Homeopatia enfrenta oposição no Reino Unido
Recentemente o Pediatra em Casa divulgou uma notícia do Reino Unido, onde o Comitê de Ciência e Tecnologia do Parlamento emitiu um relatório sobre a homeopatia, destacando a postura contraditória do governo, que reconhece a ausência de comprovação científica da eficácia da homeopatia mas continua admitindo-a no sistema público de saúde. A conclusão do relatório é que a homeopatia não deveria ser financiada pelo NHS e a MHRA deveria parar de licenciar produtos homeopáticos. NHS é o Sistema Nacional de Saúde, o SUS do Reino Unido; e MHRA é a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (aqui a Anvisa exerce esse papel, entre outros). O relatório, desde a sua preparação, tem atraído muita atenção e imagino que ocorra uma grande pressão da opinião pública para que as recomendações sejam postas em prática.
Um sintoma disso é o movimento 1023, que exige que a maior rede de farmácias do país deixe de vender produtos homeopáticos. O nome do movimento é uma alusão ao fato de os produtos homeopáticos serem diluídos para um décimo da concentração por 23 vezes consecutivas. Nesse grau de diluição, as pílulas não contêm molécula alguma do princípio ativo. Uma das ações mais interessantes do grupo, para mim, foi divulgar que o farmacêutico superintendente daquela rede de farmácias admitiu que desconhece qualquer compravação de eficácia dos produtos homeopáticos, mas os vende mesmo assim porque algumas pessoas compram. Dia 30 de janeiro, às 10:23, o grupo fez uma demonstração pública no mínimo divertida: mais de 400 pessoas, em 13 cidades diferentes, ingeriram de uma só vez um frasco inteiro de pílulas homeopáticas. Não houve qualquer relato de consequências. (Assista aos vídeos.)
A ciência evoluiu muito desde a criação da homeopatia. E o mais importante, os médicos não escolhem os medicamentos pelo mecanismo de ação, e sim pela comprovação da eficácia. Por isso mesmo, a Organização Mundial da Saúde endossou uma carta aberta contra o uso da homeopatia em doenças sérias como malária, tuberculose, AIDS, influenza e diarreia infantil. Difícil é saber em que situação a homeopatia poderia ser indicada.
