagismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Um guia para quem quer parar de fumar sem necessidade de remédios ou consulta médica. <a href="http://leonardof.med.br/2010/05/31/como-parar-de-fumar/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2008/suplementos/tabagismo/default.shtm">Dois anos atrás o Brasil já tinha mais ex-fumantes do que fumantes</a>. Mesmo assim, dezenas de milhões de brasileiros ainda são tabagistas, e se continuarem assim terão 10 anos de vida a menos do que se não fumassem. O propósito do <strong>Dia Mundial sem Tabaco</strong> é ajudar essas pessoas a mudar de situação, e este artigo é minha contribuição nesse sentido.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 242px"><img alt="Homem numa caixa de cigarro" src="http://leonardof.med.br/imagens/INCA_tabagismo_PUC_01_232x350.jpg" title="Dia Mundial sem Tabaco" width="232" height="350" /><p class="wp-caption-text">Fonte: INCA (divulgação)</p></div>
<p>A melhor forma de parar de fumar é <strong>buscar ajuda profissional</strong>. Os estudos comprovam que a associação de terapia cognitivo-comportamental, terapia de reposição de nicotina e bupropiona (ou outros medicamentos, como nortriptilina, clonidina e vareniclina) aumenta em muito as chances da pessoa conseguir abandonar o cigarro.</p>
<p>Mas nem todo mundo precisa, ou pode, passar por todo esse processo. Por isso, resolvi reunir aqui algumas dicas que podem ser aplicadas por qualquer pessoa.</p>
<p><span id="more-550"></span></p>
<p>O primeiro passo, como mencionei no artigo <cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/24/10-motivos-para-parar-de-fumar/">10 motivos para parar de fumar</a></cite>, é <strong>pesar as vantagens e desvantagens de parar de fumar</strong>. O procedimento é bem simples. Basta pegar uma folha de papel, traçar uma linha dividindo-a ao meio, e escrever num lado os motivos para parar de fumar, e no outro, os para continuar fumando. Além dos motivos para parar de fumar, também já escrevi uma <a href="http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/">lista de motivos para fumar</a>, mas o importante é listar os motivos que realmente importam para a pessoa. Os motivos devem ser listados sem que a pessoa reflita muito sobre eles; no inicio, a prioridade é tornar as listas tão completas quanto for possível. Uma vez que os motivos já tenham sido colocados no papel, a pessoa deve parar para refletir sobre os mesmos, e tomar a decisão de parar de fumar ou não.</p>
<p>O segundo passo é <strong>escolher uma data para parar de fumar</strong>. O dia de hoje é sempre uma boa opção, mas pode ser semana que vem ou na outra. Mas escolher uma data muito distante, ou não escolher data alguma, é na prática adiar a decisão de parar de fumar. Tudo bem, a vida é da pessoa e ela tem o direito de continuar fumando, se assim quiser. Mas, para largar de verdade o cigarro, o melhor é escolher logo uma data próxima.</p>
<p>Outra decisão, que pode ser tomada junto à decisão acima, é <strong>escolher como parar de fumar</strong>: de uma só vez, ou aos poucos. Parar de fumar de uma só vez é simples: no dia escolhido a pessoa não fuma mais. Também é possível parar de fumar gradualmente, ao longo de poucos dias. Lembre-se de que a data para parar de fumar tem que ser no máximo duas semanas depois do dia em que a pessoa decidiu parar de fumar. Não vale ir diminuindo sem prazo.</p>
<p>Uma das formas mais populares de cessar o tabagismo gradualmente é atrasar 2 horas o primeiro cigarro, dia após dia. Se, por exemplo, a pessoa costuma fumar o primeiro cigarro do dia às 6 horas da manhã, ela pode começar a fumar às 8 da manhã num dia, e no dia seguinte às 10 da manhã, e por aí em diante. O processo pode ser continuado até chegar ao horário em que a pessoa vai dormir, mas na prática lá pelo quinto ou sétimo dia muitas pessoas já se sentem confiantes o suficiente para parar de fumar.</p>
<p>Existem algumas <strong>dicas</strong> que aumentam as chances do <cite>dia D</cite> funcionar. Uma é a pessoa contar para a família e os amigos que pretende parar de fumar. Às vezes a pessoa não está segura, e tem medo de ter que admitir que não conseguiu parar de fumar. Mas, se as pessoas mais próximas estiverem sabendo, elas poderão dar apoio quando for necessário. Como eu já disse, 80% dos fumantes gostariam de parar de fumar. Com certeza, ninguém vai oferecer cigarro para um amigo que está tentando parar.</p>
<p>Outra dica é transformar o <cite>dia D</cite> em um dia especial. Muitas pessoas podem passar por um verdadeiro luto pela perda do cigarro. Mas o cigarro não é um amigo de verdade, é uma droga, e por mais que a pessoa possa sentir a sua falta, a sua vida vai mudar para melhor. Como diz uma colega, <cite>Existe vida após o cigarro</cite>. Por isso, quando a pessoa for parar de fumar, é hora de jogar fora o isqueiro e o cinzeiro, lavar o cabelo, trocar a roupa de cama. O <cite>dia D</cite> merece comemoração. É dia de fazer compras, assistir a um filme, jogar futebol, fazer uma viagem&#8230;</p>
<p>As primeiras semanas são as mais difíceis, por causa da <strong>síndrome de abstinência da nicotina</strong>. Já descrevi os sintomas dessa síndrome no artigo <cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/">10 motivos para fumar</a></cite>. Esses sintomas chegam ao seu máximo em um ou poucos dias, para então diminuir gradualmente ao longo de 2 a 4 semanas. A dica aqui é superar um dia de cada vez. A síndrome de abstinência é mais forte nas pessoas que fumavam mais de um maço de cigarros por dia, ou que fumam o primeiro cigarro do dia pouco após acordar. Além de largar o cigarro ao longo de poucos dias, como descrevi acima, outra forma de diminuir os sintomas da síndrome de abstinência é a terapia de reposição de nicotina. Para abreviar, deixo aqui o link para a <a href="http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/BM/BM%5B26511-1-0%5D.PDF">bula dos adesivos de nicotina</a> e para a <a href="http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/BM/BM%5B25780-1-0%5D.PDF">bula das gomas de nicotina</a>.</p>
<p>Depois da síndrome de abstinência ir embora, a pessoa ainda tem que lidar com a vontade de fumar por mais alguns meses, às vezes anos. Não é uma vontade constante, como nas primeiras semanas, mas algo que vem repetidamente, e geralmente de uma forma bem intensa: a <strong>fissura</strong>. Novamente, a fissura é um dos <a href="http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/">motivos que fazem a pessoa continuar fumando</a>. Uma das formas de lidar com a fissura é evitar, na medida do possível, as situações que dão vontade de fumar. Algumas pessoas, por exemplo, resolvem parar de tomar café ou beber cerveja, e outras passar a fugir de situações em que terão que sentir o cheiro da fumaça.</p>
<p>Outra forma é desviar a atenção para outra coisa. O truque é lembrar que a fissura dura só 5 minutos, 10 no máximo. Então a pessoa pode escolher com antecedência alguma coisa para passar o tempo quando vier a fissura. Serve quase qualquer coisa: fazer a unha, varrer o chão, fazer uma caminhada, ou jogar videogame. Por fim, quem tem vontade de fumar após uma refeição, ou um café, pode escovar os dentes usando pasta dental, porque um gosto não combina com o outro. Outras pessoas percebem que beber um copo d&#8217;água também serve para tapear a vontade de fumar.</p>
<p>Uma das maiores dificuldades de quem para de fumar é <strong>lidar com a ansiedade</strong>. Na verdade, quem não fuma nunca pensa em cigarro quando está estressado, mas para os fumantes a história é diferente. Eu ainda pretendo escrever um artigo sobre como lidar com a ansiedade, mas por hora deixo duas dicas simples. A primeira é praticar um exercício físico; isso aumenta as chances da pessoa conseguir parar de fumar, diminui o estresse, e ainda evita o ganho de peso. Outra forma de reduzir a ansiedade é praticar um exercício respiratório de relaxamento.</p>
<p>O exercício de relaxamento consiste em ficar numa posição confortável, fechar os olhos e respirar devagar, contando 4 segundos durante a inspiração, e 4 segundos durante a expiração. Isso deve ser feito durante 20 minutos, de manhã e de noite, e também pode ser repetido antes e depois de situações especialmente estressantes. Se a pessoa não puder praticar durante 20 minutos, 5 ou 10 já é melhor do que nada. Além disso, ao longo do dia é importante a pessoa reparar se não está respirando rápido demais. Uma respiração acelerada é capaz de causar tontura, dormência, e até ataques de pânico.</p>
<p>Outro problema para as pessoas que querem abandonar o tabagismo é o <strong>ganho de peso</strong>. Sendo sincero, quem para de fumar ganha peso, sim. Mas sejamos realistas. Só 80% das pessoas que param de fumar ganham peso, e a média é de menos de 4 quilos. Algumas pessoas ganham mais de 10 quilos, mas outras até emagrecem. Perdendo ou ganhando peso, essa alteração acontece apenas a curto prazo, ou seja, a pessoa não continua ganhando peso para sempre. Além disso, quem para de fumar costuma ganhar peso, mas isso também é verdade para a maioria das pessoas que continuam fumando. Por isso é que qualquer profissional de saúde vai confirmar o que estou dizendo: os quilos a mais fazem menos mal que o cigarro.</p>
<p>Uma das formas de evitar o ganho de peso já foi abordada: fazer exercícios físicos. Outra é ter uma alimentação saudável. Se a pessoa comer chocolate ou chupar bala quando estiver com vontade de fumar, é claro que vai ganhar muito peso. É importante comer de 3 em 3 horas, por exemplo com duas frutas de manhã e outras duas frutas à tarde, para não dar vontade de beliscar. Ainda pretendo escrever um artigo sobre como emagrecer, mas por enquanto apelo ao bom senso dos leitores. Ser acompanhado por um nutricionista também ajuda.</p>
<p>Com o passar do tempo, a pessoa começa a ter cada vez menos fissura, e um momento em que <strong>se sente imune ao tabaco</strong>. Infelizmente, praticamente não existe ex-fumante. Se a pessoa fumar um cigarro que seja, mesmo que num momento excepcional, corre um grande risco de voltar a sentir necessidade de fumar vários cigarros ao dia, como se nunca tivesse parado. Por isso existe o ditado: <cite>Evite o primeiro cigarro, e você evitará todos os outros.</cite></p>
<p>Nem todo mundo consegue largar o cigarro na primeira tentativa. Da mesma forma, uma parte das pessoas que param de fumar acaba <strong>voltando a fumar</strong>. Faz parte. Na verdade, existe até um lado positivo nisso. Pessoas que já tentaram parar de fumar uma vez têm mais facilidade para conseguir parar na tentativa seguinte. É uma questão da pessoa repetir o processo, começando por decidir se quer continuar fumando ou voltar a parar, e por aí em diante. Essa também pode ser uma boa hora de discutir o assunto com seu médico de confiança. (Quem tem plano de saúde muitas vezes divide as consultas médicas entre vários especialistas, e não tem um médico de confiança. Nesse caso, sugiro um psiquiatra.)</p>
<p>Esse é o quarto e último artigo de uma série que escrevi em comemoração ao <strong>Dia Mundial sem Tabaco 2010</strong>. Confira toda a sequência:</p>
<ul>
<li><cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/">10 motivos para fumar</a></cite></li>
<li><cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/17/as-doencas-causadas-pelo-tabagismo-passivo/">As doenças causadas pelo tabagismo passivo</a></cite></li>
<li><cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/24/10-motivos-para-parar-de-fumar/">10 motivos para parar de fumar</a></cite></li>
<li><cite>Como parar de fumar</cite> (este artigo)</li>
</ul>
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/04/26/como-prevenir-e-controlar-a-hipertensao-arterial/' title='Como prevenir e controlar a hipertensão arterial'>Como prevenir e controlar a hipertensão arterial</a></li>
<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/' title='10 motivos para fumar'>10 motivos para fumar</a></li>
<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/03/19/como-prevenir-a-osteoporose/' title='Como prevenir a osteoporose'>Como prevenir a osteoporose</a></li>
</ul>
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		<title>10 motivos para parar de fumar</title>
		<link>http://leonardof.med.br/2010/05/24/10-motivos-para-parar-de-fumar/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 03:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sejam jovens ou idosas, saudáveis ou doentes, todas as pessoas têm algo a ganhar com a cessação do tabagismo. <a href="http://leonardof.med.br/2010/05/24/10-motivos-para-parar-de-fumar/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No início desta série semanal de 4 artigos em homenagem ao <strong>Dia Mundial sem Tabaco 2010</strong>, apresentei <a href="http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/">10 motivos que levam as pessoas a fumar</a> mesmo a gente sabendo hoje em dia que fumar faz mal para a saúde. O outro lado da moeda é que <a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2008/suplementos/tabagismo/default.shtm">18,2% dos brasileiros maiores de 15 anos de idade são ex-fumantes</a>, e 80% dos fumantes atuais querem parar de fumar. Ora, a dependência da nicotina é uma das mais poderosas que existe. 50% das pessoas que fumam um cigarro vão ficar dependentes. Se as pessoas param de fumar mesmo assim, elas devem ter um bom motivo, não é mesmo?</p>
<p><span id="more-523"></span></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 329px"><a href="http://www.flickr.com/photos/sukanto_debnath/3357963311/"><img alt="Old lady from Patan(Nepal), smoking" src="http://leonardof.med.br/imagens/Flicker_Sukanto_Debnath_3357963311_320x240.jpeg" title="Old lady from Patan(Nepal), smoking" width="319" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">© Sukanto Debnath (<a href='http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.pt'>CC-BY</a>)</p></div>
<ul>
<li><strong>Fumar envelhece as pessoas.</strong> O tabagismo antecipa o surgimento de rugas, além de causar doença periodontal, que vai desde dor nas gengivas até perda dos dentes. Parar de fumar deixa a pele mais rosada e os dentes menos amarelados. Além disso, o tabagismo causa mau hálito.</li>
<li><strong>Fumar prejudica o sexo.</strong> O tabagismo é uma das principais causas de disfunção erétil, ou seja, impotência sexual, além de diminuir a fertilidade.</li>
<li><strong>Mulheres também têm seus motivos.</strong> Mulheres fumantes têm mais cólicas menstruais, e o tabagismo multiplica o risco de infarto agudo do miocárdio, derrame cerebral (AVC) e outros tipos de tromboses. Isso é tão grave que a partir dos 35 anos não se passa anticoncepcionais hormonais combinados (o tipo mais comum de pílula) para mulheres fumantes. Além disso, o tabagismo antecipa a menopausa em 12 a 18 meses, e aumenta o risco de osteoporose. (Leia também: <cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/03/19/como-prevenir-a-osteoporose/">Como prevenir a osteoporose</a></cite>.)</li>
<li><strong>Quando antes, melhor.</strong> A expectativa de vida do fumante é de cerca de 10 anos a menos que dos não fumantes, e quanto antes a pessoa parar de fumar, mais anos de vida ela recupera. Quem para de fumar aos 30 anos recupera os 10 anos, e quem para de fumar aos 40 recupera 9.</li>
<li><strong>É um dinheiro que nunca volta.</strong> De acordo com o IBGE, um fumante diário de cigarros industrializados gasta em média R$ 78,43 por mês com os cigarros. Isso dá quase mil reais por ano!</li>
<li><strong>Está na moda parar de fumar.</strong> Novamente de acordo com o IBGE, em 2008 o Brasil tinha mais ex-fumantes (18,2%) que fumantes (17,2%), pelo menos entre a população maior de 15 anos de idade. E a proporção de tabagistas está caindo ano após ano.</li>
<li><strong>É melhor prevenir que remediar:</strong>
<ul>
<li>Quando uma mulher para de fumar antes de engravidar, ou no primeiro trimestre da gravidez, seu risco de ter um bebê com baixo peso (abaixo de 2500g) é igual ao das não fumantes;</li>
<li>Parar de fumar antes de uma cirurgia diminui o risco de complicações operatórias. Quanto mais antecedência, melhor.</li>
<li>O risco de derrame cerebral normaliza 5 a 15 anos depois de a pessoa parar de fumar;</li>
<li>O risco de doença cardíaca coronariana (angina, infarto agudo do miocárdio) cai pela metade após um ano sem fumar, e normaliza após 15 anos;</li>
<li>O risco de vários tipos de câncer cai quando a pessoa para de fumar. Isso inclui câncer de laringe; câncer de bexiga; câncer de colo de útero (aquele do preventivo); câncer de boca, garganta e esôfago; e câncer de pulmão.</li>
<li>Outras doenças também têm o risco diminuído quando a pessoa para de fumar: doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema, bronquite crônica), úlcera de estômago e duodeno; e doença arterial periférica (entupimento das artérias que levam sangue para o corpo, especialmente para as pernas).</li>
</ul>
</li>
<li><strong>Nunca é tarde para parar de fumar.</strong> Quem para de fumar aos 50 anos de idade ganha 6 anos de vida a mais, e mesmo aos 60 anos, se a pessoa parar de fumar, ganha 3 anos de vida além daqueles que já viveria normalmente. Os idosos conseguem parar de fumar com quase a mesma facilidade que os jovens, e têm menos recaídas. Além disso, em todas as faixas etárias existe o ganho de qualidade de vida.</li>
<li><strong>Parar de fumar melhora a qualidade de vida.</strong> Quando a pessoa para de fumar, o olfato e o paladar melhoram, além do sono, apetite, humor, auto-estima, disposição física e a qualidade de vida como um todo.</li>
<li><strong>Doença é mais um motivo para parar de fumar.</strong> Caso a pessoa tenha câncer, cessar o tabagismo diminui os efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia, aumenta a expectativa de vida, diminui as chances do câncer voltar, diminui as chances de outro câncer aparecer, e, pelo menos no câncer de pulmão, aumenta as chances de cura. Fora o câncer, as outras doenças causadas pelo cigarro não são curáveis, mas podem ser controladas através da cessação do tabagismo. Por exemplo: em todo o mundo a respiração melhora cerca de um mês após a pessoa parar de fumar, mas no caso de quem tem asma ou DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), o efeito é mais drástico e, muitas vezes, imediato. (Leia também: <cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/04/26/como-prevenir-e-controlar-a-hipertensao-arterial/">Como prevenir e controlar a hipertensão</a></cite>.)</li>
</ul>
<p>Cada pessoa tem seus motivos para parar de fumar. Uma paciente jovem, por exemplo, parou de fumar para ganhar uns quilos a mais! Além disso, existem razões mais altruístas, como dar o exemplo, preservar a saúde dos familiares (leia também: <cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/17/as-doencas-causadas-pelo-tabagismo-passivo/">As doenças causadas pelo tabagismo passivo</a></cite>), ou prevenir o desmatamento.</p>
<p>Já até aproveito para antecipar a uma dica de como parar de fumar. Se a pessoa ainda não decidiu se quer parar ou não, o primeiro passo é pesar os prós e os contras. Semana que vem explico melhor. Até!</p>
<p>Confira a série de artigos em comemoração ao <strong>Dia Mundial sem Tabaco 2010</strong>:</p>
<ul>
<li><cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/">10 motivos para fumar</a></cite></li>
<li><cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/17/as-doencas-causadas-pelo-tabagismo-passivo/">As doenças causadas pelo tabagismo passivo</a></cite></li>
<li><cite>10 motivos para parar de fumar</cite> (este artigo)</li>
<li><cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/31/como-parar-de-fumar/">Como parar de fumar</a></cite></li>
</ul>
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/' title='10 motivos para fumar'>10 motivos para fumar</a></li>
<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/03/19/como-prevenir-a-osteoporose/' title='Como prevenir a osteoporose'>Como prevenir a osteoporose</a></li>
</ul>
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		<item>
		<title>As doenças causadas pelo tabagismo passivo</title>
		<link>http://leonardof.med.br/2010/05/17/as-doencas-causadas-pelo-tabagismo-passivo/</link>
		<comments>http://leonardof.med.br/2010/05/17/as-doencas-causadas-pelo-tabagismo-passivo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 17 May 2010 03:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
		<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[angina]]></category>
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		<category><![CDATA[câncer]]></category>
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		<category><![CDATA[legislação]]></category>
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		<category><![CDATA[Saúde da Família]]></category>
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		<category><![CDATA[tuberculose]]></category>

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		<description><![CDATA[A poluição do ambiente pela fumaça do tabaco afeta todas as idades, causando complicações à gravidez, angina, asma, pneumonia, e mal de Alzheimer, entre outras doenças. <a href="http://leonardof.med.br/2010/05/17/as-doencas-causadas-pelo-tabagismo-passivo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <cite>Doutor Leonardo</cite> está publicando uma série de quatro artigos semanais em comemoração ao <strong>Dia Mundial sem Tabaco 2010</strong>, e o primeiro artigo foi <cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/">10 motivos para fumar</a></cite>. As pessoas podem até estranhar que um médico divulgue as razões que alguém pode ter para fumar, mas na verdade não se trata de propaganda de cigarro, e sim de explicar como alguém pode fumar mesmo a gente sabendo hoje em dia que faz mal.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 312px"><img alt="Fumaça tóxica" src="http://leonardof.med.br/imagens/INCA_Fumaca_Toxica_Maco.jpg" title="Tabagismo passivo" width="302" height="305" /><p class="wp-caption-text">Fonte: INCA (divulgação)</p></div>
<p>Defendo firmemente que cada pessoa, desde que maior de idade e livre de deficiência mental, tenha direito a escolher se quer fumar ou não. É claro que, enquanto médico de família e comunidade, sou obrigado a informar as pessoas dos riscos envolvidos, e a oferecer ajuda para que as pessoas consigam parar de fumar, mas a decisão de parar ou não de fumar deve ser individual. O outro lado da moeda é que as pessoas também têm o direito a não fumar, e, da mesma forma que os não fumantes devem respeitar o direito de fumar, os fumantes devem respeitar o direito de não fumar.</p>
<p><span id="more-409"></span></p>
<p>As informações a seguir foram simplificadas, para facilitar a leitura, e os números foram omitidos. Para cada doença citada abaixo, os riscos são 10% a 150% maiores entre os tabagistas passivos que entre os não fumantes, e quanto maior a exposição à fumaça do tabaco, pior. Se algum leitor for profissional de saúde e estiver interessado nos estudos de onde obtive os dados, basta entrar em contato comigo e indicarei minhas fontes com o maior prazer. Para o público geral, basta saber que as informações abaixo não são meras possibilidades, mas sim fatos comprovados com o melhor da ciência moderna.</p>
<p>Os riscos do tabagismo passivo começam antes da pessoa nascer. Não apenas as grávidas fumantes têm mais complicações nas suas gravidezes, mas também o tabagismo passivo da grávida aumenta o risco de <strong>malformações congênitas</strong>, ou seja, do bebê nascer com defeito, além de aumentar o risco de <strong>baixo peso ao nascer</strong>, o que por sua vez aumenta muito o risco de outras complicações para o recém-nascido. Além disso, o tabagismo passivo da gestante aumenta a chance da criança vir a desenvolver <strong>asma</strong>, e mesmo entre as crianças sem asma a função pulmonar é menor caso a mãe tenha sido exposta ao tabaco.</p>
<p>O risco de <strong>asma</strong>, entretanto, não se restringe ao tabagismo passivo durante a gravidez. Crianças e adolescentes expostos à fumaça do cigarro em casa têm mais risco de desenvolver asma, e caso tenham asma, têm crises mais frequentes que as crianças e adolescentes que não são fumantes passivos.</p>
<p>Para ficar ainda na parte respiratória, bebês fumantes passivos têm mais risco de, literalmente, morrer de repente. Em termos técnicos, o tabagismo passivo é uma das principais causas de <strong>morte súbita do lactente</strong>. A exposição à fumaça do tabaco também aumenta o risco de uma criança menor de 4 anos de idade ter uma <strong>pneumonia</strong> bacteriana ou viral, ou de ter <strong>otite média</strong> (aguda ou crônica), que é uma infecção dentro do ouvido.</p>
<p>O aparelho respiratório dos adultos também sofre, e muito, com o tabagismo passivo. Adultos expostos à poluição do tabaco têm maiores chances de desenvolverem <strong>asma</strong>, ou de ter <strong>pneumonia grave</strong>. Além disso, o tabagismo passivo está associado ao desenvolvimento de <strong>tuberculose</strong>, <strong>câncer de pulmão</strong>, e aquilo que chamamos tecnicamente de <cite>doença pulmonar obstrutiva crônica</cite> (DPOC para os íntimos), que é a mistura de <strong>enfisema pulmonar</strong> e <strong>bronquite crônica</strong>.</p>
<p>A poluição do ambiente pela fumaça do tabaco também aumenta as chances de um adulto ter <cite>doença cardíaca coronariana</cite>, que envolve desde a <strong>angina</strong> até o <strong>infarto agudo do miocárdio</strong>. Detalhe que a doença cardíaca coronariana é a segunda maior causa de morte no Brasil; a primeira é o <strong>derrame cerebral</strong> (<cite>acidente vascular cerebral</cite>, ou <strong>AVC</strong> para os íntimos), que também é mais frequente entre os tabagistas passivos que entre os não fumantes.</p>
<p>O resultado disso é demorou algum tempo até os cientistas entenderem a relação entre o tabagismo passivo e o <strong>mal de Alzheimer</strong>. Na verdade, a exposição à fumaça do tabaco aumenta o risco da pessoa desenvolver a doença, mas, quando as pessoas já doentes são estudadas, essa relação não é tão aparente assim. É possível que os fumantes passivos morram mais cedo que os não fumantes, equilibrando as chances de desenvolver a doença.</p>
<p>A fumaça que vem da queima do tabaco é um dos principais componentes da poluição do ar, especialmente em ambientes fechados. E quando eu digo fechado, isso não significa apenas janelas fechadas ou sem ventilador. Até mesmo um simples toldo atrapalha a dispersão da fumaça (por isso áreas de churrasqueira têm chaminé), e a velocidade do vento necessária para retirar toda a poluição de um ambiente fechado seria semelhante à de um furacão, e não à de um ventilador. A exposição à fumaça do tabaco, ou seja, o tabagismo passivo, afeta não apenas o próprio fumante, mas também seus parentes e seus colegas de trabalho. Além disso, permitir aos clientes que fumem em aviões, bares, hoteis e outros estabelecimentos expõe os funcionários à poluição ambiental do tabaco.</p>
<p>De um ano para cá a realidade do tabagismo passivo melhorou muito. A <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9294.htm" title="Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996">lei federal nº 9294</a> já proibia o fumo em ambientes fechados coletivos, mas pela falta de detalhamento era inviável fiscalizar os ambientes. Ano passado vários estados brasileiros adotaram leis contra o tabagismo passivo, definindo melhor as medidas que os ambientes devem adotar para evitar que os não fumantes sejam expostos à fumaça do tabaco, e estipulando multas para donos de estabelecimentos que permitam o fumo em área indevida.</p>
<p>Estudos internacionais comprovam que esse tipo de legislação é capaz de diminuir as chances de um não fumante adoecer, e no Brasil minha impressão é que os resultados também são positivos. Hoje em dia é possível frequentar uma festa sem chegar em casa com cheiro de cigarro, e praticamente não é mais necessário pedir às pessoas que deixem de fumar em restaurantes, ônibus e outros lugares fechados. Naturalmente, isso é o que <em>eu</em> percebi, no estado do Espírito Santo. E os leitores, o que será que perceberam de mudança com as leis de combate ao tabagismo passivo no ano passado?</p>
<p>Confira a série de artigos em comemoração ao <strong>Dia Mundial sem Tabaco 2010</strong>:</p>
<ul>
<li><cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/10/10-motivos-para-fumar/">10 motivos para fumar</a></cite></li>
<li><cite>As doenças causadas pelo tabagismo passivo</cite> (este artigo)</li>
<li><cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/24/10-motivos-para-parar-de-fumar/">10 motivos para parar de fumar</a></cite></li>
<li><cite><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/31/como-parar-de-fumar/">Como parar de fumar</a></cite></li>
</ul>
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/05/24/10-motivos-para-parar-de-fumar/' title='10 motivos para parar de fumar'>10 motivos para parar de fumar</a></li>
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</ul>
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		<title>Nutricionistas alertam para riscos da Ração Humana</title>
		<link>http://leonardof.med.br/2010/02/24/nutricionistas-alertam-para-riscos-da-racao-humana/</link>
		<comments>http://leonardof.med.br/2010/02/24/nutricionistas-alertam-para-riscos-da-racao-humana/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 03:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[constipação intestinal]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[expectativa de vida]]></category>
		<category><![CDATA[obesidade]]></category>

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		<description><![CDATA[A Ração Humana é um suplemento alimentar capaz de emagrecer e de melhorar a constipação intestinal, mas quando consumido sem orientação profissional pode trazer riscos como o de piorar uma prisão de ventre. No fim das contas, os componentes da Ração Humana são naturais, mas ela é um suplemento nutricional, e não deve ser substituto para um estilo de vida saudável. <a href="http://leonardof.med.br/2010/02/24/nutricionistas-alertam-para-riscos-da-racao-humana/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <a href="http://www.takinutri.com.br/produtos.html">Ração Humana</a> é um suplemento nutricional à base de cereais integrais e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinoa">quinoa</a>. Ela, a Ração Humana, tem sido cada vez mais consumida para emagrecer ou melhorar a constipação intestinal (prisão de ventre), mas a Agência Brasil entrou em contato com nutricionistas que se mostraram preocupados com os possíveis <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2010/02/05/materia.2010-02-05.4567634005/view" class="broken_link">efeitos adversos do composto</a>.</p>
<p><span id="more-70"></span></p>
<p>Eu gostaria de destacar especialmente o risco de piorar ainda mais a constipação intestinal. Como a Ração Humana pode ser comprada sem a prescrição de um médico ou nutricionista, seus consumidores geralmente não sabem que, para melhorar da constipação, é necessário também consumir muita água. Aumentar a ingestão de fibras alimentares sem um aumento correspondente da hidratação pode aumentar o volume das fezes impactadas e tornar necessário até mesmo uma lavagem intestinal.</p>
<p>Não existem dúvidas de que uma alimentação rica em cereais é benéfica para a saúde. O neurologista Ricardo Teixeira, por exemplo, vem divulgando em <a href="http://consciencianodiaadia.com/">seu blog</a> a dieta mediterrânea, que é rica em fibras e é capaz de <a href="http://consciencianodiaadia.com/2008/09/12/mirem-se-no-exemplo-daquelas-dietas-de-atenas/">reduzir a mortalidade e prevenir tanto o mal de Parkinson quanto o de Alzheimer</a>, além de <a href="http://consciencianodiaadia.com/2009/10/05/a-dieta-mediterranea-e-capaz-de-prevenir-a-depressao-diz-estudo/">prevenir a depressão</a> e <a href="http://consciencianodiaadia.com/2009/08/24/adeptos-da-dieta-mediterranea-tem-menos-gordura-abdominal-conclui-estudo/">diminuir a gordura abdominal</a>.</p>
<p>Apesar de concordar que meus pacientes continuem usando a Ração Humana, não costumo recomendar que as pessoas comecem a usá-la. Apesar de ser uma forma razoavelmente segura de emagrecer, desconheço qualquer estudo que demonstre seus efeitos a longo prazo. Tudo o que é muito igual acaba enjoando, e a tendência é um dia a pessoa parar de tomar o suplemento. Por isso mesmo, um suplemento nutricional não deve ser substituto para um estilo de vida saudável, como disse o Conselho Federal de Medicina em <a href="http://leonardof.med.br/2010/02/17/conselho-federal-de-medicina-impoe-limites-a-pratica-ortomolecular" rel="bookmark">resolução sobre a prática ortomolecular</a>.</p>
<p>(Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/07/12/como-esta-sua-alimentacao/" rel="bookmark">Como está sua alimentação?</a></q>)<br />
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</ul>
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