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Como identificar os sintomas da sinusite

2010 abril 19
por Leonardo Fontenelle

Resfriado, gripe e sinusite são motivos muito comuns de consulta médica, especialmente quando o profissional deixa parte de sua agenda livre para atender urgências. E também é muito comum a pessoa já chegar com um diagnóstico pronto, querendo “só uma assinatura” para fazer uma radiografia ou tomar um antibiótico. Alguns médicos chegam a fazer o que foi pedido mesmo quando sabem que estão fazendo mais mal do que bem, só para se livrar do paciente. Não dá para ensinar os leitores a fazer diagnóstico de certeza dessas doenças, mas vou dar umas dicas sobre quando suspeitar do quê, e quando procurar um médico.

Duração dos sintomas do resfriado

Duração dos sintomas do resfriado

O blog espanhol El Supositorio publicou há poucas semanas um artigo lembrando os leitores de que os sintomas do resfriado não se curam em apenas dois dias. Além de coriza (nariz escorrendo) e tosse, é normal que um resfriado tenha febre e dor de garganta. Além disso, os sintomas ficam piores por volta do 2º, 3º ou 4º dia de doença, e isso não significa uma sinusite (ou uma dor de garganta bacteriana, daquelas que precisa de antibiótico).

A Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia recomenda que só se suspeite de uma sinusite quando os sintomas de [um resfriado] pioram após o 5º dia ou persistem por mais de 10 dias. Nesses casos vale a pena procurar um médico, porque se houver mesmo sinusite, existem tratamentos capazes de acelerar a cura. Os antibióticos, como a amoxicilina e a azitromicina, são muito usados, mas há poucos anos já se sabe que existem outras opções de remédio pelo menos tão eficazes quanto os antibióticos. Levando em consideração que o uso de antibióticos no primeiro ano de vida aumenta o risco de asma, e que boa parte (uns 5%) das pessoas que usa antibióticos tem efeitos adversos como diarreia, vômitos ou dor no estômago, qualquer alternativa aos antibióticos é bem-vinda. (Leia também: Medicamento genérico é melhor que similar.)

Outro campeão de audiência, quando se fala em sinusite, é o famoso raio X. As radiografias ajudam muito pouco no diagnóstico de sinusite: 10% a 27% dos casos têm radiografias normais, e 10% a 80% das pessoas sem sinusite têm radiografia sugestiva de sinusite. Radiografia não causa vômito nem asma, mas é uma causa importante de câncer, então é melhor só pedir quando o exame tiver alguma chance de mudar a conduta médica. (Leia também: Nem sempre é melhor prevenir do que remediar.)

Isso não é um capítulo de livro, e não dá para ficar descrevendo tudo o que a pessoa pode ou deve fazer em caso de resfriado, gripe, sinusite ou outras infecções das vias aéreas superiores. Mas espero que, daqui para frente, os leitores do Doutor Leonardo tenham a mente mais aberta ao procurar um médico (inclusive pediatra!), e tenham uma noção melhor de quando vale a pena procurar uma consulta de urgência. Dependendo da popularidade do assunto, posso complementar com outros artigos — aceito sugestões!

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3 respostas deixe uma →
  1. abril 21, 2010

    Perfeita a postagem. Se todos a lessem, cairia o mito do Raio X de seios da face no pronto-atendimento de pediatria. Sinusite tem diagnóstico eminentemente clínico, vários algorítimos e muitas dúvidas pelos próprios pediatras. Como aliás as IVAS em geral, que devem ter o maior desvio padrão de condutas por médicos de família, pediatras, internistas e afins. Que vão desde o uso de descongestionantes e antitussígenos (proibidos nos EEUU para menores de 2 anos), até o antibiótico “profilático” desnecessário.
    Vale a pena aprofundar estudos na expectativa do paciente para entender porque sempre precisamos de dar uma receita para algo que muitas vezes deveria ser mantido longe do médico, ou pelo menos do pronto-socorro. O ideal seria o médico de controle (ainda existe na saúde suplementar?), com retorno em curto prazo (tem agenda com o volume de atendimento do PSF/SUS?), para reavaliação pelo mesmo profissional visando evitar iatrogenia.

    • abril 21, 2010

      Bom dia, xará. Agradeço a visita e os comentários.

      Tenho para mim que as expectativas que as pessoas têm dos serviços de saúde são fortemente influenciadas pela consistência com que os profissionais agem desta ou daquela forma. Se um profissional costuma chegar no horário, em algum tempo os pacientes começam a chegar no horário para a consulta. Se ele atende rápido, as pessoas começam a achar aquilo natural. (Não é só suposição, é observação.) Acredito que a cultura de se esperar radiografias para sinusite, ou a prescrição irresponsável de sedativos, decorre em grande parte da conduta profissional, presente ou pregressa.

      E aí a gente entra numa discussão que, para você, deve ser bem conhecida. O que é um bom profissional, e como estimular um profissional a trabalhar bem? Na maioria dos pronto-atendimentos em que já trabalhei, um bom profissional é aquele que atende mais pacientes. Não importa se a conduta está errada, ou se o paciente vai voltar daqui a 12 horas porque não confiou no profissional. (Aliás, em hospital particular, se o paciente procurar repetidamente o pronto-atendimento, é até melhor!) E a forma mais rápida e indolor (para o profissional) de se livrar de um paciente é fazer aquilo que o paciente espera, sem informá-lo dos riscos e benefícios como exige o Código de Ética Médica (e o bom senso). Quer um “raio X”? Aqui está. Quer um antibiótico? Claro!

      Eu costumo brincar que falar em “produtividade” em um serviço de saúde é ridículo, que a gente não produz coisa alguma, que na melhor das hipóteses, conserta.

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  1. Nem sempre é melhor prevenir do que remediar | Doutor Leonardo

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