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	<title>Doutor Leonardo &#187; hipertensão</title>
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		<title>Agente comunitário de saúde pode medir a pressão arterial?</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Oct 2011 06:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<category><![CDATA[agente comunitário de saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[SUS]]></category>

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		<description><![CDATA[O controle da pressão arterial pelo ACS é efetivo, mas esse não deveria ser o foco de seu trabalho. <a href="http://leonardof.med.br/2011/10/10/agente-comunitario-de-saude-pode-medir-a-pressao-arterial/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um leitor me enviou o seguinte pedido:</p>
<blockquote><p>Doutor, solicito que se inicie uma campanha para que todo agente de saúde seja capacitado para pelo menos verificar a pressão arterial, pois daí seríamos melhor recebidos em todas as residências. [...]</p></blockquote>
<p>Isso é uma coisa que muda muito de uma cidade para outra; a cidade gaúcha de Nova Petrópolis, por exemplo, tem uma <a href="http://www.rbmfc.org.br/index.php/rbmfc/article/view/46" title="A avaliação da pressão arterial por agentes comunitários pode ser uma estratégia útil para o cuidado da saúde?">experiência bem documentada</a> de ensinar os agentes comunitários de saúde a medir a pressão arterial. Além disso, algumas cidades dos Estados Unidos passaram a contar com agentes comunitários de saúde (mais sobre isso outro dia), e lá medir a pressão arterial é uma das principais funções do agente.</p>
<p>A <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/10/o-papel-do-agente-comunitario-de-saude-no-sus/" title="O papel do agente comunitário de saúde no SUS">profissão dos agentes comunitários de saúde foi criada décadas atrás</a> para melhorar a saúde materno-infantil de populações carentes, e combater doenças transmissíveis como a diarreia e a pneumonia. Mas hoje em dia a situação de saúde mudou; infarto, derrame e outras <a href="http://leonardof.med.br/2011/09/27/onde-esta-a-epidemia-de-doencas-cronicas-nao-transmissiveis/" title="Onde está a epidemia de doenças crônicas não transmissíveis?">doenças não transmissíveis são as principais causas de morte precoce e incapacidade no Brasil</a>. <strong>O agente comunitário de saúde precisa estar preparado para ajudar no controle das doenças não transmissíveis</strong>.</p>
<p><span id="more-2690"></span></p>
<p>Medir a pressão arterial é fácil, dá para ensinar a praticamente qualquer um. Além disso, existem evidências (fracas) de que a verificação rotineira da pressão arterial pelos agentes comunitários de saúde seja uma forma efetiva de melhorar a <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21914989" title="Effectiveness of community health workers in Brazil: a systematic review.">detecção</a> e o <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1508657/" title="Linking community-based blood pressure measurement to clinical care: a randomized controlled trial of outreach and tracking by community health workers.">controle</a> da hipertensão arterial.</p>
<p>Mas, meu caro leitor, a segunda parte da sua mensagem me deixou muito preocupado. Você está dependendo de medir pressão para ser aceito na casa das pessoas?</p>
<p>O agente comunitário de saúde deve ser uma ponte entre as pessoas e o sistema de saúde. A população deveria ver no agente de saúde um cúmplice, um aliado dentro da unidade de saúde. Vários estudos mostram que as pessoas acreditam mais nos seus semelhantes, e essa é a força do agente comunitário de saúde. Se for para um funcionário da unidade de saúde ir medir a pressão arterial, por que não mandar um auxiliar de enfermagem?</p>
<p>PS: Parece que novamente me esqueci de mencionar em tempo o dia do ACS&#8230; Espero que este artigo, e <a href="http://leonardof.med.br/2011/10/05/comissao-de-deputados-aprova-piso-salarial-dos-agentes-comunitarios-de-saude/" title="Comissão de deputados aprova piso salarial dos agentes comunitários de saúde">aquele sobre o piso salarial</a>, compensem a omissão.<br />
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</ul>
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		<title>Meditação Transcendental ajuda a controlar pressão arterial</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 06:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
		<category><![CDATA[hipertensão]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>

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		<description><![CDATA[A técnica é no mínimo tão eficaz quanto outras recomendações usuais como o exercício físico. <a href="http://leonardof.med.br/2011/09/05/meditacao-transcendental-ajuda-a-controlar-pressao-arterial/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um de meus artigos favoritos é aquele em que explico <a href="http://leonardof.med.br/2010/04/26/como-prevenir-e-controlar-a-hipertensao-arterial/" title="Como prevenir e controlar a hipertensão arterial">como prevenir a hipertensão arterial, ou diminuir a necessidade de medicamentos para seu controle</a>. Hoje volto ao assunto, com um foco na redução do estresse. Há muito tempo se sabe que pessoas mais estressadas têm pressões arteriais mais elevadas, mas nem toda técnica de redução de estresse é capaz de melhorar os níveis de pressão arterial.</p>
<p>A revista científica <cite lang="en">Current Hipertension Reports</cite> publicou uma <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2268875" title="Stress Reduction Programs in Patients with Elevated Blood Pressure: A Systematic Review and Meta-analysis">revisão sobre a eficácia das diferentes técnicas de redução de estresse no controle a pressão arterial</a>. A Meditação Transcendental foi a única técnica comprovadamente eficaz. As outras técnicas incluídas na revisão foram <cite lang="en">biofeedback</cite>, <cite lang="en">biofeedback</cite> assistido por relaxamento, relaxamento muscular progressivo e treinamento para gerenciamento de estresse.</p>
<p><span id="more-2093"></span></p>
<p>A eficácia da Meditação Transcendental é semelhante à de orientações populares, como emagrecimento ou exercícios físicos. Por exemplo, quem tem a pressão em 14 por 9 pode esperar, em média, baixar para 13,5 por 8,7. (De fato, é uma redução modesta. Por isso é que muitas pessoas acabam precisando de medicamento.)</p>
<p>O mais interessante da Meditação Transcendental é que ela <a href="http://dx.crossref.org/10.1016/j.amjcard.2004.12.058" title="Long-Term Effects of Stress Reduction on Mortality in Persons ≥55 Years of Age With Systemic Hypertension">parece ser capaz de reduzir a mortalidade em 23%</a> — pelo menos em pessoas maiores de 55 anos de idade com hipertensão arterial. Isso parece bom demais para ser verdade, e mesmo os autores desse estudo recomendam a realização de novas pesquisas, que tomem determinados cuidados.</p>
<p>Se a redução de mortalidade for confirmada, a Meditação Transcendental pode vir a ser recomendada como a melhor forma (além dos medicamentos) para controlar a pressão arterial. Mesmo assim, por enquanto já podemos dizer que ela é no mínimo tão benéfica quanto  outras <a href="http://leonardof.med.br/2010/04/26/como-prevenir-e-controlar-a-hipertensao-arterial/" title="Como prevenir e controlar a hipertensão arterial">maneiras de se controlar a pressão arterial sem medicamentos e prevenir a hipertensão arterial</a>.<br />
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</ul>
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		<title>Emagrecer para prevenir a hipertensão: eficácia e efetividade</title>
		<link>http://leonardof.med.br/2011/05/26/emagrecer-para-prevenir-a-hiptertensao-eficacia-e-efetividade/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2011 03:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<category><![CDATA[efetividade]]></category>
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		<category><![CDATA[obesidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Poucas pessoas conseguem perder peso e manter a longo prazo. <a href="http://leonardof.med.br/2011/05/26/emagrecer-para-prevenir-a-hiptertensao-eficacia-e-efetividade/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisadores do <cite lang="en">Trials of Hypertension Prevention Research Group</cite> conduziram uma <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11187414" title="Stevens V, Obarzanek E, Cook N, Lee IM, Appel LJ, Smith West D, et al. Long term weight loss and changes in blood pressure: results of the trials of hypertension prevention, phase II. Ann Intern Med 2001;134:1–11.">pesquisa</a> de grande porte para avaliar melhor a eficácia e a efetividade do emagrecimento na prevenção da hipertensão arterial. Mais de mil pessoas com sobrepeso ou obesidade e com pressão arterial maior que 12 por 8 mas menor que 14 por 9 foram sorteadas entre receber ou não uma intervenção de alta intensidade para a perda de peso, incluindo informações nutricionais, incentivo à atividade física, técnicas de gerenciamento do próprio comportamento, e suporte social.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/airforceone/2081763766/"><img alt="Feira em Munique." src="http://arquivos.leonardof.med.br/Flickr_2081763766_320x240.jpeg" title="Viktualienmarkt, por Stefano Petroni. Publicado sob a licença Creative Commons BY-NC-ND 2.0. Clique na imagem para ver o original." class="aligncenter" width="320" height="240" /></a></p>
<p>A pesquisa comprovou que emagrecer é uma forma eficaz de prevenir a hipertensão arterial: as pessoas que perderam 4,5kg ou mais e mantiveram essa perda de peso até o fim da pesquisa tiveram um risco 65% menor de desenvolver hipertensão. O problema é que apenas 13% das pessoas atingiram essa meta.</p>
<p><span id="more-2351"></span></p>
<p>Em média, as pessoas que receberam a intervenção perderam 4,4 kg nos primeiros 6 meses, mas daí em diante voltaram a ganhar peso, e ao fim dos 36 meses estavam com apenas 200 gramas a menos que no início da pesquisa. Mesmo assim, se saíram melhores que o grupo de controle. Estas pessoas, que foram acompanhadas pelos pesquisadores mas não receberam a intervenção, ganharam peso progressivamente desde o começo. Após 3 anos, estavam em média 1,8 kg mais gordas que no início, mesmo estando livres para melhorar a alimentação e praticar exercícios físicos por conta própria.</p>
<p>Em resumo, a longo prazo as pessoas que receberam a intervenção não perderam praticamente peso algum, mas pelo menos deixaram de engordar cerca de 0,6 kg por ano. Com relação à pressão arterial, ao fim da pesquisa as pessoas do grupo de intervenção estavam praticamente iguais às do grupo de controle: a diferença foi de apenas um milímetro de mercúrio.</p>
<p>Se você está com sobrepeso ou obesidade (<a href="http://leonardof.med.br/2010/04/22/como-saber-se-voce-esta-acima-do-peso-ideal/" rel="bookmark" title="Como saber se você está acima do peso ideal">descobra se é o seu caso</a>), ainda vale a pena tentar emagrecer: se você fizer parte daqueles 13%, os benefícios são substanciais. Mas, levando em consideração que a maioria das pessoas não consegue perder peso ou manter a perda, é importante investir em <a href="http://leonardof.med.br/2010/04/26/como-prevenir-e-controlar-a-hipertensao-arterial/" rel="bookmark" title="Como prevenir e controlar a hipertensão arterial">outras formas de prevenir a hipertensão</a>, como por exemplo a <a href="http://leonardof.med.br/2010/12/12/reducao-do-sal-e-tao-importante-quanto-remedio-de-pressao/" rel="bookmark" title="Redução do sal é tão importante quanto remédio de pressão">redução do consumo de sal</a>.</p>
<p>Existe ainda um grupo que defende uma abordagem bem diferente: que a obesidade não faz mal para a saúde, e que é possível ser saudável mesmo sendo obeso. Esse grupo defende inclusive que o tratamento da obesidade pode fazer mais mal do que bem. <a href="http://leonardof.med.br/2011/05/30/saudavel-em-qualquer-tamanho-uma-abordagem-controversa-da-obesidade/" rel="bookmark" title="Saudável em Qualquer Tamanho: uma abordagem controversa da obesidade">No próximo artigo</a> vou comentar um pouco mais sobre essa visão polêmica.<br />
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</ul>
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		<title>Queijo não afeta remédio de pressão</title>
		<link>http://leonardof.med.br/2011/04/17/queijo-nao-afeta-remedio-de-pressao/</link>
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		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 03:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A tiramina do queijo é perigosa para quem toma inibidores da monoaminoxidase. <a href="http://leonardof.med.br/2011/04/17/queijo-nao-afeta-remedio-de-pressao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem um jornal do Espírito Santo publicou uma matéria sobre a interferência dos alimentos na eficácia, na segurança e nos efeitos colaterais de alguns medicamentos. É bom que o jornal tenha dado destaque a um tema tão importante, mas a matéria parece ter saído com um erro que está deixando algumas pessoas assustadas. De acordo com o jornal, um gastroenterologista do estado teria dito que consumir queijo com remédios de pressão causaria efeitos colaterais graves, inclusive reação alérgica.</p>
<p><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Parmigiano_reggiano_factory.jpg"><img alt="Dezenas de milhares de unidades de queijo parmesão, estocados na fábrica em Modena." src="http://arquivos.leonardof.med.br/WikimediaCommons_ParmigianoReggianoFactory_424x320.jpeg" title="Fábrica de queijo parmesão, por Sputnikcccp. Publicado sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Clique na imagem para ver o original." class="aligncenter" width="424" height="320" /></a></p>
<p>De fato, os queijos (especialmente curados) são ricos em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tiramina">tiramina</a>, uma sustância perigosa para quem toma medicamentos do grupo dos inibidores da monoaminoxidase — iMAO para os íntimos. Os efeitos desta interação medicamentosa vão desde dor de cabeça até crise hipertensiva, sangramento intracraniano e morte. Acontece que os iMAO não são usados para diminuir a pressão arterial — eles são usados para tratar a <em>de</em>pressão. Além disso, por causa desse risco, hoje em dia os iMAO são muito pouco usados. Os antidepressivos mais prescritos hoje são os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e os tricíclicos; até mesmo os atípicos são mais usados que os iMAO.</p>
<p>O queijo é até bom para <a href="http://leonardof.med.br/2010/04/26/como-prevenir-e-controlar-a-hipertensao-arterial/" rel="bookmark" title="Como prevenir e controlar a hipertensão arterial">controlar a pressão arterial</a>, se for desnatado e tiver pouco sal. Portanto, se o seu médico até hoje não lhe proibiu de comer queijo, não deve haver com o que se preocupar!<br />
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		<title>Ter uma saúde perfeita não é normal</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 03:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<guid isPermaLink="false">http://leonardof.med.br/?p=2178</guid>
		<description><![CDATA[Apenas um entrevistado, dentre 1933, cumpria todos os 7 componentes de uma vida saudável. <a href="http://leonardof.med.br/2011/02/23/ter-uma-saude-perfeita-nao-e-normal/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quase 2 mil norte-americanos de meia-idade responderam a um questionário sobre o quão saudável era seu estilo de vida. O resultado é ainda pior do que se esperava: apenas <strong>um</strong>, dos 1933 entrevistados, apresentava os 7 componentes de uma vida saudável do ponto de vista cardiovascular (cardíaco e circulatório). Em média, os brancos tinham 2,6 componentes do estilo de vida saudável, enquanto os negros estavam ainda pior, com uma média de apenas 2,0 componentes.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/guga_amorim/5118257688/"><img alt="Radiografia de tórax, com o espaço dos pulmões em vermelho." src="http://arquivos.leonardof.med.br/Flickr_5118257688_320x320.jpeg" title="Pulmões sanguíneos, por Gustavo Amorim. Distribuído sob a licença Creative Commons BY-NC 2.0 genérica. Clique na imagem para ver o original." class="aligncenter" width="320" height="320" /></a></p>
<p>A <a href="http://circ.ahajournals.org/cgi/content/abstract/CIRCULATIONAHA.110.980151v1">pesquisa</a> é melhor entendida no contexto do projeto da <span lang="en">American Heart Association</span>: <q>Até 2020, melhorar a saúde cardiovascular de todos os [norte-]americanos em 20%, reduzindo em 20% as mortes cardiovasculares e por derrame.</q> Para fins desse projeto, a saúde cardiovascular (do coração e da circulação) é medida através do cumprimento dos 7 critérios a seguir:</p>
<p><span id="more-2178"></span></p>
<ul>
<li>Nunca ter fumado, ou ter parado de fumar há pelo menos um ano. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/24/10-motivos-para-parar-de-fumar/">10 motivos para parar de fumar</a></q>.)</li>
<li>Índice de massa corporal (IMC) menor do que 25 (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/04/22/como-saber-se-voce-esta-acima-do-peso-ideal/">Como saber se você está acima do peso ideal</a></q>.)</li>
<li>Pelo menos 150 minutos de atividade física moderada (p. ex., caminhar rapidamente) por semana ou 75 minutos de atividade física vigorosa.</li>
<li>Atender a pelo menos 4 dos 5 componentes de uma alimentação saudável. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/07/12/como-esta-sua-alimentacao/">Como está sua alimentação?</a></q>.)</li>
<li>Ter um colesterol total menor que 200 mg/dL.</li>
<li>Ter uma pressão arterial menor do que 12 por 8. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/04/26/como-prevenir-e-controlar-a-hipertensao-arterial/">Como prevenir e controlar a hipertensão arterial</a></q>.)</li>
<li>Ter uma glicemia (açúcar no sangue) de jejum menor do que 100 mg/dL. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/07/05/como-prevenir-o-diabetes-mellitus/">Como prevenir o diabetes mellitus</a></q>.)</li>
</ul>
<p>A pesquisa traz um resultado muito claro: por esses critérios, quase ninguém é perfeitamente saudável. E agora?</p>
<p>Você sempre pode entender isso como um recado para faltar ao trabalho e ir ao médico, fazer uma bateria de exames, e começar a tomar uma série de remédios para tentar ficar saudável de novo. Se você não for muito chegado em médico, pode começar a ter uma alimentação saudável, ser fisicamente ativo, e não fumar — com um pouco de sorte, o resto é consequência.</p>
<p> Essa não é uma abordagem de todo errada, mas tem uma série de limitações:</p>
<ul>
<li>Mudar a alimentação é muito difícil. A maioria das pessoas volta a ganhar peso 3 a 12 meses depois de ter começado a dieta, reeducação alimentar ou como quer que você chame isso.</li>
<li>Ter uma pressão arterial menor que 12 por 8 é melhor do que ter a pressão menor que 14 por 9. Mas, quando a pessoa já tem hipertensão arterial, ou seja, sua pressão é maior que 14 por 9, existe um bocado de controvérsia sobre o quanto sua pressão arterial precisa ser diminuída.</li>
<li>Ainda não se tem certeza se o controle do <q>pré-diabetes</q>(glicemia de jejum entre 100 ou 125) reduz o risco cardiovascular.</li>
</ul>
<p>Você e seu médico têm uma importância enorme para a sua saúde, mas não é só isso. Algumas coisas precisam ser resolvidas em nível coletivo para os efeitos surgirem em nível individual. Por exemplo, <a href="http://leonardof.med.br/2010/12/20/de-onde-vem-o-sal-que-voce-consome/">você ainda precisa reduzir o sal da sua comida</a>, mas a <a href="http://leonardof.med.br/2010/11/30/industria-alimenticia-vai-reduzir-sal-e-acucar-de-seus-produtos/" title="Indústria alimentícia vai reduzir sal e açúcar de seus produtos">diminuição do sal nos alimentos industrializados</a> ajuda muito, até para o seu paladar começar a se acostumar com comida menos salgada. O resultado é que a <a href="http://leonardof.med.br/2010/12/12/reducao-do-sal-e-tao-importante-quanto-remedio-de-pressao/" title="Redução do sal é tão importante quanto remédio de pressão">pressão arterial de todo o mundo diminui</a>; as pessoas de baixo risco ficam com o risco ainda menor, e as pessoas de alto risco acabam escapando de precisar tomar um punhado de comprimidos no café da manhã. O mesmo tipo de raciocínio se aplica para outros componentes do estilo de vida saudável.</p>
<p>Mas eu acredito que a maior lição dessa pesquisa é para nós, médicos. A pessoa completamente saudável é quase um mito. A maioria das pessoas está no meio caminho. Ao invés de tratar os fatores de risco como se fossem doenças, tentando extirpá-los um a um, nossa missão é ajudar as pessoas a caminhar no sentido de uma vida mais saudável, levando suas prioridades sempre em consideração.<br />
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</ul>
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		<title>Redução do sal é tão importante quanto remédio de pressão</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Dec 2010 02:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E a economia em assistência à saúde seria dezenas de vezes maior do que os custos. <a href="http://leonardof.med.br/2010/12/12/reducao-do-sal-e-tao-importante-quanto-remedio-de-pressao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dia 25 de novembro, como já <a href="http://leonardof.med.br/2010/11/30/industria-alimenticia-vai-reduzir-sal-e-acucar-de-seus-produtos/" rel="bookmark" title="Redução do sal é tão importante quanto do tabagismo ou do peso">mencionei aqui</a> no <cite>Doutor Leonardo</cite>, o governo brasileiro divulgou um acordo com a indústria para a redução do teor de sódio (e de glicose) dos produtos alimentícios. A redução deverá ser gradual, para as pessoas não estranharem, e em 2020 os alimentos industrializados do Brasil deverão ter 50% menos sódio que hoje em dia. Esse acordo deverá ter um benefício imenso para a nossa saúde. Não se trata apenas de abaixar a pressão arterial. Trata-se de salvar vidas — <em>muitas</em> vidas.</p>
<p>Neste ano o <cite lang="en">New England Journal of Medicine</cite> publicou um <a href="http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa0907355" title="Bibbins-Domingo K et al. Projected Effect of Dietary Salt Reductions on Future Cardiovascular Disease. N Engl J Med. 2010; 362(7):590-599">estudo</a> em que os pesquisadores simularam o que aconteceria nos Estados Unidos se aquele país tivesse uma iniciativa igual à do Brasil. Confira um trecho do resumo:</p>
<blockquote><p>Uma intervenção regulatória desenvolvida para alcançar uma redução da ingestão de sal em 3 gramas por dia salvaria, todo ano, 194 a 392 mil anos de vida ajustados por qualidade de vida, e economizaria todo ano 10 a 24 bilhões de dólares em atenção à saúde. Tal intervenção traria mais economia do que custo, mesmo se apenas uma modesta redução de 1 grama por dia fosse atingida gradualmente entre 2010 e 2019, e seria mais custo-efetiva que usar medicamentos para baixar a pressão sanguínea em todos os hipertensos.</p></blockquote>
<p><span id="more-1832"></span></p>
<p>Quanto menos sal, menor o risco de infarto e de derrame. O limite de 5 gramas mencionado no artigo <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/04/26/como-prevenir-e-controlar-a-hipertensao-arterial/">Como prevenir e controlar a hipertensão arterial</a></q> é apenas um consenso sobre uma meta factível, mas consumir 3 gramas por dia seria ainda melhor. Mesmo assim, o brasileiro consome mais de 11 gramas de sal de cozinha por dia, <em>muito</em> acima do ideal, e bem próximo do que se consome nos Estados Unidos.</p>
<p>A Organização Mundial da Saúde estima que um país gasta cerca de 1 dólar por habitante por ano para implementar um conjunto de regras que diminua pela metade o consumo de sal pela população. Uma redução gradual sairia mais cara, pela necessidade de ajustes anuais. Dessa forma, o estudo mencionado acima estima que os Estados Unidos gastariam quase 3 bilhões de dólares para implementar a estratégia, mas economizariam algo entre 21 e 36 dólares <em>para cada dólar gasto</em>. Pessoalmente, não conheço qualquer aplicação financeira com tamanho retorno sobre o investimento.</p>
<p>Mas dinheiro não é tudo, certo? O estudo prossegue comparando o impacto da redução do consumo de sal com algumas outras medidas cuja importância é amplamente reconhecida:</p>
<ul>
<li>Controlar com medicamentos a pressão arterial de todas as pessoas, inclusive as que nem sabem que têm hipertensão — preveniria 80 mil mortes por ano.</li>
<li>Diminuir em 5% o peso em todos os obesos — preveniria 36 mil mortes por ano.</li>
<li>Reduzir em 50% o tabagismo ativo e passivo — preveniria 84 mil mortes por ano.</li>
<li>Reduzir o consumo de sal em 3 gramas por dia — preveniria 51 a 81 mil mortes por ano.</li>
</ul>
<p>O tratamento medicamentoso da hipertensão arterial é uma das formas mais efetivas de se reduzir a mortalidade. Mas uma redução em cerca de 25% do consumo de sal é tão efetiva quanto, e com um custo muito menor. Enquanto a redução progressiva do consumo de sal sairia por menos de 3 bilhões de dólares aos cofres norte-americanos, o uso de anti-hipertensivos em todos os casos com indicação custaria nada menos que 19 bilhões de dólares.</p>
<p>Acho que agora fica fácil entender minha empolgação com o acordo estabelecido pelo governo brasileiro. Mas você não precisa ficar de braços cruzados esperando a indústria diminuir o sal em seus produtos. Daqui a cerca de uma semana comento uma pesquisa da USP sobre a participação de cada fonte para o consumo de sal no Brasil.<br />
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2011/05/26/emagrecer-para-prevenir-a-hiptertensao-eficacia-e-efetividade/' title='Emagrecer para prevenir a hipertensão: eficácia e efetividade'>Emagrecer para prevenir a hipertensão: eficácia e efetividade</a></li>
</ul>
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		<title>Indústria alimentícia vai reduzir sal e açúcar de seus produtos</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2010 02:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ministério da Saúde firmou acordo com a Associação Brasileira da Indústria Alimentícia. <a href="http://leonardof.med.br/2010/11/30/industria-alimenticia-vai-reduzir-sal-e-acucar-de-seus-produtos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministério da Saúde <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&#038;id_area=124&#038;CO_NOTICIA=11922" title="Ministério da Saúde renova acordo com indústria para melhorar alimentação dos brasileiros">anunciou</a> recentemente a assinatura de um contrato com a Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (Abia), renovando por mais 3 anos o Fórum da Alimentação Saudável. Esse fórum, composto também pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi responsável pela retirada de 230 mil toneladas de gordura trans dos produtos alimentícios em 2009, segundo a própria Abia. Além de conseguir que todas as empresas restrinjam a gordura trans em seus alimentos (hoje em dia 94,6% teriam adotado a medida), o objetivo do fórum passou a incluir a diminuição dos teores de sódio e glicose nos produtos alimentícios.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/pagedooley/2769134850/"><img alt="Grãos de sal fotografados com aumento de 25%, com renderização de HDR (grande alcança dinâmico)." src="http://arquivos.leonardof.med.br/Flickr_2769134850_320x240.jpeg" title="Grãos de sal. © Kevin Dooley, 2008 (CC-BY). Clique na imagem para ver o original." class="aligncenter" width="319" height="240" /></a></p>
<p>A importância do acordo foi ressaltada por um <a href="http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/home/!ut/p/c4/04_SB8K8xLLM9MSSzPy8xBz9CP0os3hnd0cPE3MfAwMDMydnA093Uz8z00B_AwN_Q_2CbEdFAL9EuZ0!/?WCM_PORTLET=PC_7_CGAH47L0006BC0IG5N65QO0875_WCM&#038;WCM_GLOBAL_CONTEXT=/wps/wcm/connect/anvisa/anvisa/sala+de+imprensa/noticias/estudo+aponta+grande+quantidade+de+sodio+em+alimentos+industrializados" title="Anvisa: Estudo aponta grande quantidade de sódio em alimentos industrializados">levantamento</a> publicado recentemente pela Anvisa. O levantamento mostrou, por exemplo, que a quantidade de sódio em uma marca de batata palha foi 14 vezes maior que em outra; e que uma porção de macarrão instantâneo contém 167% do sódio que uma pessoa adulta pode ingerir num dia. O mesmo levantamento também descobriu que a glicose é responsável por cerca de 10% da composição dos refrigerantes, sucos e néctares analisados.</p>
<p><span id="more-1827"></span></p>
<p>Pessoalmente, uma das informações que mais me chamou a atenção no anúncio do Ministério da Saúde foi a importância do Fórum da Alimentação Saudável na retirada da gordura trans dos produtos alimentícios (alimentos processados industrialmente). Enquanto consumidor, o que percebi foi uma enxurrada de matérias em televisão, revistas e jornais sobre os malefícios da gordura trans, seguidos de ampla redução de gordura trans nos produtos alimentícios, fartamente divulgada em suas respectivas embalagens. Parece, no entanto, que o papel de conscientização da mídia não foi tão decisivo assim. O acordo para redução de gordura trans já tinha sido estabelecido.</p>
<p>O Brasil está implementando a <a href="http://www.who.int/dietphysicalactivity/en/"><cite>Estratégia Global de Atividade Física e Dieta</cite></a>, elaborada nos últimos anos pela Organização Mundial da Saúde. Um dos fundamentos dessa estratégia é que o estilo de vida saudável não é alcançado exclusivamente através da iniciativa individual. Existem uma série de medidas coletivas comprovadamente efetivas para reduzir a exposição da população a uma série de fatores de risco, como obesidade, excesso de colesterol no sangue, excesso de glicose no sangue, pressão arterial elevada, e falta de atividade física. Esses fatores de risco representam algumas das principais causas preveníveis de algumas das doenças mais importantes no Brasil e no mundo, como o infarto cardíaco e <abbr title="acidente vascular cerebral">AVC</abbr> (derrame). (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/03/17/os-10-maiores-fatores-de-risco-para-a-saude-do-brasil/">Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil</a></q>.)</p>
<p>No meu dia-a-dia como médico de família e comunidade, muitas pessoas se opõem a alterações de seu estilo de vida com base no que aconteceu com seus avôs. Essas pessoas têm histórias na família de pessoas que fumaram, comeram carne de porco ou conservaram sua comida em banha de porco, e mesmo assim viveram até idades avançadas. É claro que quem me conta isso ainda está vivo, então ainda não sei com que idade essa pessoa vai morrer. Pode ser que a família tenha uma genética boa. Mas essas pessoas também se esquecem de que seus antecedentes tinham um estilo de vida muito melhor em outros aspectos — atividade física, por exemplo. Além disso, seus avôs comiam <em>comida</em>, e não <em>produtos alimentícios</em>. Os alimentos processados industrialmente recebem geralmente uma série de ingredientes nada saudáveis, e não estou falando de aditivos como corantes, flavorizantes ou conservantes. Estou falando é de sal, açúcar, gordura trans.</p>
<p>Um livro <!-- Nestle M. Food Politics: How the Food Industry Influences Nutrition and Health. London, England: University of California Press; 2002. --> sobre a indústria alimentícia destacou, por exemplo, que 75% a 80% do sódio consumido pelos americanos vem dos produtos alimentícios. Essa proporção é bem parecida na Inglaterra, e acredito que no Brasil também. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/12/20/de-onde-vem-o-sal-que-voce-consome/">De onde vem o sal que você consome?</a></q>) A experiência internacional mostra ser possível reduzir imediatamente 10% a 25% do teor de sódio dos produtos alimentícios, sem gerar rejeição nos consumidores, e a partir daí reduzir o teor de sódio para níveis 50% menores ao longo de 10 anos, como será feito no Brasil. Além disso, em três países foram realizados estudos de custo-efetividade (custo-benefício), segundo os quais <!-- Bruce N, Yangfeng W, Li N. The effectiveness and costs of population interventions to reduce salt consumption. OMS, 2007 --> a economia no tratamento de infarto, derrame e outras doenças é várias vezes maior que os gastos na redução do sódio nos alimentos.</p>
<p>Em cerca de uma semana pretendo dividir com vocês os <a href="http://leonardof.med.br/2010/12/12/reducao-do-sal-e-tao-importante-quanto-remedio-de-pressao/">resultados de um estudo científico sobre o impacto de uma iniciativa como essa do Brasil</a>, na restrição do sódio. Até lá, que tal começar a olhar o rótulo dos produtos alimentícios para saber o teor de sódio?</p>
<p>Melhor ainda: que tal comer mais comida de verdade?<br />
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<li><a href='http://leonardof.med.br/2010/03/17/os-10-maiores-fatores-de-risco-para-a-saude-do-brasil/' title='Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil'>Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil</a></li>
</ul>
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		<title>O papel do agente comunitário de saúde no SUS</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Oct 2010 03:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<guid isPermaLink="false">http://leonardof.med.br/?p=1523</guid>
		<description><![CDATA[O agente comunitário de saúde começou prevenindo morte por diarreia, e hoje previne até infarto. <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/10/o-papel-do-agente-comunitario-de-saude-no-sus/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sexta-feira não deu para publicar o artigo que eu pretendia, mas foi por um bom motivo. Eu estava terminando de preparar uma apresentação para agentes comunitários de saúde de Vitória, a pedido dos estudantes de enfermagem da <abbr title="Universidade Federal do Espírito Santo">UFES</abbr>. Dia 4 de outubro foi o <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11585.htm" title="Lei nº 11.585, de 28 de novembro de 2007">Dia Nacional do Agente Comunitário de Saúde</a>, e só agora percebi que nada publiquei a esse respeito. Resolvi então matar dois coelhos numa cajadada só, e trago a vocês uma versão adaptada de minha apresentação. Ao longo dos próximos dias escreverei o <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/19/condroitina-e-glicosamina-nao-funcionam-na-osteoartrose-de-joelho-e-quadril/" rel="bookmark" title="Condroitina e glicosamina não funcionam na osteoartrose de joelho e quadril">artigo sobre tratamento da osteoartrose</a> (prometido no <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/06/as-10-principais-doencas-dos-idosos-no-brasil/" rel="bookmark" title="As 10 principais doenças dos idosos no Brasil">artigo anterior</a>) e <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/15/voce-gastaria-15-reais-para-ganhar-um-ano-de-vida/" rel="bookmark" title="Você gastaria 15 reais para ganhar um ano de vida?">sobre a vacinação de rotina contra a catapora</a> (prometida num <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/07/sarampo-na-paraiba/#comment-994">comentário</a>). Em breve pretendo trazer <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/27/haiti-tambem-tera-agente-comunitario-de-saude/" rel="bookmark" title="Haiti também terá agente comunitário de saúde">mais um artigo sobre os agentes comunitários de saúde</a> — aguardem!</p>
<p><span id="more-1523"></span></p>
<blockquote><p>No interior escuro e esfumaçado de um barracão, Maria, com 1 ano de idade, estava sentada quieta no chão de terra, entorpecida pela diarreia e desnutrição.</p>
<p>Com outras sete crianças para criar, a mãe de Maria, Antônia Souza Lima, explicou que não podia se dar ao luxo de uma caminhada de uma hora e meia, ou de pagar 40 centavos pela passagem de ônibus, para levar sua bebê moribunda ao posto médico mais próximo.</p>
<p>Piorando aos poucos, Maria parecia destinada a se tornar mais uma das 250 mil crianças brasileiras que morrem antes de completar 5 anos de idade.</p>
<p>Mas, em um novo esforço para reduzir a devastadora taxa de mortalidade infantil, uma agente comunitária de saúde começou recentemente a vir toda semana à casa de Antônia, trazendo soro de reidratação oral para Maria e informações sobre higiene para sua mãe, que tem uma televisão mas não um filtro de água.</p>
<p>Com o novo programa de saúde pública, envolvendo um exército de trabalhadores de saúde de baixo custo, o estado do Ceará está mostrando para o Brasil que às vezes, mesmo em tempos de austeridade econômica, a mortalidade infantil pode ser reduzida.</p>
<p>Em quatro anos, o Ceará, um dos estados mais pobres do Nordeste brasileiro, reduziu sua mortalidade infantil em cerca de um terço. O número de bebês que morria antes de seu primeiro aniversário era de 39 para cada 1000 nascidos vivos em 1990, quando a pesquisa foi realizada pela última vez; em 1987, esse número era de 57 por 1000.</p>
<p>[...] Erismar Rodrigues de Lima, uma vizinha de Antônia, ouviu atentamente às instruções sobre a filtragem de água. &#8220;Eu sou a primeira pessoa da minha família a ter recebido cuidados pré-natais&#8221;, disse a mulher de 22 anos, que espera um bebê para junho.
</p></blockquote>
<p>Esse relato foi publicado numa <a href="http://www.nytimes.com/1993/05/14/world/brazilian-state-leads-way-in-saving-children.html" title="O Brasil mostra o caminho para salvar as crianças (em inglês)">matéria do <cite lang="en">New York Times</cite></a> em 1993, quando o Ceará ganhou o prêmio Maurice Pate, da Unicef, pela redução da mortalidade infantil. O programa <q>Viva Criança</q>, como era conhecido na época, foi criado pelo estado em 1987, quando o país começava a se recuperar do endividamento e da desigualdade social causados pelo <q>milagre</q> econômico.</p>
<p>Os agentes de saúde, como eram conhecidos na época, não foram uma criação do Ceará. Em 1979 eles já existiam no Maranhão, e após um documento de 1985 da Unicef eles foram adotados em várias cidades brasileiras e em outros países do <q>terceiro mundo</q> (pobres). Mas foi sem dúvida o sucesso do programa no Ceará que impulsionou a criação do <abbr title="Programa Agentes Comunitários de Saúde">PACS</abbr> e do <abbr title="Programa Saúde da Família">PSF</abbr> no Brasil. Dr. Carlyle Lavor, secretário estadual de saúde que criou os agentes de saúde no Ceará, conta como tudo começou:</p>
<blockquote><p>
[...] surgiu uma seca no Ceará e houve a necessidade de empregar as pessoas que estavam sem emprego e passando fome. Então, sugerimos a idéia de empregar mulheres. Sempre nas emergências se empregam os homens, mas há muitas mulheres que não têm marido, que são as donas da casa. Então sugerimos empregar 6 mil mulheres, que era o cálculo que a gente tinha feito de agentes de saúde necessários para o estado. Foram selecionadas 6 mil mulheres dentre aquelas mais pobres do estado, que eram escolhidas por um comitê formado por trabalhadores, igreja, representantes do estado e município. A gente definiu coisas muito simples e que eram muito importantes para a saúde, como conseguir vacinar todos os meninos, achar todas as gestantes e levar para o médico, ensinar a usar o soro oral. Assim, dentro de quatro meses, treinamos 6 mil mulheres sem nenhuma qualificação profissional. E o mais importante é que fossem pessoas que a comunidade reconhecia, mulheres que merecessem o respeito da comunidade. Assim foi o início do trabalho. Cessou o programa de emergência de atendimento à seca que tinha 200 mil trabalhadores. Mas essas mulheres da saúde foram as únicas que continuaram a trabalhar, porque o sucesso foi grande demais.
</p></blockquote>
<p>No mesmo documento encontrei outro relato, de uma agente comunitária de saúde, que ilustra bem outra face da importância da profissão:</p>
<blockquote><p>A gente mora no bairro, próximo a pessoas com quem a gente trabalha, e morando no bairro, a gente conhece mais as pessoas, as pessoas conhecem mais a gente. Quando do começo do treinamento eu falei: eu poderia até não conhecer todas as pessoas, mas com certeza todas me conheciam ali. Então fica mais fácil, porque a gente está mais na intimidade delas, fica mais próximo, fica sabendo mais coisas. A gente é uma ponte entre a unidade de saúde e os moradores. O que diferencia é isto: é que a gente está na rua, então a gente está vendo o que está acontecendo, a gente sabe, e quando a gente não vê, eles nos procuram para falar.</p></blockquote>
<p>As duas falas foram extraídas de num <a href="http://www.ipea.gov.br/pub/td/td_2000/td0735.pdf" title="Roberto Passos Nogueira, Frederico Barbosa da Silva, e Zuleide do Valle Oliveira Ramos. A Vinculação Institucional de um Trabalhador sui Generis — o Agente Comunitário de Saúde. Texto para Discussão nº 735. Rio de Janeiro: IPEA, 2000.">relatório do <abbr title="Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada">IPEA</abbr></a>, de 2000, sobre o vínculo empregatício do agente comunitário de saúde.</p>
<p>O trabalho do ACS não pode ser voluntário, porque exige dedicação demais, e porque as pessoas têm contas para pagar. Aí entrou a questão do vínculo do ACS com o poder público; os servidores públicos têm que ser admitidos por concurso público, e com raras exceções o Estado não pode escolher onde moram seus servidores. A questão foi resolvida com a <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc51.htm">Emenda Constitucional nº 51</a>, e a <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11350.htm">Lei Federal nº 11.350</a>, ambas de 2006, que definiram que o agente comunitário de saúde deveria ser admitido pela própria secretaria municipal de saúde (ou pela <abbr title="Fundação Nacional de Saúde">Funasa</abbr><abbr>), pela </abbr><abbr title="Consolidação das Leis do Trabalho">CLT</abbr> (carteira assinada) ou pelo Regime Jurídico Único (estatutário), e que ao ser selecionado o ACS só precisaria ter ensino fundamental e ser morador da área em que vai trabalhar. Anteriormente era necessário ser morador por 2 anos; no início, com a seleção pela própria comunidade, era necessário já ser uma referência local, mas não era necessário ter ensino fundamental, bastava ser alfabetizado. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/02/08/emenda-constitucional-garante-piso-salarial-para-agentes-comunitarios-de-saude/" rel="bookmark">Emenda constitucional garante piso salarial para agentes comunitários de saúde</a></q>.)</p>
<p>Além da forma de contratação, o próprio trabalho do agente comunitário de saúde se transformou ao longo dessas duas décadas. Cenas como as descritas no início são cada vez mais raras, graças a uma série de políticas sociais. Um <a href="http://unicrio.org.br/unicef-taxas-de-mortalidade-infantil-caem-um-terco-desde-1990/">relatório da Unicef</a> revela que a mortalidade infantil brasileira diminuiu de 46 por mil (em 1990) para 17 por mil (em 2009), e que o número de crianças brasileiras que morrem antes dos 5 anos de idade caiu para 61 mil por ano (em comparação com os 250 mil do relato inicial.). Além disso, a partir da segunda metade da década de 90, o trabalho dos ACS passou a ser desenvolvido em todo o país, mesmo junto às populações com melhor nível socioeconômico. Integrando enfermeiro, médico e ocasionalmente outros profissionais à equipe, o sucesso foi tão grande que o PSF deixou de ser uma <q>cesta básica</q> de saúde para os pobres, e tornou uma política de saúde abrangente, integral, com a missão de reordenar o sistema público de saúde. Hoje em dia o Brasil tem cerca de 240 mil agentes comunitários de saúde, que atendem a mais de 60% da população. Quase todos os municípios brasileiros têm agentes comunitários de saúde — 96,2%, para ser mais exato.</p>
<p>Existem vários fatores que influenciam a efetividade do trabalho de uma equipe de Saúde da Família, como o entrosamento da equipe, e a personalidade e competência técnica de seus profissionais. Mas de uma forma geral é possível afirmar, com toda certeza, que o agente comunitário de saúde continua sendo uma peça chave no Sistema Único de Saúde. Em vez de basear a afirmação apenas na minha experiência profissional (com várias dezenas de agentes comunitários de saúde), faço questão de trazer um <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19305223" title="Frederico Guanais, James Macinko. Primary care and avoidable hospitalizations: evidence from Brazil. Journal of Ambulatory Care Management. Volume 32, número 2, páginas 115 a 122, ano de 2009.">artigo científico</a> que li recentemente para minha dissertação de mestrado.</p>
<p>Frederico Guanais, pesquisador brasileiro do Ministério do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome, se uniu a <a href="http://steinhardt.nyu.edu/profiles/faculty/james_macinko">James Macinko</a>, professor de saúde pública na Universidade de Nova Iorque, para avaliar a efetividade do PACS e do PSF sobre as internações preveníveis. O período analisado foi de 1998 a 2002, ou seja, os 5 primeiros anos após o governo federal ter criado uma verba para incentivar a expansão dos programas. Mesmo descontando a influência de uma série de fatores socioeconômicos e do sistema de saúde, maiores proporções de agentes comunitários de saúde na população se mostraram associadas a menores taxas de internação (entre as mulheres) por condições circulatórias, como o infarto, o derrame, a hipertensão e a insuficiência cardíaca. Os autores do estudo estimam que, em 2002, as taxas de internação hospitalar por condições circulatórias foram 4,3% menores entre as mulheres do que teriam sido sem os agentes comunitários de saúde. A economia foi de dezenas de milhões de reais. Chama a atenção o fato de que justamente as mulheres, que costumam receber as orientações diretamente dos ACS, tenham sido as maiores beneficiadas.</p>
<p>Não conheço nenhum outro país que tenha estendido os agentes comunitários de saúde a uma população tão ampla e tão diversificada assim. Além disso, o <abbr title="Sistema Único de Saúde">SUS</abbr> e sua adoção da estratégia Saúde da Família têm chamado cada vez mais a atenção de outros países. Isso ficou bem claro pela fala dos palestrantes do <a href="http://dab.saude.gov.br/dab/informativo_eletronico/informativos/informativo_eletronico_n10.php" title="Informativo do Ministério da Saúde sobre a realização do evento" class="broken_link">4º Seminário Internacional de Atenção Primária à Saúde</a>, realizado em 2008. A Saúde da Família também foi bem destacada no <cite>The World Health Report 2008</cite> (Relatório da Saúde Mundial 2008), que a Organização Mundial da Saúde dedicou à atenção primária à saúde. Ao que parece, nenhum outro país do mundo tem um sistema de saúde gratuito tão completo e que atinja tantas pessoas quanto no caso do Brasil.</p>
<p>Parabéns, agentes comunitários de saúde!<br />
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</ul>
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		<title>As 10 principais doenças dos idosos no Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Oct 2010 03:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
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		<description><![CDATA[As doenças que mais prejudicam a saúde na terceira idade são o infarto, o derrame (AVC) e o diabetes. <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/06/as-10-principais-doencas-dos-idosos-no-brasil/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1445&#038;id_pagina=1" title="IBGE divulga Indicadores Demográficos e de Saúde">De acordo com o <abbr title="Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística">IBGE</abbr></a>, 3 em cada 4 idosos têm alguma doença crônica, ou seja, uma doença de curso arrastado, boa parte delas incurável. As doenças infecciosas e os acidentes continuam a ser importantes, mas a maior parte da carga de doença da terceira idade no Brasil é por causa das doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes mellitus e as consequências da hipertensão arterial. </p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/55953988@N00/3710950004"><img title="Garapa: realidade brasileira, por Otávio Nogueira. Distribuído sob a licença Licença Creative Commons BY 2.0 genérica. Clique na imagem para ver o original." alt="Fotografia de mulher idosa nordestina" src="http://arquivos.leonardof.med.br/Flickr_3710950004_214x320.jpeg" title="Garapa: realidade brasileira" width="320" height="478" class="aligncenter"/></a></p>
<p>Essas são as 10 doenças que mais prejudicam a saúde dos idosos brasileiros:</p>
<p><span id="more-1503"></span></p>
<ol>
<li><strong>Infarto</strong>, <strong>angina</strong> e seus amigos (11,8%) — A doença cardíaca isquêmica consiste no entupimento (ou, muito raramente, num espasmo) das artérias coronarianas, que levam o sangue ao coração.</li>
<li><strong><abbr title="Acidente vascular cerebral">AVC</abbr></strong> (9,9%) — A doença cerebrovascular consiste não apenas no derrame (AVC), mas também em outras formas menos dramáticas, mas que também prejudicam a autonomia do idoso.</li>
<li><strong>Diabetes mellitus</strong> (5,9%) — Essa doença dispensa apresentação, e já escrevi um bocado sobre ela. Com o envelhecimento da população, espera-se um aumento cada vez maior do número de diabéticos. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/07/05/como-prevenir-o-diabetes-mellitus/" title="Como prevenir o diabetes mellitus" bookmark="bookmark">Como prevenir o diabetes mellitus</a></q>.)</li>
<li><strong>Enfisema pulmonar</strong> e <strong>bronquite crônica</strong> (5,6%) — Já descrevi o <abbr title="doença pulmonar obstrutiva crônica">DPOC</abbr> no artigo sobre <a href="http://leonardof.med.br/2010/09/29/as-10-principais-doencas-da-mulher-brasileira/" rel="bookmark">as 10 principais doenças da mulher brasileira</a>. Espero que ao longo das próximas décadas o problema comece a diminuir, como consequência do combate ao tabagismo.</li>
<li><strong>Mal de Alzheimer</strong> e <strong>outras demências</strong> (4,2%) — Não é normal o idoso ficar <q>gagá</q>. Repito: não é normal. O esquecimento pode ter outras causas além da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dem%C3%AAncia">demência</a>; o mais comum é uma depressão, mas também pode ser uma doença no corpo. (Leia também: <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/06/30/como-saber-se-voce-esta-com-depressao/" rel="bookmark">Como saber se você está com depressão</a></q>.)</li>
<li><strong>Perda de audição</strong> (3,3%) — OK, isso não é bem uma doença, é uma condição crônica. Algumas pessoas realmente perdem a audição com a idade, e o aparelho de audição pode ajudar muito na reintegração dessas pessoas à sociedade. Mas às vezes a coisa é mais simples: ouvido entupido por cera. (Dica: não use cotonete dentro do ouvido!)</li>
<li><strong>Doença cardíaca hipertensiva</strong> (3,3%) — Você reparou que a hipertensão não apareceu até agora? Se fosse só a pressão ficar alta, não haveria problema algum. Mas uma pressão arterial elevada por anos a fio pode causar uma série de doenças; já citamos o infarto e o derrame, mas o próprio músculo do coração pode adoecer, causando a doença cardíaca hipertensiva. Num grau mais avançado, isso vira insuficiência cardíaca, ou seja, <q>coração inchado</q>. (Existem outras causas de insuficiência cardíaca além da doença cardíaca hipertensiva.)</li>
<li><strong>Pneumonia</strong> (2,7%) — Muita gente não sabe, mas a vacina contra a gripe (suína ou comum) também previne pneumonia; esse é um dos motivos dos idosos a receberem. Existem outras vacinas que poderiam ajudar, mas prefiro não discutir hoje se vale a pena ou não tomá-las. Outra forma de prevenir a pneumonia é cuidar de outras doenças, para que a pessoa não fique acamada ou de outra forma debilitada.</li>
<li><strong>Osteoartrose</strong> (2,6%) — Esse é o tipo mais comum de reumatismo; ao contrário do que muita gente acha, não é a mesma coisa que osteoporose. Para saber mais sobre essa diferença, leia o início do artigo <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/03/19/como-prevenir-a-osteoporose/">Como prevenir a osteoporose</a></q>. Daqui a dois dias pretendo <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/19/condroitina-e-glicosamina-nao-funcionam-na-osteoartrose-de-joelho-e-quadril/">escrever</a> sobre uma série de estudos que avaliou um dos medicamentos mais usados contra a osteoartrose.</li>
<li><strong>Catarata</strong> (2,2%) — O olho humano tem uma lente, chamada cristalino, por onde a luz passa para chegar até a retina. Com a idade o cristalino fica cada vez menos transparente, mas o tratamento cirúrgico só deve ser feito se a catarata estiver incomodando a pessoa.</li>
</ol>
<p>Assim como nas listas anteriores, os números entre parênteses representam a participação da doença na carga total de doença dos idosos brasileiros, medida em anos de vida perdidos, com um ajuste para o grau de incapacidade dos doentes que estão vivos, e levando em consideração o número de pessoas afetadas.</p>
<p>A maioria das doenças da lista pode ser prevenida e/ou adiada com um estilo de vida saudável e tratamentos adequados, mas geralmente não é possível evitar completamente a doença, e uma vez que a pessoa tenha, é para sempre. Nesse contexto, é importante privilegiar ações preventivas e de tratamento e recuperação que preservem a autonomia da pessoa idosa, ou seja, que permitam à pessoa continuar desempenhando suas atividades sem depender da ajuda dos outros.<br />
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</ul>
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		<title>Seu aparelho de pressão está calibrado?</title>
		<link>http://leonardof.med.br/2010/10/01/seu-aparelho-de-pressao-esta-calibrado/</link>
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		<pubDate>Fri, 01 Oct 2010 03:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonardo Fontenelle</dc:creator>
				<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
		<category><![CDATA[exame]]></category>
		<category><![CDATA[hipertensão]]></category>

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		<description><![CDATA[Os aparelhos de medir pressão digitais precisam ser calibrados todo mês, e os esfigmomanômetros aneroides, a cada 6 meses. <a href="http://leonardof.med.br/2010/10/01/seu-aparelho-de-pressao-esta-calibrado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os aparelhos de medir pressão arterial (<em>esfigmomanômetros</em>) estão cada vez mais baratos e fáceis de se usar, e a cada dia vejo mais pessoas com um desses em casa. Muitos aparelhos são desnecessários, por isso recomendo a todo o mundo que converse com seu médico antes de comprar um. Se mesmo assim você tiver um aparelho de pressão em casa, é importante saber que ele precisa ser calibrado. Principalmente se for digital, como veremos a seguir.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/File:BloodPressure.jpg"><img alt="Aparelho de pressão digital" src="http://arquivos.leonardof.med.br/WikimediaCommons_BloodPressure_320x261.jpeg" title="Pressão sanguínea. " width="320" height="261" /></a><p class="wp-caption-text">© Julo (domínio público)</p></div>
<p>Dois professores da <abbr title="Universidade de São Paulo">USP</abbr> publicaram em 2000 um <a href="http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/7-4/017.pdf" title="Angela M. G. Pierin, Décio Mion Jr. Como avaliar a calibração dos aparelhos de medida da pressão arterial. Revista Brasileira de Hipertensão, volume 7, número 4, outubro/dezembro de 2000.">artigo científico</a> explicando muito bem como saber se o aparelho está calibrado. Recomendo a leitura a todos os profissionais de saúde, mas para a maioria das pessoas o importante é saber <em>quando</em> o aparelho precisa ser verificado.</p>
<p><span id="more-1427"></span></p>
<p>Os aparelhos de coluna de mercúrio (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/File:Clinical_Mercury_Manometer.jpg" title="Fotografia de um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio">fotografia</a>) são mais simples nesse sentido. Quando eles não estão sendo usados, a coluna de mercúrio precisa ficar no zero. Desde que essa condição seja atendida, não é necessário conferir se o aparelho está calibrado. Por isso, os aparelhos de coluna de mercúrio são usados para conferir se os outros aparelhos estão calibrados. O problema é que o mercúrio é tóxico (se vazar), de forma que esses aparelhos estão sendo cada vez menos usados.</p>
<p>Outro tipo de aparelho de pressão é o chamado <em>aneroide</em>, com o ponteiro (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sphygmomanometer.jpg" title="Esfigmomanômetro aneroide">fotografia</a>). Esse é o tipo mais comum em serviços de saúde, por não conter mercúrio e por ser mais fácil de ser carregado. Não adianta conferir se o ponteiro está no zero quando o aparelho não está sendo usado. De 6 em seis meses, é necessário comparar suas medidas (de 10 em 10 milímetros de mercúrio) com as de um aparelho de coluna de mercúrio, usando um conector em Y. Quase ninguém tem um aparelho de coluna de mercúrio em casa; além disso, se o aparelho estiver descalibrado, será necessário chamar um técnico de qualquer forma.</p>
<p>Chegamos, então, ao aparelho de pressão digital, o preferido da maioria dos pacientes. Ele pode ser muito fácil de se usar, mas geralmente precisa ser calibrado todo mês. Esse intervalo de tempo varia de um modelo para o outro; confira o manual do aparelho. O procedimento para verificar se está calibrado é bem parecido com o do aneroide, mas o conector é um pouco diferente, e é necessário colocar o manguito ao redor de um tubo rígido. Novamente, é necessário chamar um técnico caso o aparelho não esteja calibrado.</p>
<p>Além da calibração do aparelho, existe uma série de cuidados a serem tomados para que a pressão medida realmente seja representativa da pressão arterial da pessoa. Os aparelhos digitais substituem em parte o profissional de saúde, mas alguns cuidados precisam ser tomados pela própria pessoa cuja pressão arterial está sendo medida. Para saber mais, leia o artigo <q><a href="http://leonardof.med.br/2010/05/03/como-medir-a-pressao-arterial/" rel="bookmark">Como medir a pressão arterial</a></q>.<br />
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