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Como saber se você está com depressão

2010 junho 30

Todo o mundo fica triste de vez em quando. Acontece algo ruim, ou simplesmente a gente está num mal dia, e de repente tudo parece pior ou sem graça. Isso nos permite reavaliar nossas decisões, economizar nossas energias e até atrair ajuda. Mas em alguns casos a pessoa não se sente capaz de resolver seus problemas, que vão crescendo cada vez mais, realimentando um ciclo vicioso que chamamos de depressão.

Homem idoso lamentando desesperadamente

No Limiar da Eternidade. Pintado por Vincent van Gogh poucos dias antes de cometer suicídio.

A depressão não é pouca coisa. Na verdade, a depressão é a doença que mais tira anos de vida saudáveis dos brasileiros. No caso das mulheres, é ainda pior: 11% de toda a carga de doença é devida à depressão. Essa carga de doença é medida na forma de anos de vida perdidos por morte precoce, com um acréscimo pelo grau de incapacidade das pessoas que sobrevivem com a doença, multiplicando pelo número de pessoas afetadas. (Leia também: Os 10 maiores fatores de risco para a saúde do Brasil.)

Para fins práticos, o critério mais importante para diferenciar a tristeza-normalidade da depressão-doença é a duração. Quando o estado depressivo ultrapassa duas semanas, a chance da pessoa se recuperar sozinha nos próximos dias é cada vez menor. E o mais importante, os tratamentos disponíveis não adiantam para os tristes, mas sim para os deprimidos.

Leia as seguintes perguntas com muita atenção:

  • Nas duas últimas semanas, sentiu-se particularmente triste, desanimado(a), deprimido(a), durante a maior parte do dia, quase todos os dias?
  • Nas duas últimas semanas, teve, quase todo tempo, o sentimento de não ter mais gosto por nada, de ter perdido o interesse e o prazer pelas coisas que lhe agradam habitualmente?

Se você respondeu sim para pelo menos uma das perguntas, é possível que você esteja com depressão. Responder sim às duas dá quase certeza, embora existam outros sintomas a serem avaliados.

Para a maioria dos brasileiros, o primeiro profissional a ser procurado é o médico de família e comunidade. Cabe a ele a avaliação inicial do caso, inclusive para descartar doenças que podem trazer sintomas parecidos, como a anemia ou o hipotiroidismo. Em muitos casos nem é necessário pedir exames, mas não existe uma regra simples para isso. Infelizmente, a maioria dos médicos de família e comunidade no Brasil não tem treinamento em Saúde Mental, de forma que o mais provável é a pessoa ser encaminhada para um psicólogo e/ou um psiquiatra.

É sempre bom lembrar que tanto psicólogo quanto psiquiatra cuidam de loucos, mas também de deprimidos. Na verdade, transtornos de ansiedade e depressão são o arroz com feijão da maioria dos serviços de Saúde Mental.

Para quem tem plano de saúde ou paga diretamente por consultas, o primeiro passo também é procurar um médico de confiança, que já atenda a pessoa regularmente. Se a pessoa não tiver um médico de confiança, é melhor procurar um psiquiatra diretamente, de preferência um que tenha sido recomendado tanto por outro médico quanto por outro paciente.

Existe a possibilidade também da pessoa procurar diretamente um psicólogo. Com certeza o psicólogo vai saber reconhecer se a pessoa tem depressão ou não. E alguns tipos de psicoterapia são pelo menos tão eficazes quanto os medicamentos para os casos leves e moderados de depressão. Enquanto médico, no entanto, não tenho como afirmar qual é a capacidade do psicólogo de suspeitar que a depressão da pessoa tenha uma causa orgânica, ou seja, no corpo. Vladimir e Christiane Melo, o que vocês me dizem disso?

Participe!

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12 respostas deixe uma →
  1. Su Feltmann link permanente
    junho 30, 2010

    Ei Léo…
    Fico feliz por vc ter escrito um artigo sobre saúde mental!!!
    Podemos trocar idéias…
    um beijo…
    ps.: Ando divuldando bastante seu blog!!

    • junho 30, 2010

      Obrigado, Suzana! Há muito tempo eu queria publicar algo na área de Saúde Mental aqui no Doutor Leonardo, e achei que agora seria um bom momento para começar!

  2. Su Feltmann link permanente
    junho 30, 2010

    Digo, divulgando!

  3. junho 30, 2010

    A psicoterapia é tão ou mais importante que o tratamento médico no caso da depressão, pois em alguns casos este transtorno realmente dispensa o uso de medicamento, mas não a psicoterapia. Ao contrário do que muitos afirmam, não há abordagem psicológica mais ou menos recomendada para a depressão; todas, quando bem praticadas, são efetivas.

    De modo geral, quando há um agente externo que motiva a depressão, o prognóstico é melhor; quando interno, o tratamento costuma ser mais longo. Mas nem sempre é fácil estabelecer essa diferença. Além disso, não temos como constatar se a origem da depressão é orgânica.

    É bom sempre pesquisar o histórico de transtornos mentais do paciente e da família dele. A recidiva é comum em muitos casos de depressão, demandando mais atenção do profissional responsável. Frequentemente, os sintomas depressivos estão acompanhados de outras manifestações, como: TDAH, ansiedade, adição, TOC, doenças crônicas etc. Sempre que preciso, o psicólogo encaminha o paciente ao psiquiatra para acompanhamento médico.

    • junho 30, 2010

      Em lugar de agente, acho que seria melhor ter usado conjunto de fatores. E acrescentaria à lista de manifestações a mania, um quadro de euforia que pode surgir em alternância com a depressão, caracterizando o transtorno bipolar.

    • junho 30, 2010

      Obrigado pela colaboração, Vladimir!

    • julho 4, 2010

      Não sei se o DR. Leonardo reparou já que eu seguidamente me coloco contra os Psicologos e Psiquiatras sem muitas explicações, no entanto aqui estou no meio de profissionais da área ao que parece: minha opinião não muda no geral, mas cabe explicar o porque eu me coloco contra: Na maioria das vezes, é possível ensinar ao paciente como se comportar e acompanhá-lo espaçando as consultas até que ele se torne auto-suficiente, e isso não acontece… É o que me deixa mais indignado. Não sou da área mas já livrei pessoas desses “senhores” que em vez de fazerem o que juraram passaram a fazer da profissão um comércio como outro qualquer. É isso que eu contrario sempre e continuarei a fazer.

      • julho 4, 2010

        O tratamento medicamentoso do episódio depressivo maior geralmente pode ser suspenso 6 a 12 meses após a remissão dos sintomas, pois a partir daí o risco do problema retornar (nos próximos meses) é muito baixo.

        A psicanálise é demorada mesmo, mas também existem terapias breves, com 8 a 12 sessões. Deixo para Vladimir Melo discutir os méritos e deméritos de cada abordagem.

      • julho 4, 2010

        Rui Ventura,
        Não sei se você já teve experiência com psicoterapia, mas um psicólogo nunca pode assegurar ao paciente o tempo de tratamento, seja qual for a queixa apresentada. Não temos como antecipar o andamento do tratamento.
        É importante esclarecer que o papel do psicólogo não é ensinar, mas conduzir o paciente através de questionamentos e interpretações a novos caminhos. De todo modo, não entendi bem o motivo da sua insatisfação, talvez você possa fornecer outros detalhes.
        Ainda que você tenha se deparado com profissionais negligentes, não faça disso uma regra. Existem muitos psicólogos competentes, recomendo que procure um deles.

  4. julho 4, 2010

    Caro Doutor Leonardo, apenas e tão somente pela forma como respondeu ao meu comentário é fácil entender que o Senhor não faz parte da “infelizmente maioria” a que me refiro, quanto a acompanhar um dia atuação Sua, isso será um prazer e é só o Senhor me dizer como eu faço para acompanhar que terei o max. prazer em faze-lo.

    Quanto a esta sua postagem, posso publicá-la em meu blog? e se puder posso comentá-la?
    Obrigado pela sua participação.
    Cumprimentos
    Rui

    • julho 4, 2010

      Rui, o conteúdo do Doutor Leonardo é publicado sob uma das licenças da Creative Commons. Para mais informações, leia a seção Direitos autorais da página Sobre, ou a seção correspondente na coluna lateral de qualquer página.

      Naturalmente, isso é para reproduzir todo o artigo; para citar um trecho a título de crítica (positiva ou negativa!) não é necessária autorização do autor. (De acordo com a lei brasileira de direitos autorais.)

      Quanto a acompanhar meu trabalho, era um recurso de retórica :) mas se você quiser mesmo, sou servidor da Prefeitura Municial de Vitória, e trabalho na Unidade de Saúde de Arivaldo Favalessa.

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  1. Bem-vindos, ACS de Vitória! | Doutor Leonardo

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