O que você acha mais importante num médico?

Achei interessante essa pergunta, proposta numa enquete da UOL.

A questão não é nova, e já foi respondida através de várias pesquisas científicas, utilizando métodos mais adequados e abordando pessoas que representem melhor a população geral. Mas não me lembro disso ter sido objeto de pesquisa no Brasil — certamente não entre os leitores deste humilde blog.

Portanto, peço a cada um de vocês que comente abaixo, de preferência sem ler as alternativas da enquete. O que é que você mais valoriza num médico?

Medicamentos similares serão equiparados aos de referência

Alguns anos atrás expliquei que os medicamentos genéricos eram comprovadamente equivalentes aos de referência, e por isso eram mais confiáveis que os medicamentos similares, ou seja, que os medicamentos de outras marcas. Essa diferença foi introduzida na década de 90, quando o Brasil começou a reconhecer as patentes dos medicamentos.

O que eu não expliquei ainda é que isso está para mudar. Até o fim de 2014, todos os medicamentos similares precisarão ter comprovado serem iguais aos de referência para continuarem a ser fabricados e vendidos.

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A saúde dos brasileiros está melhorando ano após ano

De vez em quando ouço alguém reclamar que as pessoas estão cada vez mais doentes. Algumas pessoas falam até mesmo em uma epidemia de doenças não transmissíveis! Eu até concordo que as pessoas saudáveis (no sentido em que eu e os leitores usamos a palavra) têm sido transformadas em pacientes, na medida em que a medicina se preocupa com as causas das doenças, as causas das causas, e por aí em diante.

Mas, por outro lado, a expectativa de vida está aumentando década após década. Isso não pode ser tão ruim assim! Mesmo as pessoas que se sentem efetivamente doentes não reclamam de viver alguns anos a mais.

E as pessoas estão permanecendo ativas e sadias por cada vez mais tempo. Algumas décadas atrás uma mulher com 50 anos de idade seria considerada velha, mas hoje uma mulher dessa idade nem ao menos aceita ser chamada de “senhora”.

Taxa de mortalidade por cada doença crônica não transmissível, ajustada por idade, separadamente para homens e mulheres.

Mortalidade por doenças não transmissíveis ajustada por idade (Brasil, 1991-2010)

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Quando fazer atividade física sem passar pelo médico

Nesta sexta-feira estarei em Colatina para a 6ª Jornada Capixaba de Medicina de Família e comunidade. Como nas edições anteriores, ela será realizada dentro do Congresso Médico Estadual da AMES. Desta vez, apresentarei uma palestra sobre a utilização do eletrocardiograma na atenção primária à saúde. Basicamente, vou explicar quando vale a pena pedir esse exame, e quando é que um resultado normal realmente pode deixar a gente tranquilo.

Secretaria de Saúde inaugura mais uma Academia da CidadeAproveito para divulgar aos leitores do Doutor Leonardo um critério para a pessoa saber se precisa ou não passar por avaliação médica antes de começar a praticar exercícios físicos.

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Cirurgia de catarata aumenta risco de quedas em idosos

A catarata e as quedas são alguns dos maiores, e mais frequentes, problemas de saúde entre os idosos. Nós profissionais de saúde costumamos pesquisar a baixa acuidade visual entre os idosos e encaminhar ao oftalmologista, pensando especialmente na prescrição de óculos para a presbiopia (vista cansada) e na cirurgia para os casos mais avançados de catarata.

Mature cataract.

A cirurgia de catarata é uma das intervenções médicas com maior resultado em termos de qualidade de vida: é uma das raras situações em que podemos efetivamente curar a cegueira. Por isso mesmo, acreditava-se que a cirurgia para catarata seria uma ótima forma de se prevenirem as quedas.

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Tratado de medicina de família ganha prêmio Jabuti

Estou meio sumido por causa das atribuições do doutorado, mas esta notícia é rapidinha: o Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática ganhou o 55º Prêmio Jabuti de melhor livro das ciências da saúde.

Divulgação pela editora do Prêmio Jabuti recebido pelo livro Tratado de medicina de família e comnunidade

Eu sou suspeito para falar deste livro, porque sou um de seus vários coautores. Mas eu o leio com frequência, então alguma qualidade ele há de ter… :) A editora deixou um capítulo disponível on line: Princípios da medicina de família e comunidade. Boa leitura!

Antes da publicação do Tratado, o único livro equivalente era o “Duncan”, como ficou apelidado o livro Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências, da mesma editora. Neste ano, o “Duncan” recebeu sua 4ª edição, está maior e melhor, e continua cabendo em um único volume. Eu já comprei o meu ;)

ACMFC tem novo endereço virtual

A Associação Capixaba de Medicina de Família e Comunidade (ACMFC) tem um novo endereço na Internet: http://acmfccapixaba.wordpress.com/. O nome comprido é para diferenciar da outra ACMFC, a catarinense.

Com a adoção dessa nova plataforma eletrônica, utilizada por tantos blogs, espero que as pessoas fiquem sabendo um pouco mais sobre as novidades da ACMFC. Assim como no meu blog, é possível receber as novidades por e-mail. No caso da ACMFC, basta visitar a página, e então clicar no botão “Seguir”, que aparece lá em baixo na direita, ou então preencher o formulário “Seguir blog via e-mail”, na barra lateral. Daí para frente é só seguir as instruções.

Semana que vem espero que a ACMFC divulgue uma boa notícia. Fique atento!

O que é saúde para você?

Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi criada, em 1949, sua constituição recebeu uma avançada definição de saúde. Tão avançada que, até hoje, é criticada por ser inatingível e imensurável. Mesmo assim, algumas características dessa definição foram cruciais. Hoje em dia seria impensável falarmos em saúde apenas em termos biológicos, como se a mente e de alguma forma até a sociedade não estivessem envolvidas nisso.

Além disso, estamos cada vez melhores em encontrar doenças cada vez mais cedo. Se a saúde fosse apenas a ausência de doença, isso faria com que as pessoas estivessem cada vez mais doentes!

Essa questão foi revisitada no começo deste mês pelo médico escocês Richard Smith, que entre outros predicados foi editor por 25 anos de um dos mais prestigiados periódicos médicos do mundo, e tem idade e status suficientes para falar o que bem quiser.

Então eu tive a ideia de que nós poderíamos definir saúde da mesma maneira em que temos definido doença: através de uma série de casos. A resposta à questão pode estar em pequenos detalhes. Talvez possamos criar livros-texto de saúde para fazer frente aos nossos livros-texto de doença: temos milhares de páginas por escrever.

Eu devo começar comigo mesmo. Eu sou saudável. Eu declaro que sou.

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Mais médicos… residentes

O primeiro componente do programa Mais Médicos é a distribuição nacional de médicos, brasileiros e estrangeiros, pelo próprio governo federal. As entidades médicas, entre outras, protestaram contra a não revalidação dos diplomas dos médicos estrangeiros, e contra a falta de vínculo empregatício do programa, que remunera na forma de bolsa, mas o governo seguiu adiante. O número de inscritos só atendeu a 10% do solicitado pelos municípios, mesmo contando com os estrangeiros, e ao menos no Espírito Santo todos esses médicos vão trabalhar na Região Metropolitana de Vitória.

O segundo componente do programa Mais médicos era a extensão do curso de graduação em medicina em 2 anos. Antes de receber o diploma de médico, o estudante seria obrigado a trabalhar em regiões sem médico, com supervisão à distância. Uma enquete do Senado Federal apurou que 85% dos internautas eram contra essa mudança. Recentemente o ministro da educação, Aloizio Mercadante, anunciou que o governo vai mudar de estratégia, dando maior ênfase à residência médica.

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Governo quer obrigar estudantes de medicina a trabalharem onde não há médicos

Mais do que aumentar o número de médicos, o Brasil precisa distribuir melhor os médicos que já tem. E o que o governo federal fez para redistribuir os médicos? Resolveu obrigar os estudantes de medicina a trabalhar dois anos em lugares sem médico antes de receberem a certificação definitiva como médicos.

No Estadão, um colunista chamou a situação de Meio médico, meio escravo. Já a revista Veja consultou três juristas, que foram unânimes em considerar a medida como inconstitucional. Um deles, professor da Escola de Direito da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), comentou:

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