{"id":1229,"date":"2010-09-10T00:00:23","date_gmt":"2010-09-10T03:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/leonardof.med.br\/?p=1229"},"modified":"2010-09-18T12:45:22","modified_gmt":"2010-09-18T15:45:22","slug":"farmacias-em-unidades-de-saude-tornam-prescricao-mais-efetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/leonardof.med.br\/2010\/09\/10\/farmacias-em-unidades-de-saude-tornam-prescricao-mais-efetiva\/","title":{"rendered":"Farm\u00e1cias em unidades de sa\u00fade tornam prescri\u00e7\u00e3o mais efetiva"},"content":{"rendered":"
Convenhamos, se a pessoa n\u00e3o toma o medicamento, fica dif\u00edcil dele fazer efeito. Mas na vida real \u00e9 isso mesmo que muitas pessoas fazem: elas n\u00e3o usam a medica\u00e7\u00e3o como ela foi prescrita. Eu costumo anotar detalhadamente no prontu\u00e1rio os medicamentos prescritos, mas mesmo assim fa\u00e7o quest\u00e3o de perguntar no retorno como a pessoa est\u00e1 tomando aqueles medicamentos. N\u00e3o adianta, por exemplo, acrescentar um comprimido de metformina para otimizar o tratamento do diabetes mellitus se a pessoa n\u00e3o est\u00e1 usando nem a dose que j\u00e1 foi prescrita.<\/p>\n
\u00a9 Chuck Olsen (BY-NC-SA<\/a>)<\/p><\/div>\n O problema da n\u00e3o ades\u00e3o ao tratamento \u00e9 um velho conhecido dos m\u00e9dicos, mas o Journal of General Internal Medicine<\/cite> trouxe uma informa\u00e7\u00e3o realmente nova: 22% das prescri\u00e7\u00f5es nem chegam \u00e0s farm\u00e1cias.<\/p>\n <\/p>\n De acordo com o doutor Michael Fischer, autor principal do estudo e professor assistente da Escola de Medicina de Harvard<\/span>, os fatores que mais contribuem para a n\u00e3o ades\u00e3o ao tratamento s\u00e3o o pre\u00e7o dos medicamentos, a comunica\u00e7\u00e3o entre m\u00e9dico e paciente, e o trabalho necess\u00e1rio para adquirir o medicamento.<\/p>\n No caso dos pacientes do plano de sa\u00fade Kaiser Permanente<\/a><\/cite> (dos EUA<\/abbr>), por exemplo, apenas 5% dos pacientes deixaram de comprar os medicamentos. Existia um desconto para quem comprasse na farm\u00e1cia do plano de sa\u00fade, mas o mais importante teria sido a facilidade do processo: os pacientes podiam comprar os medicamentos no mesmo lugar em que eram atendidos. (Mais informa\u00e7\u00f5es: artigo cient\u00edfico<\/a>, coment\u00e1rio no New York Times<\/cite><\/a>, e coment\u00e1rio no KevinMD.com<\/cite><\/a>.)<\/p>\n Nesse aspecto (entre outros), as unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade do SUS<\/abbr> se parecem com os ambulat\u00f3rios do Kaiser Permanente<\/cite>, que alguns consideram o melhor plano de sa\u00fade do mundo. Quando eu atendo um paciente, ele consegue obter todos os medicamentos antes de chegar \u00e0 rua. E o melhor, sem tirar um centavo sequer do bolso. (\u00c9 claro que n\u00e3o \u00e9 de gra\u00e7a; o medicamento \u00e9 pago com o dinheiro dos impostos. Mas quanto mais a pessoa precisa de medicamentos, menos ela pode pagar por eles.)<\/p>\n Outro achado interessante da pesquisa \u00e9 que as prescri\u00e7\u00f5es tinham um risco menor de serem deixadas de lado caso tivessem sido prescritas por um m\u00e9dico de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade<\/a> (m\u00e9dico de fam\u00edlia, pediatra ou cl\u00ednico geral). Esses profissionais t\u00eam melhores habilidades de comunica\u00e7\u00e3o com os pacientes, e o v\u00ednculo entre os m\u00e9dicos e os pacientes \u00e9 um motivo a mais para os pacientes acreditarem (com raz\u00e3o) que os medicamentos s\u00e3o realmente importantes.<\/p>\n