Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil

Semana passada publiquei um artigo sobre os 10 maiores fatores de risco para a saúde das mulheres brasileiras, levando em consideração não apenas o risco individual das pessoas afetadas, mas também o número de mulheres afetadas. Pois bem, dessa vez trago a vocês uma lista semelhante, mas com os principais fatores de risco para a saúde de toda a população brasileira, não apenas das mulheres. (Leia também: Por que os homens morrem mais cedo?.)

  • Uso de álcool: Enquanto o alcoolismo (dependência do álcool) atinge 9% da população adulta brasileira, o conjunto de pessoas usando álcool em excesso, ou em situações impróprias, é imenso. As principais consequências são os transtornos mentais (inclusive depressão), os acidentes de trânsito e a violência. Isso sem mencionar derrame cerebral, infarto e outros problemas circulatórios, e, é claro, a cirrose hepática. (Leia também: Você sabe beber com moderação?.)
  • Sobrepeso e obesidade: Individualmente, é pior ser obeso do que ter sobrepeso, mas o número de pessoas com sobrepeso é maior, então no total as consequências do sobrepeso são ainda maiores que as da obesidade. (Leia também: Como saber se você está acima do peso ideal.)
  • Glicose alta: A pré-diabetes e a diabetes têm como consequência não apenas infarto e derrame, que podem matar na hora, mas também sequelas como amputação, cegueira e necessidade de hemodiálise. (Leia também: Conheça os sintomas do diabetes mellitus.)
  • Pressão alta: Quanto mais alta a pressão arterial, pior. Pressão arterial menor que 12 por 8 não é baixa, é ótima. Assim como no caso da obesidade, as pessoas com pressão arterial menor que 14 por 9 (ponto de corte para o uso de medicamentos) respondem por mais da metade da carga de doença decorrente da pressão alta. (Leia também: Como prevenir e controlar a hipertensão arterial.)
  • Uso do tabaco: As principais consequências do tabagismo (ativo ou passivo) são o câncer (de pulmão e vários outros), o enfisema (associado à bronquite crônica) e doenças circulatórias como o infarto cardíaco. Fazer o paciente parar de fumar é uma das intervenções médicas mais eficientes para preservar a vida saudável do paciente, mesmo levando em consideração que a maioria não consegue parar. (Leia também: Como parar de fumar.)
  • Sexo não seguro: Transar sem camisinha é um dos maiores problemas de saúde pública do Brasil e do mundo. Essa é a principal causa do aumento progessivo dos casos de AIDS no Brasil, que começou entre homossexuais e usuários de drogras injetáveis, mas que hoje é principalmente transmitida por relação sexual entre homem e mulher. Vale lembrar que hoje em dia nem os idosos estão imunes. (Leia também: Como se prevenir contra a AIDS.)
  • Falta de atividade física: O sedentarismo propicia o surgimento de várias doenças, entre as quais o infarto, o derrame cerebral, a diabete, o câncer de intestino grosso e o câncer de mama. Além disso, a atividade física é capaz de evitar algumas doenças específicas da velhice.
  • Falta de aleitamento materno: O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade é capaz de prevenir não apenas infecções respiratórias, diarreia, e alergias, mas também pressão alta, glicose alta, colesterol alto e sobrepeso/obesidade. (Leia também: Conheça os benefícios do aleitamento materno para a saúde da mãe.)
  • Falta de água tratada, esgoto e higiene: Existem inúmeras doenças transmissíveis que poderiam ser eliminadas ou muito diminuídas (dependendo da doença) simplesmente melhorando esse item tão básico. (Leia também: Eleições 2010: como usar seu voto para prevenir a dengue.)
  • Colesterol alto: Apesar de existir colesterol bom e colesterol ruim, a maioria das pesquisas que mostram o impacto do colesterol na saúde das populações usa apenas o valor total. E o colesterol total é como a pressão, quanto maior, pior. E, mais uma vez, mais da metade do estrago do colesterol acontece em quem não tem ele tão alto assim.

As informações são da Organização Mundial de Saúde, em sua última publicação sobre os principais responsáveis pela carga de doença mundial. Essa carga de doença é calculada pela perda de anos de vida saudáveis, levando em consideração o número de pessoas afetadas, a precocidade da morte, e o grau de incapacidade (no caso dos que não morrem da doença). Um problema desse estudo é que a relevância dos fatores de risco foi estimada para grupos de países, não países isolados. Dessa formam os dados que apresento acima não são exatamente brasileiros, mas sim da América Latina. Quando eu publicar a lista das principais doenças, os dados serão exclusivos para o Brasil.

É interessante observar que os fatores de risco estão intimamente associados entre si. A falta de frutas, verduras e legumes na dieta não figura entre os 10 maiores fatores de risco, mas esses alimentos são capazes de combater sobrepeso/obesidade e vários outros fatores listados acima. (Leia também, do vizinho ConsCiência no Dia-a-Dia: Estudo revela quais são as maiores estrelas da dieta mediterrânea.)

Como deixei transparecer em alguns comentários acima, para melhorar os níveis de saúde da população brasileira não basta abordar as pessoas de alto risco, como os obesos ou hipertensos (pessoas com pressão alta). Todas as pessoas podem se beneficiar através da melhoria de quaisquer fatores de risco que tenham, mesmo que estejam em valores intermediários. É aí que entram as propagandas, os impostos sobre álcool e tabaco, a construção de locais públicos para a prática de exercício físico, e por aí em diante.

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