Bater não educa

O blog Psiquiatria e Sociedade comentou recentemente dois artigos científicos extremamente relevantes à controvérsia que se formou ao redor da lei da palmada. Num deles, a pesquisadora reuniu os resultados de mais de 300 estudos e chegou à conclusão de quais são as consequências positivas (só uma, na verdade), e quais são as consequências negativas das punições corporais (que é o que a lei proíbe). No outro artigo, os pesquisadores reuniram os estudos sobre o impacto das leis contra os castigos físicos em 24 países.

Às vezes eu não sei o que as pessoas querem dizer com mas nem uma palmadinha?. Uma palmadinha, no meu vocabulário, é o que eu dou no ombro de um colega de trabalho, para cumprimentá-lo, ou na minha testa, se eu perceber que fiz alguma besteira. Isso não é crime, nem vai ser.

Mas eu não posso bater num colega de trabalho, nem na minha esposa, nem na minha avó. O Estado tem o monopólio da violência, e mesmo assim não usa punições corporais nem contra criminosos: apenas restrição de liberdade. Por que, então, haveríamos de bater em crianças?

Até porque, como o primeiro estudo mostrou, bater é uma péssima forma de educar.

4 ideias sobre “Bater não educa

  1. Vladimir Melo

    Eu só não gosto da ideia de substituir a educação por leis. Precisamos investir na educação dos pais para que estes eduquem bem os filhos. Não concordo com castigo físico, mas acho que a solução disso passa por outros caminhos.

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    1. Leonardo Fontenelle Autor do post

      Tenho impressão de que a regulamentação da proibição do fumo em locais fechados tenha fortalecido uma cultura contra o tabagismo passivo. Por isso, acredito que a lei da palmada possa contribuir para a mudança da cultura favorável aos castigos corporais. Mas também acho serem necessárias campanhas educativas, tanto para os pais quanto para os filhos, bem como um esclarecimento mais detalhado (e intensivo) para profissionais da saúde, da educação e da justiça (principalmente policiais).

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  2. H.M

    De fato, o assunto é bem polêmico.
    Eu, quando criança, nunca apanhei de meu pai. Mas o medo de apanhar me impediu de cometer muitos erros.
    Um marginal, com medo de ser preso, controla sua índole. Quando há sensação de impunidade (benefícios maiores que os custos),crimes são cometidos.
    Um conversa pode impor limites a uma criança, mas para outras, o medo da punição pode influenciar mais. Tenho vista na Tv, entrevistas com pais esclarecidos, com familias de interessantes condições econômicas. Mas será que a educação não está também sujeita a outros contextos, com o sócio-econômico, que se atacados, poderiam trazer melhores efeitos ?
    A partir da vigência da lei, se algum pai deixar de bater nos filhos será por acreditar nesta forma de educação ou por medo da punição ?

    abraços e obrigado pela visita em meu blog !

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    1. Leonardo Fontenelle Autor do post

      Eu é que agradeço a sua visita!

      Acredito que não precisa existir uma separação maniqueísta entre acreditar na lei e ter medo da punição. Ambos podem favorecer uma alteração do discurso e da prática dos pais, e isso com o passar do tempo pode ser transformado em convicções pessoais. Ou, pelo menos, eu espero.

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