As 10 principais doenças da mulher brasileira (corrigido)

Depois de ter listado as 10 principais doenças do homem brasileiro, eu não poderia deixar de contemplar também as mulheres com um artigo semelhante. Até porque as mulheres procuram os serviços de saúde com mais frequência, além de estarem em contato mais direto com os agentes comunitários de saúde.

Os números entre parênteses são a proporção da carga de doença da mulher brasileira atribuída a cada doença.

  • Depressão (11,2%) — A depressão afeta as mulheres duas vezes mais que os homens, e quando se consideram os dois sexos em conjunto, ela continua sendo a doença que mais causa incapacidade e anos de vida perdidos. Além do episódio depressivo maior, o tipo mais grave de depressão isolada, também estão contados aí outros tipos de depressão, como a distimia e o episódio depressivo menor. (Leia também: Como saber se você está com depressão.)
  • Pneumonia (4,0%) — Os extremos da vida são mais suscetíveis à pneumonia. Em crianças a causa costuma ser um resfriado, mas nos idosos as causas são mais complexas, como por exemplo estar acamado por uma sequela de AVC (derrame).
  • AVC (derrame) (3,9%) — O derrame é a causa mais frequente de morte no Brasil, e também é uma causa muito importante de incapacidade. Nesta lista o AVC aparece “apenas” em terceiro lugar porque costuma acontecer em idades mais avançadas, daí o número de anos de vida saudáveis perdidos não ser tão grande.
  • Condições maternas (3,6%) — Na faculdade, um professor comparou uma vez as mortes maternas aos acidentes de avião. Qualquer queda de avião vira notícia internacional, mas de acordo com a OMS em 2004 morreram cerca de 4 mil mulheres no Brasil por condições maternas, ou seja, uns 20 aviões cheios de mulheres. Isso inclui a eclâmpsia e pré-eclâmpsia (hipertensão na gravidez), os sangramento do útero na gravidez, as infecções do útero na gravidez, as complicações do trabalho de parto, e as complicações do aborto.
  • Infarto, angina e seus amigos (3,6%) — A doença cardíaca isquêmica engloba todos as situações em que o coração não recebe uma quantidade adequada de sangue. O infarto agudo do miocárdio (miocárdio é o músculo do coração) é a segunda causa de morte mais frequente no Brasil, mas as mulheres são menos afetadas que os homens, tanto por fatores hormonais quanto por usarem melhor os serviços de saúde.
  • Diarreia (3,0%) — A contribuição da diarreia para a carga de doença das mulheres é parecida com a dos homens, então não vou repetir o que já escrevi. Próximo ao dia das crianças pretendo escrever uma lista das 10 principais doenças das crianças brasileiras, e aí descreverei os fatores de risco individuais evitáveis ligados à diarreia.
  • DPOC (2,5%) — Quem tem enfisema também costuma ter bronquite crônica, e vice-versa; a associação das duas doenças é conhecida como doença pulmonar obstrutiva crônica, ou DPOC para os íntimos. Estima-se que 85% das mortes por DPOC no mundo sejam causadas pelo tabaco. A segunda maior causa é a poluição doméstica causada por fogões a lenha.
  • Diabetes mellitus (2,9%) — O diabetes é uma doença cada vez mais comum. Apesar da história familiar de diabetes ser um forte fator de risco, ter um peso saudável é uma das melhores formas de se prevenir. (Leia também: Como prevenir o diabetes mellitus.)
  • Asma (2,1%) — Essa doença também dispensa apresentações. Fico indignado com tanto estrago ser causado por uma doença que pode ser tão bem controlada com o tratamento adequado. Essa indignação vale tanto para as mulheres quanto para os homens; a asma e o DPOC são respectivamente a 12ª e a 11ª doenças mais importantes para o sexo masculino no Brasil.
  • Prematuridade e baixo peso ao nascer (2,1%) — Nascer com baixo peso ou antes do tempo aumenta o risco de uma série de complicações, que podem resultar na morte do recém-nascido ou em sequelas graves para a vida toda. É curioso ver que esse problema causa nas meninas uma carga de doença 21% menor que nos meninos. A mortalidade das mulheres é menor que a dos homens em todas as faixas etárias, até mesmo para os recém-nascidos.

Fiquei feliz em saber que o câncer de colo de útero está lá embaixo nas estatísticas. Não que a doença não seja um perigo; ela é. Mas as mulheres brasileiras estão deixando de ser atingidas pelo câncer de colo de útero porque o preventivo (Papanicolaou) está cada vez mais disponível. Na verdade, a maioria das mulheres pode fazer o exame uma vez a cada dois ou três anos, mas isso é assunto para outro artigo. (Aliás, preciso escrever um dia também sobre a rotina de mamografia.)

No Brasil, a carga de doença por pneumonia nas mulheres é até um pouco menor do que a nos homens. Mesmo assim, a pneumonia é a segunda maior causa de anos de vida perdidos e incapacidade nas mulheres, enquanto nos homens é “apenas” a 6ª causa. Isso acontece porque os homens sobrem bem mais que as mulheres com as causas externas, relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. Para mais informações, sugiro os artigos Por que o homens morrem mais cedo?, e Conheça os 10 maiores fatores de risco para a saúde da mulher.

Observação: Corrigi o artigo As 10 principais doenças do homem no Brasil dia 26 de setembro, com a inclusão da diarreia em seu devido lugar na lista, bem como a revisão do cálculo das porcentagens.

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