{"id":1558,"date":"2010-10-12T00:00:37","date_gmt":"2010-10-12T03:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/leonardof.med.br\/?p=1558"},"modified":"2015-08-07T20:33:57","modified_gmt":"2015-08-07T23:33:57","slug":"as-10-principais-doencas-das-criancas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/leonardof.med.br\/2010\/10\/12\/as-10-principais-doencas-das-criancas-no-brasil\/","title":{"rendered":"As 10 principais doen\u00e7as das crian\u00e7as no Brasil"},"content":{"rendered":"

OK, eu prometo que no pr\u00f3ximo Dia das Crian\u00e7as publico alguma coisa menos m\u00f3rbida. Mas voc\u00eas sabem que ultimamente estou revirando os dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) sobre a carga de doen\u00e7a e a mortalidade de cada pa\u00eds em 2004. Com essas planilhas, e os documentos que as descrevem, \u00e9 poss\u00edvel saber a import\u00e2ncia de cada doen\u00e7a para diversas partes da popula\u00e7\u00e3o brasileira. J\u00e1 listei as doen\u00e7as mais importantes para os homens<\/a> e para as mulheres<\/a>, j\u00e1 listei para os idosos<\/a>, e agora \u00e9 a vez das crian\u00e7as. (Em seguida: adultos.)<\/p>\n

\"Menina<\/a>

\u00a9 D\u00fbrzan c\u00eerano (CC-BY-SA-3.0<\/a>)<\/p><\/div>\n

“Crian\u00e7a”, aqui, significa menores de 15 anos de idade, ou seja, os adolescentes est\u00e3o um pouco inclu\u00eddos tamb\u00e9m.<\/p>\n

<\/p>\n

    \n
  1. Pneumonia<\/strong> (11,5%) \u2014 As infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias inferiores incluem n\u00e3o apenas as pneumonias bacterianas, mas tamb\u00e9m as pneumonias virais, como a bronquiolite.<\/li>\n
  2. Diarreia<\/strong> (10,9%)<\/li>\n
  3. Prematuridade e baixo peso ao nascer<\/strong> (8,6%) \u2014 Nascer antes do tempo (prematuridade) ou com peso baixo para a idade n\u00e3o costumam ser bem diferenciados em pa\u00edses com sistemas de sa\u00fade mal estruturados, da\u00ed a OMS ter agrupado as duas condi\u00e7\u00f5es. Elas predisp\u00f5em o rec\u00e9m-nascido a uma s\u00e9rie de complica\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da morte s\u00fabita.<\/li>\n
  4. Infec\u00e7\u00f5es e outros problemas dos rec\u00e9m-nascidos<\/strong> (6,1%) \u2014 Quando um rec\u00e9m-nascido nasce doente, muitas vezes uma doen\u00e7a leva \u00e0 outra, da\u00ed elas serem contadas em conjunto. Como quase todos os partos do Brasil s\u00e3o feitos numa maternidade, esses beb\u00eas ficam internados at\u00e9 estarem saud\u00e1veis o suficiente para ir para casa.<\/li>\n
  5. Anomalias cong\u00eanitas<\/strong> (5,8%) \u2014 Os defeitos de nascen\u00e7a podem at\u00e9 n\u00e3o ser comuns, mas infelizmente podem ser muito graves. Alguns, inclusive, podem ser prevenidos, como a anencefalia. (Dica: marque uma consulta antes<\/em> de engravidar.)<\/li>\n
  6. Complica\u00e7\u00f5es do parto<\/strong> (5,1%) \u2014 A asfixia (falta de oxig\u00eanio) ou o trauma (acidentes) durante o parto s\u00e3o sempre um risco latente, e \u00e9 por isso que a pessoa precisa de assist\u00eancia obst\u00e9trica de qualidade.<\/li>\n
  7. Asma<\/strong> (4,2%)<\/li>\n
  8. Desnutri\u00e7\u00e3o<\/strong> proteico-cal\u00f3rica (3,7%) \u2014 Existem outros tipos de desnutri\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 nesse tipo que todo o mundo pensa quando se fala em desnutri\u00e7\u00e3o.<\/li>\n
  9. Depress\u00e3o<\/strong> (2,2%) \u2014 Sim, crian\u00e7as e adolescentes tamb\u00e9m podem ter depress\u00e3o. Vale apena lembrar que um dos fatores de risco para depress\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria pessoal de abuso sexual.<\/li>\n
  10. C\u00e1rie<\/strong> (1,7%)<\/li>\n<\/ol>\n

    Como de costume, o n\u00famero entre par\u00eanteses \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o da carga de doen\u00e7a total das crian\u00e7as brasileiras causada por cada doen\u00e7a. A carga de doen\u00e7a \u00e9 medida em anos de vida perdidos por morte precoce, com um acr\u00e9scimo pelo grau de incapacidade dos sobreviventes.<\/p>\n

    Gostaria de citar ainda quatro doen\u00e7as que chegaram perto de entrar na lista: acidentes de tr\u00e2nsito, anemia por falta de ferro, meningite e enxaqueca. Tamb\u00e9m gostaria de explicar a exclus\u00e3o de dois itens: “outros acidentes” e “transtornos end\u00f3crinos”. N\u00e3o s\u00e3o exatamente doen\u00e7as ou outros tipos de problemas; s\u00e3o grupos bem diversificados de problemas. O primeiro inclui todos os acidentes que n\u00e3o tr\u00e2nsito, afogamento, queda, envenenamento ou inc\u00eandio. O outro inclui tanto os mais variados problemas glandulares (como hipotiroidismo cong\u00eanito) quanto todas as doen\u00e7as do sangue exceto anemia ferropriva (por exemplo, anemia falciforme).<\/p>\n

    V\u00e1rias doen\u00e7as listadas j\u00e1 deveriam ter deixado de ser problemas de sa\u00fade p\u00fablica h\u00e1 muito tempo. No caso da pneumonia e da diarreia, por exemplo, com raras exce\u00e7\u00f5es a morte de uma crian\u00e7a significa que ela n\u00e3o recebeu atendimento adequado. No caso de prematuridade, baixo peso e doen\u00e7as t\u00edpicas do rec\u00e9m-nascido, o percentual de mortes preven\u00edveis ainda \u00e9 menor, mas mesmo assim um pr\u00e9-natal e um parto bem feitos fazem muita<\/em> diferen\u00e7a. A asma deixa de ser incapacitante (ou letal) se receber tratamento adequado, e hoje em dia \u00e9 dif\u00edcil uma fam\u00edlia realmente n\u00e3o ter dinheiro para dar comida para uma crian\u00e7a, ent\u00e3o boa parte daquela desnutri\u00e7\u00e3o \u00e9 falta de orienta\u00e7\u00e3o da m\u00e3e (ou ent\u00e3o alguma doen\u00e7a que n\u00e3o foi diagnosticada e tratada).<\/p>\n

    Na verdade, acredito que de 2004 para c\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o tenha melhorado. Confira a conclus\u00e3o de um artigo<\/a> publicado no Boletim da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/cite> de abril deste ano:<\/p>\n

    No Brasil, o desenvolvimento socioecon\u00f4mico associado a pol\u00edticas p\u00fablicas orientadas \u00e0 justi\u00e7a social t\u00eam sido acompanhadas por melhorias n\u00edtidas nas condi\u00e7\u00f5es de vida e um decl\u00ednio substancial na desnutri\u00e7\u00e3o infantil, assim como uma redu\u00e7\u00e3o no hiato do estado nutricional entre as crian\u00e7as mais ricas e as mais pobres. Estudos futuros mostrar\u00e3o se esses ganhos ser\u00e3o mantidos sob a atual crise econ\u00f4mica global.<\/p><\/blockquote>\n

    Uma dessas pol\u00edticas p\u00fablicas orientadas \u00e0 justi\u00e7a social<\/q> \u00e9 a expans\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade atrav\u00e9s da estrat\u00e9gia Sa\u00fade da Fam\u00edlia. Outro dia escrevo mais sobre o papel da Sa\u00fade da Fam\u00edlia na mortalidade infantil<\/a>. Por hora, vamos nos focar na desnutri\u00e7\u00e3o infantil. Al\u00e9m de ser um dos problemas de sa\u00fade mais importantes das crian\u00e7as brasileiras, a desnutri\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m torna a crian\u00e7a mais suscet\u00edvel a morrer por pneumonia e diarreia, que s\u00e3o as duas principais doen\u00e7as das crian\u00e7as brasileiras (ou eram, em 2004).<\/p>\n

    O artigo do Boletim da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/cite> \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o de outro, no qual pesquisadores da USP compararam<\/a> os inqu\u00e9ritos de sa\u00fade do IBGE de 1996 e de 2006\/7, e encontraram uma redu\u00e7\u00e3o de 50% na propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as desnutridas. Em seguida, analisaram os fatores associados a essa redu\u00e7\u00e3o, e chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que o aumento do poder aquisitivo das fam\u00edlias foi respons\u00e1vel por 21,7% da redu\u00e7\u00e3o da desnutri\u00e7\u00e3o infantil; o aumento da escolaridade materna foi respons\u00e1vel por 25,7% da redu\u00e7\u00e3o; as melhorias da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade foram respons\u00e1veis por 11,6%; e o aumento da cobertura por saneamento foi respons\u00e1vel por 4,3% da redu\u00e7\u00e3o da desnutri\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n

    O Brasil ainda tem muito o que melhorar nesses quatro par\u00e2metros, mas acredito que estejamos no caminho certo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"

    Pneumonia e diarreia continuam a ser as doen\u00e7as que mais tiram a sa\u00fade das crian\u00e7as brasileiras.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[108,63,104,107,26,48,56,90,43],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1558"}],"collection":[{"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1558"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4129,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1558\/revisions\/4129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}