Arquivo da tag: medicamento

Interação medicamentosa de chá de hibisco com varfarina

Uma leitora me perguntou:

Será que eu posso toma chá de hibisco, pois tomo marevan 5mg?

Marevan é uma marca de varfarina, um anticoagulante notório por suas interações medicamentosas. Além de ser um dos medicamentos com mais interações medicamentosas, a varfarina é um dos medicamentos cuja segurança e eficácia são mais afetados por essas interações. E mais, essas interações medicamentosas envolvem não apenas outros medicamentos, mas também alimentos e bebidas.

Continue lendo

Anticoncepcionais modernos têm maior risco de trombose

As mulheres brasileiras estão cada vez mais conscientes de que as pílulas anticoncepcionais (contraceptivos hormonais orais) aumentam o risco de trombose venosa profunda, que é quando o sangue “coagula” dentro das veias da pessoa. A gravidade de uma trombose pode ser desde mínima até morte súbita, passando pela possibilidade de deixar sequelas.

Cartela de pílua anticoncepcional sobre teclado de computador.

© anga. Licença CC BY-NC 2.0.

Apesar do aumento no risco de trombose, os anticoncepcionais são considerados medicamentos muito seguros, e podem ser comprados sem receita médica. A trombose venosa profunda (e uma de suas complicações, a embolia pulmonar) é tão rara que, mesmo com o aumento do risco devido ao anticoncepcional, continua sendo uma complicação rara. Além disso, a gravidez aumenta o risco de trombose ainda mais do que a pílula anticoncepcional, e ninguém deixa de engravidar por causa disso.

O que poucas mulheres sabem é que as pílulas anticoncepcionais mais modernas aumentam o risco de trombose ainda mais do que as pílulas mais antigas. Apesar de essa diferença não ser novidade para nós médicos, decidi comentar o assunto mesmo assim, aproveitando a recente publicação de uma pesquisa sobre o assunto.

Continue lendo

Como engolir cápsulas com mais facilidade

Semana passada eu divulguei uma técnica para engolir comprimidos com mais facilidade. Só que aquela técnica não funciona para cápsulas, que são mais leves do que a água. Por isso, o artigo publicado pelos Annals of Family Medicine também avaliou outra técnica, para as pessoas engolirem cápsulas com mais facilidade.

Cápsulas

Cápsulas“, por user:Würfel. Licenciada sob CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Continue lendo

Como engolir comprimidos com mais facilidade

Muitas pessoas têm dificuldade para engolir comprimidos ou cápsulas. Por isso, um grupo de médicos alemães pesquisou qual era a eficácia de duas técnicas para ajudar as pessoas a engolir esses remédios. O resultado foi publicado pelo jornal Annals of Family Medicine, e seu conteúdo integral está disponível de graça.

Como nem todo o mundo sabe inglês, traduzo para vocês hoje as instruções para engolir comprimidos:

Continue lendo

Município de Vitória lança política de saúde para práticas integrativas e complementares

Semana passada, no dia 6 de abril de 2015, a Câmara Municipal de Vitória realizou uma audiência pública sobre a política municipal de práticas integrativas e complementares (PICs), a ser lançada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus). O tema já tinha sido assunto de um Fórum, realizado pela Semus, em novembro de 2013. Além disso, eu mesmo já tinha respondido a uma consulta interna sobre PICs, enquanto trabalhava em Vitória como médico da estratégia Saúde da Família.

Mesmo não sendo entusiasta das PICs, acho louvável a iniciativa de Vitória.

Continue lendo

Medicamentos similares poderão ser comprados com receita de genérico ou de referência

Em seguimento a uma consulta pública lançada no início do ano, a Anvisa publicou uma resolução que autoriza a venda de medicamentos similares quando a pessoa tiver uma receita com o nome do medicamento de referência ou genérico, a partir do dia 1º de janeiro de 2015.

Continue lendo

Como usar adesivos de nicotina para parar de fumar

Muitas pessoas conseguem abandonar o tabagismo seguindo as dicas que reuni no artigo Como parar de fumar. Outras precisam de alguma ajuda. Como nem todo o mundo encontra com facilidade profissionais de saúde que saibam ajudar as pessoas a parar de fumar, trago aqui mais uma dica de como parar de fumar sem ajuda profissional.

A terapia de reposição de nicotina é o uso de medicamentos com nicotina para ajudar a pessoa na transição de fumante para não fumante. Esses medicamentos podem ser comprados sem receita médica. Existem basicamente dois tipos: adesivos e gomas.

Continue lendo

Medicamentos similares serão equiparados aos de referência

Alguns anos atrás expliquei que os medicamentos genéricos eram comprovadamente equivalentes aos de referência, e por isso eram mais confiáveis que os medicamentos similares, ou seja, que os medicamentos de outras marcas. Essa diferença foi introduzida na década de 90, quando o Brasil começou a reconhecer as patentes dos medicamentos.

O que eu não expliquei ainda é que isso está para mudar. Até o fim de 2014, todos os medicamentos similares precisarão ter comprovado serem iguais aos de referência para continuarem a ser fabricados e vendidos.

Continue lendo

Retrospectiva 2011: os artigos mais lidos no Doutor Leonardo

Você que acompanha o Doutor Leonardo deve ter reparado que os artigos se tornaram menos frequentes. É por um bom motivo: além dos compromissos pessoais típicos de fim de ano, a produção científica também está tomando muito do meu tempo, e em janeiro passei a acumular o cargo de professor da Emescam, uma tradicional faculdade de medicina do Espírito Santo.

Em breve voltarei a publicar artigos orginais, mas hoje trago uma lista dos 10 artigos mais lidos pelos visitantes em 2011:

E você, quais foram seus artigos favoritos em 2011? Deixe seu comentário!

Segurança do ibuprofeno e do paracetamol no tratamento de febre em crianças

Qualquer bula de medicamento tem uma lista interminável de efeitos colaterais, especialmente no caso dos remédios mais antigos e conhecidos. Além disso, na maioria das vezes, a bula não autoriza o uso de medicamentos em bebês, que são mais frágeis e por isso costumam ser excluídos de estudos sobre a segurança dos medicamentos. Até mesmo os medicamentos mais usados contra a febre, como paracetamol, ibuprofeno e dipirona, são alvo de controvérsia.

Termômetro de mercúrio.

Pesquisadores da Boston University School of Medicine realizaram, na década de 90, uma experiência com nada menos que 84 mil crianças para conferir a segurança de paracetamol e ibuprofeno em crianças levadas ao médico com um quadro de febre aguda. Mais tarde, os pesquisadores analisaram separadamente as crianças com menos de 2 anos de idade, e chegaram às mesmas conclusões para esse grupo.

Não houve qualquer internação por insuficiência renal (rins pararem de funcionar), anafilaxia (um tipo grave de alergia), ou síndrome de Reye. 4 crianças (0,005%) foram internadas por sangramento digestivo (um tipo de hemorragia interna) de baixa gravidade, mas devido à margem de segurança não foi possível saber se o risco com o ibuprofeno é maior do que com o paracetamol.

Ao todo, 795 crianças (0,9%) foram internadas, principalmente pelas infecções que motivaram o uso do medicamento. 2 crianças (0,02%) morreram: uma por meningite, e outra por acidente de trânsito.

A pesquisa não mediu o risco de efeitos colaterais leves ou moderados. Por outro lado, dá a segurança de que, se algum efeito colateral grave tiver passado desapercebido, será algo realmente raro (menos do que 0,01%). Além disso, o estudo incluiu crianças com todo tipo de causa para episódios de febre, principalmente as que estavam mal o suficiente para procurar seus médicos, e portanto mais suscetíveis a ter alguma complicação.

Uma revisão confirmou que os anti-inflamatórios de uma forma geral (como o ibuprofeno) e o paracetamol são seguros para uso durante poucos dias, desde que seja respeitada a dose correta. As contraindicações são principalmente para pessoas em situações especiais, como doença grave nos rins ou fígado, ou desidratação grave; mas nesses casos a pessoa já deveria estar em acompanhamento médico.

A dúvida fica por conta da dipirona. Os médicos no Brasil têm uma experiência muito grande com esse medicamento, mas existem poucos estudos de grande porte sobre sua segurança e eficácia. A dipirona não é vendida em uma série de países, inclusive nos Estados Unidos e Reino Unido, por causa de uma possível associação com a anemia aplástica, uma doença muito rara e muito grave. Ironicamente, no Brasil e outros países onde a dipirona é permitida, a anemia aplástica é mais rara do que no resto do mundo (por aqui são 1,6 casos anuais para cada 1 milhão de pessoas). Em estudos menores, com dezenas de crianças, a dipirona se mostrou tão eficaz e bem tolerada quanto outros medicamentos para febre, como o paracetamol e o ibuprofeno.

Em suma, o uso de ibuprofeno por poucos dias em crianças é tão seguro quanto o de paracetamol, e o uso de dipirona nas mesmas condições é provavelmente tão seguro quanto. A segurança do uso continuado é outra história; nesse caso é preciso consultar um médico, até para fazer um diagnóstico preciso do que é que esteja causando a febre ou dor.