África testa anel vaginal para prevenir transmissão sexual do HIV

A International Partnership for Microbicides anunciou terça-feira que está iniciando um estudo clínico da segurança e eficácia de um anel vaginal que promete diminuir o risco de uma mulher contrair o vírus da AIDS durante uma relação sexual. O anel libera gradualmente um medicamento chamado dapivarina dentro da vagina, da mesma forma que os aneis vaginais mais conhecidos liberam hormônios para evitar a gravidez.

Anel vaginal com dapivirina

© Andrew Loxley/IPM (divulgação)

O anel vaginal usado no [estudo] é feito de silicone flexível, é durável e pode ser facilmente distribuível, tornando-o adequado ao uso em países em desenvolvimento. Cada anel libera gradualmente 25 mg do medicamento antirretroviral dapivirina ao longo de 28 dias, potencialmente proporcionando proteção sustentada contra o HIV. O anel é fabricado pela IPM, que tem uma licença gratuita da dapivirina da Tibotec Pharmaceuticals, uma divisão da Johnson & Johnson.

Naturalmente, anel vaginal não previne a transmissão do HIV pelo sexo oral ou anal. Por outro lado, não depende da colaboração do homem, e nem precisa ser colocado na hora da relação sexual, de forma que talvez seja até mais efetivo (na vida real) que a camisinha. (Leia também: Como se prevenir contra a AIDS.) Vale lembrar ainda que estamos falando de HIV; o anel vaginal não é capaz de prevenir nem sífilis, nem gonorreia ou outras doenças sexualmente transmissíveis.

A AIDS é um dos principais problemas de saúde da África (leia também: Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do brasileiro). Em algumas regiões é mais fácil encontrar alguém com AIDS do que com hipertensão arterial. Se o anel vaginal se mostrar seguro e eficaz na prática, da mesma forma que nas experiências iniciais, isso pode ser uma revolução para a saúde pública de lá. (Claro, isso também depende do preço!)

E não precisa ir tão longe. Imagine sua filha adolescente tendo uma relação sexual com um desconhecido. Nenhum pai gosta da ideia, mas grande parte das adolescentes faz isso, mesmo assim. Ela usa camisinha para se proteger, mas a gente sabe que existe um risco da dita cuja estourar. Nesse caso, o anel vaginal poderia ser uma segunda linha contra o HIV, da mesma forma que o anticoncepcional seria uma segunda linha contra a gravidez indesejada.

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