Arquivo da tag: saúde mental

Filme alemão aborda depressão pós-parto

Eu não sei você, mas eu estava sentindo falta de um pouco mais de variedade no cinema. Em qualquer sala que você frequente, os filmes são praticamente os mesmos. Aqui em Vitória, o único que inovava era o Cine Metrópolis, da UFES, mas agora descobri o Cine Jardins, no bairro Jardim da Penha. E o primeiro filme a que assisti lá foi O Estranho em Mim, um drama sobre a depressão pós-parto. Filmado em 2008 na Alemanha, o filme venceu a Competição de Novos Diretores da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo naquele mesmo ano. (Trailer disponível em alemão ou com legendas em inglês; bonito de se ver mesmo para quem só sabe português.)

Mãe de frente ao espelho, contemplando a si mesma carregando o bebê

O filme tem aquele ritmo cadenciado que se convencionou chamar de cinema de arte. A primeira parte, que vai até o diagnóstico da depressão, não dura muito mais que meia hora. Em vez do filme atingir seu clímax e encerrar poucos minutos depois, começa a segunda parte, sobre o processo de tratamento. Além de se recuperar da depressão, a personagem precisa reconstruir a relação com seu filho e seu marido.

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O efeito do horário de verão na nossa saúde

O horário de verão 2010/2011 começa dia 17 de outubro e termina dia 20 de fevereiro. Felizmente o Brasil passou a ter o período do horário de verão estipulado em lei, sem variar de um ano para o outro, mas suspeito de que muita gente continua não gostando mesmo assim. Por isso, corri atrás dos estudos científicos para saber se realmente o horário de verão faz mal à saúde, como dizem por aí.

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Pedofilia não é tudo a mesma coisa

Longe de mim querer relativizar um problema tão grave de nossa sociedade (e de tantas outras). Mas eu não poderia deixar de mencionar o artigo recente do psiquiatra Daniel de Barros sobre os tipos de pedofilia. A motivação do colega foi um projeto de lei da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), mas acredito que a discussão seja ainda mais relevante para o estado do Espírito Santo, onde o senador Magno Malta (PR-ES) costuma aparecer em propagandas contra a pedofilia.

O problema é que a palavra tem ao menos três usos diferentes que vêm sendo tratados como se fossem intercambiáveis:

  • Um transtorno mental que leva as pessoas a terem desejos eróticos por crianças;
  • O ato de apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito, envolvendo criança ou adolescente (Estatuto da criança e do adolescente); e
  • Ter envolvimento sexual de qualquer natureza com menores de idade.

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Filhos de lésbicas têm desenvolvimento psicológico normal

Agora que a Argentina reconheceu a união entre pessoas do mesmo sexo, muitas pessoas estão questionando quando o Brasil seguirá o exemplo. No meio tempo, os casais homossexuais daqui vão colecionando outros direitos, como o de incluir o companheiro como dependente no plano de saúde e no Imposto de Renda. Além disso, os homossexuais também podem adotar crianças, porque a lei brasileira é explícita quanto à irrelevância do estado civil (ser ou não casado), e a Constituição Federal proíbe a discriminação da pessoa em função de sua orientação sexual.

As pesquisadoras Gartrell e Bos destacam que a homossexualidade deixou de ser considerada doença há mais de 30 anos, mas ainda existe quem questione a legitimidade da criação de um filho (adotivo ou biológico) num lar homossexual. Já foram realizados vários estudos, que não encontraram influência alguma da orientação sexual dos pais no ajustamento psicológico dos filhos. A maioria desses estudos avaliou as famílias pontualmente, sem acompanhá-las ao longo do tempo. Isso traz algumas limitações, e é para responder a elas que as pesquisadoras começaram a acompanhar, em meados da década de 80, lésbicas grávidas ou planejando gravidez por inseminação artificial. O estudo científico publicado recentemente no periódico Pediatrics relata que hoje em dias esses filhos têm 16 a 18 anos de idade, e seu ajustamento psicológico é ainda melhor que a média.

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Bater não educa

O blog Psiquiatria e Sociedade comentou recentemente dois artigos científicos extremamente relevantes à controvérsia que se formou ao redor da lei da palmada. Num deles, a pesquisadora reuniu os resultados de mais de 300 estudos e chegou à conclusão de quais são as consequências positivas (só uma, na verdade), e quais são as consequências negativas das punições corporais (que é o que a lei proíbe). No outro artigo, os pesquisadores reuniram os estudos sobre o impacto das leis contra os castigos físicos em 24 países.

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Como saber se você está com depressão

Todo o mundo fica triste de vez em quando. Acontece algo ruim, ou simplesmente a gente está num mal dia, e de repente tudo parece pior ou sem graça. Isso nos permite reavaliar nossas decisões, economizar nossas energias e até atrair ajuda. Mas em alguns casos a pessoa não se sente capaz de resolver seus problemas, que vão crescendo cada vez mais, realimentando um ciclo vicioso que chamamos de depressão.

Homem idoso lamentando desesperadamente

No Limiar da Eternidade. Pintado por Vincent van Gogh poucos dias antes de cometer suicídio.

A depressão não é pouca coisa. Na verdade, a depressão é a doença que mais tira anos de vida saudáveis dos brasileiros. No caso das mulheres, é ainda pior: 11% de toda a carga de doença é devida à depressão. Essa carga de doença é medida na forma de anos de vida perdidos por morte precoce, com um acréscimo pelo grau de incapacidade das pessoas que sobrevivem com a doença, multiplicando pelo número de pessoas afetadas. (Leia também: Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil.)

Para fins práticos, o critério mais importante para diferenciar a tristeza-normalidade da depressão-doença é a duração. Quando o estado depressivo ultrapassa duas semanas, a chance da pessoa se recuperar sozinha nos próximos dias é cada vez menor. E o mais importante, os tratamentos disponíveis não adiantam para os tristes, mas sim para os deprimidos.

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Como parar de fumar

Dois anos atrás o Brasil já tinha mais ex-fumantes do que fumantes. Mesmo assim, dezenas de milhões de brasileiros ainda são tabagistas, e se continuarem assim terão 10 anos de vida a menos do que se não fumassem. O propósito do Dia Mundial sem Tabaco é ajudar essas pessoas a mudar de situação, e este artigo é minha contribuição nesse sentido.

Homem numa caixa de cigarro

Fonte: INCA (divulgação)

A melhor forma de parar de fumar é buscar ajuda profissional. Os estudos comprovam que a associação de terapia cognitivo-comportamental, terapia de reposição de nicotina e bupropiona (ou outros medicamentos, como nortriptilina, clonidina e vareniclina) aumenta em muito as chances da pessoa conseguir abandonar o cigarro.

Mas nem todo mundo precisa, ou pode, passar por todo esse processo. Por isso, resolvi reunir aqui algumas dicas que podem ser aplicadas por qualquer pessoa.

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10 motivos para fumar

Dia 31 de maio é o Dia Mundial Sem Tabaco 2010, e em sua comemoração o Doutor Leonardo traz uma série de quatro artigos sobre o tabagismo. Hoje em dia todo o mundo sabe que cigarro causa uma série de doenças (leia também: Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do brasileiro), mas mesmo assim o Ministério da Saúde estima que 16% dos brasileiros adultos fumem ativamente (confira o relatório). O artigo de hoje é para os outros 84% dos brasileiros adultos, que não conseguem entender como aquele amigo ou parente consegue fumar mesmo sabendo que cigarro faz mal.

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Como prevenir e controlar a hipertensão arterial

A pressão alta é um dos fatores de risco que mais prejudicam a saúde dos brasileiros. A doença chamada hipertensão arterial só é diagnosticada com a pressão maior que 14 por 9, mas quanto menor a pressão melhor: 10 por 7 é melhor que 12 por 8, que é melhor que 14 por 9. Quem tem hipertensão arterial pode precisar de medicamentos anti-hipertensivos; as orientações a seguir, por outro lado, são válidas para todas as pessoas. Além de prevenirem a hipertensão arterial, estas orientações são capazes de diminuir a necessidade de medicamentos nos hipertensos. Nos casos de hipertensão leve, muitas vezes é possível controlar completamente a pressão arterial sem a necessidade de medicamentos!

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Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil

Este artigo foi atualizado em 2015: “Os 10 maiores fatores de risco para a nossa saúde.”

Semana passada publiquei um artigo sobre os 10 maiores fatores de risco para a saúde das mulheres brasileiras, levando em consideração não apenas o risco individual das pessoas afetadas, mas também o número de mulheres afetadas. Pois bem, dessa vez trago a vocês uma lista semelhante, mas com os principais fatores de risco para a saúde de toda a população brasileira, não apenas das mulheres. (Leia também: Por que os homens morrem mais cedo?.)

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