{"id":4063,"date":"2015-08-25T11:00:42","date_gmt":"2015-08-25T14:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/leonardof.med.br\/?p=4063"},"modified":"2015-08-24T13:35:45","modified_gmt":"2015-08-24T16:35:45","slug":"anticoncepcionais-modernos-tem-maior-risco-de-trombose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/leonardof.med.br\/2015\/08\/25\/anticoncepcionais-modernos-tem-maior-risco-de-trombose\/","title":{"rendered":"Anticoncepcionais modernos t\u00eam maior risco de trombose"},"content":{"rendered":"
As mulheres brasileiras est\u00e3o cada vez mais conscientes de que as p\u00edlulas anticoncepcionais (contraceptivos hormonais orais) aumentam o risco de trombose venosa profunda<\/strong>, que \u00e9 quando o sangue “coagula” dentro das veias da pessoa. A gravidade de uma trombose pode ser desde m\u00ednima at\u00e9 morte s\u00fabita, passando pela possibilidade de deixar sequelas.<\/p>\n \u00a9 anga. Licen\u00e7a CC BY-NC 2.0.<\/p><\/div>\n Apesar do aumento no risco de trombose, os anticoncepcionais s\u00e3o considerados medicamentos muito seguros<\/strong>, e podem ser comprados sem receita m\u00e9dica. A trombose venosa profunda (e uma de suas complica\u00e7\u00f5es, a embolia pulmonar) \u00e9 t\u00e3o rara que, mesmo com o aumento do risco devido ao anticoncepcional, continua sendo uma complica\u00e7\u00e3o rara. Al\u00e9m disso, a gravidez aumenta o risco de trombose ainda mais do que a p\u00edlula anticoncepcional, e ningu\u00e9m deixa de engravidar por causa disso.<\/p>\n O que poucas mulheres sabem \u00e9 que as p\u00edlulas anticoncepcionais mais modernas aumentam o risco de trombose ainda mais do que as p\u00edlulas mais antigas<\/strong>. Apesar de essa diferen\u00e7a n\u00e3o ser novidade para n\u00f3s m\u00e9dicos, decidi comentar o assunto mesmo assim, aproveitando a recente publica\u00e7\u00e3o de uma pesquisa sobre o assunto.<\/p>\n <\/p>\n Em mar\u00e7o de 2015, pesquisadores brit\u00e2nicos publicaram na revista cient\u00edfica BMJ<\/cite> uma pesquisa medindo de forma mais precisa o quanto cada tipo de anticoncepcional aumenta o risco de trombose<\/a>. Essa pesquisa utilizou o prontu\u00e1rio eletr\u00f4nico de mais de 1300 cl\u00ednicas de m\u00e9dicos de fam\u00edlia e comunidade do Reino Unido, e cruzou seus dados com o banco de dados de atendimentos hospitalares e o registro de mortes daquele pa\u00eds. O per\u00edodo de estudo foram os anos de 2001 a 2009. Foram inclu\u00eddas na pesquisa 10 mil mulheres em idade f\u00e9rtil que tiveram tromboembolia venosa<\/strong> (trombose venosa profunda e\/ou embolia pulmonar), e mais 40 mil mulheres em idade f\u00e9rtil sem trombose para servir de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n Assim como no Brasil, quase 30% das mulheres em idade f\u00e9rtil estavam usando alguma p\u00edlula anticoncepcional, e a composi\u00e7\u00e3o mais comum foi levonorgestrel + etinilestradiol. Essa \u00e9 exatamente a composi\u00e7\u00e3o mais utilizada no SUS; as marcas de refer\u00eancia s\u00e3o Nordette e Level, mas Microvlar \u00e9 outra marca muito conhecida. As outras composi\u00e7\u00f5es estudadas tamb\u00e9m tinham etinilestradiol, mas substitu\u00edam o levonorgestrel por outro princ\u00edpio ativo. Apesar de n\u00e3o ser aprovada para este fim<\/a>, a composi\u00e7\u00e3o de ciproterona + etinilestradiol foi inclu\u00edda nas an\u00e1lises, porque no Reino Unido (como no Brasil) ela \u00e9 frequentemente utilizada como anticoncepcional.<\/p>\n A pesquisa identificou dois grupos de p\u00edlulas anticoncepcionais. As p\u00edlulas mais antigas<\/strong>, que combinam etinilestradiol a levonorgestrel, noretisterona ou norgestimato, aumentavam o risco de trombose em 150%<\/strong>, enquanto aquelas mais modernas<\/strong>, que combinam etinilestradiol a desogestrel, gestodeno, drospirenona ou ciproterona, aumentavam esse risco em 300%<\/strong>.<\/p>\n Podemos colocar esse risco de outra forma. Considerando 10 mil mulheres que usem p\u00edlula anticoncepcional durante um ano, este \u00e9 o n\u00famero de mulheres que teriam trombose por causa da p\u00edlula, sem contar com os casos que j\u00e1 aconteceriam de qualquer forma:<\/p>\n Apesar de ser pequeno (menor do que 0,2% ao ano), o risco varia bastante entre as composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n As implica\u00e7\u00f5es disso variam de uma mulher para outra. No caso das mulheres que est\u00e3o usando p\u00edlulas anticoncepcionais prescritas por m\u00e9dico, n\u00e3o faz muito sentido mudar de imediato. N\u00f3s m\u00e9dicos j\u00e1 sabemos dessas diferen\u00e7as de risco h\u00e1 muito tempo. Se o m\u00e9dico prescreveu mesmo assim uma p\u00edlula mais moderna, ele deve ter tido um bom motivo.<\/p>\n No caso das mulheres que est\u00e3o usando p\u00edlula anticoncepcional por conta pr\u00f3pria, e est\u00e3o bem adaptadas, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio trocar. O risco de trombose \u00e9 maior nos primeiros meses de uso da p\u00edlula, e de qualquer forma \u00e9 bem pequeno.<\/p>\n Mas, no caso das mulheres que querem iniciar um anticoncepcional por conta pr\u00f3pria, a diferen\u00e7a de seguran\u00e7a entre as composi\u00e7\u00f5es deve ser levada em considera\u00e7\u00e3o. Apesar de supostamente as p\u00edlulas anticoncepcionais mais modernas terem menos efeitos colaterais, na pr\u00e1tica isso varia de mulher para mulher. E, no caso deste grave efeito colateral que \u00e9 a trombose, as p\u00edlulas mais antigas s\u00e3o as mais seguras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" As p\u00edlulas contendo levonorgestrel s\u00e3o as mais usadas e as mais seguras.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[124,28,32,57],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4063"}],"collection":[{"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4063"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4063\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4280,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4063\/revisions\/4280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/leonardof.med.br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<\/a>
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