Adoçantes não parecem ser a solução para a obesidade

Refrigerantes e sucos industrializados são bebidas altamente processadas, e via de regra contêm altas doses de açúcares. Uma lata de 350mL dessas bebidas já atinge ou supera a quantidade máxima de açúcar adicionado recomendada para um adulto em um dia inteiro. Uma resposta da indústria alimentícia são as bebidas adoçadas artificialmente, que praticamente não contêm calorias, e assim deveriam ajudar a evitar a obesidade.

Pesquisadores do Brasil, Reino Unido e Estados Unidos publicaram nesta terça-feira, na revista científica PLoS Medicine, um artigo analisando a efetividade das bebidas adoçadas artificialmente no combate à obesidade. Como os próprios autores resumem,

… a evidência disponível não dá suporte direto ao papel das bebidas adoçadas artificialmente na indução do ganho de peso ou em anormalidades metabólicas, mas também não demonstra consistentemente que essas bebidas sejam efetivas na perda de peso ou na prevenção de anormalidades metabólicas. A evidência do impacto dessas bebidas na saúde das crianças é ainda mais limitada e inconclusiva do que nos adultos.

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O Doutor Leonardo está de casa nova! Nestes últimos dias, o blog foi transferido para a seção brasileira de um provedor de hospedagem internacional. Infelizmente, essa transferência exigiu uma mudança na forma como o Doutor Leonardo envia seus artigos novos por e-mail para seus leitores. Em resumo, os leitores que estão recebendo esta mensagem precisam fornecer seu endereço de e-mail novamente visitando esta página.

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Dia do médico de família

No dia 5 de dezembro comemoramos o dia do médico de família e comunidade. Nessa data, há exatos 35 anos, foi fundada a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).

No ano passado aproveitei a data para examinar 2015, mas neste ano já adiantei a retrospectiva. Além disso, já resumi a trajetória da SBMFC, então não vou entrar nesse assunto novamente.

Neste ano, eu gostaria de singelamente sugerir aos meus leitores que parabenizem seus médicos de família pela data. Com certeza, eu vou aproveitar para parabenizar a minha.

Atualização (07/12/2016): Leiam a nota da SBMFC sobre o dia do médico de família e os 35 anos de fundação

Diário de um Posto de Saúde, no YouTube

Sabe quando eu comentei minha participação na 21ª Conferência Mundial de Médicos de Família, no Rio de Janeiro? Além da ausência de patrocínio da indústria farmacêutica, essa edição da Conferência incorporou mais uma característica da edição brasileira: a programação cultural, incluindo mostra de contos, fotografias e vídeos.

Foi na Conferência que conheci o Diário de um Posto de Saúde, um canal do YouTube com vídeos da médica de família Luísa Portugal sobre temas cotidianos da medicina de família e comunidade, com ênfase na atenção primária do SUS. Os vídeos expõem os temas com um tom bem-humorado e de forma didática, graças não só à atuação da apresentadora mas também à edição profissional.

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Interação medicamentosa de chá de hibisco com varfarina

Uma leitora me perguntou:

Será que eu posso toma chá de hibisco, pois tomo marevan 5mg?

Marevan é uma marca de varfarina, um anticoagulante notório por suas interações medicamentosas. Além de ser um dos medicamentos com mais interações medicamentosas, a varfarina é um dos medicamentos cuja segurança e eficácia são mais afetados por essas interações. E mais, essas interações medicamentosas envolvem não apenas outros medicamentos, mas também alimentos e bebidas.

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Existe Saúde da Família sem agente comunitário de saúde?

Uma leitora de longa data pediu que eu comentasse a portaria nº 958/2016 do Ministério da Saúde, que torna opcional a presença de agentes comunitários de saúde nas equipes de Saúde da Família, entre outras mudanças. Acredito que as questões centrais sejam “Qual é o papel dos agentes comunitários de saúde?” e “O que vai acontecer com a estratégia Saúde da Família sem os agentes comunitários de saúde?”.

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UFES abre residência em medicina de família

Ano passado, ao listar os quatro programas de residência médica em medicina de família e comunidade do estado (“A medicina de família no Espírito Santo em 2015“), mencionei que a UFES pretendia abrir seu próprio programa de residência na especialidade. Hoje fui informado pelo professor doutor Thiago Dias Sarti, coordenador do programa, que a UFES foi autorizada a abrir o programa para 3 médicos residentes de primeiro ano.

Como a UFES já selecionou os médicos residentes de seus outros programas, as novas vagas para medicina de família e comunidade foram incluídas no edital de vagas remanescentes para 2016. As inscrições para o processo seletivo serão feitas nos dias 21 e 22 de março. Para mais informações, leiam a página geral da residência médica na UFES.

Repelentes eletrônicos não afastam o mosquito da dengue e da zika

O Brasil tenta há décadas controlar os mosquitos do gênero Aedes, que transmitem os vírus da zika (e dengue, chikungunya), mas o resultado deixa muito a desejar. Por isso, as pessoas têm lançado mão de estratégias individuais, como o uso de repelentes, inclusive os eletrônicos.

Fotografia do mosquito Aedes aegypti pousado sobre pele humana

Aedes aegypti (CDC-Gathany)

Em tese, os repelentes eletrônicos funcionariam emitindo sons que apenas os mosquitos conseguiriam ouvir. O problema dos repelentes eletrônicos é que, infelizmente, eles não funcionam.

Em 1998, a Revista Cubana de Medicina Tropical publicou um artigo de revisão sobre os repelentes eletrônicos, concluindo que eles não funcionavam. Essa revisão incluiu pesquisas que usaram pelo menos nove aparelhos diferentes, contra pelo menos 16 espécies de mosquitos (não só Aedes), em lugares tão variados quanto o Alasca e a África.

Apesar dos avanços tecnológicos dos últimos 18 anos, a eficácia dos repelentes eletrônicos não parece ter aumentado. Em 2010, o Journal of Vector Ecology publicou um artigo de dois pesquisadores brasileiros, relatando que nenhum dos três repelentes eletrônicos testados conseguia afastar o Aedes aegypti. Os repelentes até conseguiram irritar os mosquitos, mas o resultado foi um aumento na frequência de picadas enquanto os repelentes eletrônicos estavam ligados. Os três repelentes eletrônicos estavam comercialmente disponíveis, ou seja, estavam sendo vendidos no Brasil.

Pessoalmente, já experimentei um repelente eletrônico contra outros insetos, com resultados igualmente desapontadores. Felizmente, os repelentes químicos (sejam eles naturais ou sintéticos) funcionam muito bem contra os mosquitos, desde que aplicados conforme as respectivas orientações.

SBMFC recomenda 9 melhorias na Lei dos Mais Médicos

A Lei nº 12.871, mais conhecida como a Lei dos Mais Médicos, aborda não apenas a distribuição de médicos bolsistas para os municípios, mas também uma série de questões relativas à formação dos médicos, tanto na graduação quanto na especialização (residência médica). Como o Congresso Nacional está avaliando projetos de lei que visam  a alterar a Lei dos Mais Médicos, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) emitiu em dezembro do ano passado um posicionamento a esse respeito, com 9 recomendações que dizem respeito à nossa especialidade: Continue lendo