Anvisa regulamenta plantas medicinais

Recentemente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentou o uso de plantas medicinais (drogas vegetais), usadas pela tradição popular para aliviar sintomas e curar doenças. A resolução determina que a fabricação, a importação e a comercialização das plantas medicinais passam a ser controladas pela Anvisa, mas a parte mais interessante é o anexo que lista todas as plantas medicinais reconhecidas, com suas indicações, formas de uso, e efeitos colaterais.

A flor de arnica, por exemplo, pode ser usada como analgésico na forma de compressas 2 a 3 vezes ao dia sobre contusões, torções, fraturas e hematomas. Se a preparação for concentrada demais, pode causar necrose (matar) a pele, e se for usada por mais de 7 dias pode causar alergia. Não deve ser usada em feridas abertas, nem por via oral, porque pode causar desde diarreia até morte.

No vocabulário da Anvisa, as plantas medicinais só são usadas na forma de chá e similares (leia a resolução para mais detalhes), mas cápsulas, tinturas, comprimidos, extratos, xaropes, e outras apresentações são consideradas fitoterapia. Além do grau de processamento, a principal diferença entre as plantas vegetais e os fitoterápicos era que as plantas medicinais eram isentas de registro na Anvisa, o que acabou com a resolução da Anvisa. Outra diferença é que, enquanto todas as plantas medicinais podem ser consumidas sem prescrição médica (ou de outro profissional), alguns fitoterápicos só podem ser vendidos mediante receita médica.

Pouca gente sabe, mas a maioria dos medicamentos comuns são extraídos de plantas, ou derivados de substâncias extraídas de plantas. A diferença é que, nos medicamentos comuns, o princípio ativo foi purificado, e em alguns casos modificado, de forma a aumentar a eficácia e diminuir os efeitos colaterais. Além disso, os medicamentos comuns quase sempre são melhor estudados que os fitoterápicos e as plantas medicinais. Por isso, não vejo motivo algum para dar preferência a um fitoterápico ou planta medicinal quando houver disponibilidade um medicamento comum.

Por outro lado, a tradição popular insiste em certas plantas, dando espaço para muita enganação. As pessoas frequentemente atribuem capacidades inverossímeis às plantas medicinais, e acreditam que as mesmas não apresentam qualquer risco. Nesse sentido, a regulamentação das plantas medicinais (e anteriormente, dos fitoterápicos) é bem vinda, ao usar a ciência para delimitar quais plantas são efetivamente medicinais, e quais são suas propriedades e efeitos colaterais comprovados. Além disso, os cultivadores e comerciantes de plantas medicinais deverão seguir as normas de qualidade da Anvisa, de onde se espera que as pessoas que recorrem às plantas medicinais possam ter mais segurança tanto na identidade quanto no bom estado da planta usada.

5 ideias sobre “Anvisa regulamenta plantas medicinais

  1. Maria de Fatima Silva Ribeiro

    gostaria de ficar recebendo todas sa notícias em relacao a saúde, é um assunto que me interessa muito.

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    1. Maria de Fatima Silva Ribeiro

      gostaria sim de ficar sendo informada de qualquer assunto relacionado a saúde, principalmente sobre artrose, sou portadora de artrosee, nao consigo aceitar.

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  2. Pingback: Plantas medicinais também podem fazer mal à saúde | Doutor Leonardo

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