A osteoartrose, popularmente conhecida como artrite
ou reumatismo
, é uma das doenças que mais prejudicam a saúde dos idosos no Brasil, e afeta tanto homens quanto mulheres. Não existe cura para a osteoartrose, e os únicos medicamentos com eficácia completamente comprovada são os analgésicos (como o paracetamol) e anti-inflamatórios (como o ibuprofeno e tantos outros), que são apenas paliativos. Glicosamina (glucosamina) e condroitina são dois dos medicamentos mais populares para a osteoartrose, devido à promessa de restabelecer a saúde da cartilagem degenerada, mas um estudo recente aumentou em muito o ceticismo dos médicos com relação a esse remédio.
Pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça, coletaram todas as pesquisas clínicas de qualidade realizadas com condroitina, glicosamina ou ambas, e analisaram seus resultados em conjunto para avaliar se havia algum efeito sobre a dor ou sobre as alterações radiográficas. O artigo, publicado esse ano no British Medical Journal, relatou que nenhum dos medicamentos, isolados ou em conjunto, é capaz de trazer algum benefício significativo para os pacientes.
Não é a primeira vez que pesquisadores revisam estudos clínicos com condroitina e glicosamina. Mas esse estudo se destaca mesmo assim. Só foram incluídos na revisão estudos clínicos de boa qualidade e com um número suficientemente grande de pacientes (estudos pequenos tendem a superestimar os efeitos do tratamento). Todas as etapas da revisão foram feitas por dois pesquisadores, para evitar vieses pessoais. E a análise estatística é uma das mais sofisticadas que eu já li.
A glicosamina (principalmente na forma de sulfato de glicosamina) e sua combinação com a condroitina até que se mostraram melhores que o placebo, mas com algumas limitações sérias. Primeiro, o efeito foi tão pequeno que não tem significado prático. Segundo, e mais importante, o resultado da pesquisa clínica depende de quem patrocinou a pesquisa. As pesquisas patrocinadas pelos próprios fabricantes mostraram algum efeito (mesmo que sem significado prático), ao passo que os estudos independentes não mostraram efeito algum.
Não é novidade que o patrocínio do estudo possa interferir em seu resultado. Já discuti o assunto no meu artigo sobre a rosuvastatina (Crestor). Lá indiquei inclusive a leitura do artigo Estudos patrocinados pelos laboratórios têm viés de achados positivos
, do médico de família e comunidade Leonardo Savassi.
Lendo os comentários enviados ao British Medical Journal, achei divertido ver como muitas pessoas defenderam a condroitina e a glicosamina com unhas e dentes, cada uma com um argumento diferente. Um argumento que achei interessante foi que os trabalhos com hidrocloreto de glicosamina deveriam ter sido descartados; somente os trabalhos com a forma de sulfato de glicosamina deveriam ter sido considerados, já que essa forma é mais recomendada. De fato, analisando separadamente as duas formas, o sulfato de glicosamina parece melhor que o placebo, ainda que com um efeito considerado discreto demais; o hidrocloreto não tem efeito algum.
Outro argumento é os autores da revisão de literatura teriam adotado um ponto de corte muito alto para considerar o efeito sobre a dor como clinicamente significativo. De fato, nem os analgésicos e anti-inflamatórios satisfariam aquele critério de eficácia. Adotando um ponto de corte mais conservador, o sulfato de glicosamina talvez até pudesse ser considerado como efetivo. Mas aí volto a lembrar da análise por patrocinador… Nos estudos independentes, tanto condroitina quanto glicosamina não mostraram efeito algum.
Depois de praticamente jogarem uma pá de cal sobre o suposto efeito terapêutico de condroitina e glicosamina, os pesquisadores da Universidade de Berna levantaram a possibilidade de que novos estudos, feitos com pacientes diferentes, encontrem algum efeito. É que os estudos analisados tinham pacientes com alterações radiográficas graves, e manifestações clínicas moderadas. Para esses pacientes, está praticamente comprovado que os medicamentos não funcionam. Mas, e para os outros?
Agora está sendo realizada uma nova pesquisa clínica de condroitina e glicosamina, e seus pacientes teriam alterações radiográficas moderadas e manifestações clínicas mais significativas. Essa pesquisa seria independente, ou seja, não estaria sendo patrocinada por fabricantes dos medicamentos. Os primeiros resultados só deverão estar disponíveis a partir do final do ano que vem.
Enquanto isso, que tal saber como se prevenir da osteoartrose?
Leonardo, o mesmos medicamentos utilizados para osteoartrose também servem para osteoporose? O que você acha do medicamento “Bom Viva”?
Maira, desculpe-me mas não conheço essa marca . Osteoporose e osteoartrose são doenças bem diferentes, com nomes (infelizmente) muito parecidos. No meu artigo sobre como prevenir a osteoporose escrevi um pouco sobre a diferença.
Oi Dr. Leonardo,
Lerei este artigo com cuidado, a informação chegou em boa hora, sou Profissional de Educação Física e tenho um blog sobre Atividade Física e Saúde. Um dos posts mais comentados do meu blog é Condromalácia e Exercício. Geralmente são pessoas desesperadas porque sentem dor, já iniciaram o tratamento e não vêem resultado, muitas relatam o uso de medicamentos a base de condroitina e glicosamina sem sucesso. Bem dizia meu professor de biomecânica, uma vez lesionada a cartilagem, só na outra encarnação!
Contudo ficam algumas percepções:
Apesar de parecer bem claro, para mim, o tratamento recomendado (medicamentos -agora com ressalvas- fisioterapia e fortalecimento muscular – cirurgia em último caso). Na maioria das vezes as pessoas chegam até meu blog porque passaram por mais de um médico e tiveram recomendações bem diferentes, há divergência, ficam na dúvida e tentam encontrar informações para saber que rumo tomar. Não deveria haver mais consenso?
Há pressa por parte das pessoas em obter resultado e voltar as atividades normais. Muita gente relata que faz tratamento há “3 meses” achando que é muito tempo. Há muita gente querendo saber se poderá voltar a correr ou fazer aulas de jump e perguntando em quanto tempo isso irá ocorrer. Me pergunto se na consulta o médico não deixa claro que é um processo degenerativo, que não tem cura (não mata, mas maltrata!), que depende de muitos fatores para que o tratamento tenha sucesso e que os principais são paciência e dedicação.
E agora um questionamento:
Já ouvi alguns relatos de pessoas que usaram medicamentos a base de condroitina e glicosamina e ficaram muito satisfeitas com o resultado. Poderia haver alguma predisposição genética para isso? Será que o bom resultado foi devido à medicação ou à todo o restante do tratamento? Esse resultado positivo poderia ter ligação com o limiar de dor?
Não conhecia seu espaço, passarei aqui com mais calma para dar uma olhada no restante.
Um abraço
Denise Carceroni
Denise, até agora nos estudos com condroitina e glicosamina o aspecto mais importante que determina o sucesso do tratamento é se o estudo foi ou não patrocinado pelo fabricante. É claro que muitos pacientes melhoram com o medicamento, mas isso não significa necessariamente que isso seja mérito do medicamento. A dor é fortemente influenciada pela mente, o simples fato de você confiar no medicamento (e no profissional) faz muita diferença.
O motivo da discordância entre profissionais sobre o tratamento da osteoartrose é muito simples. Os tratamentos disponíveis são mal estudados, e muitas vezes os resultados dos estudos são conflitantes. É uma pena que uma doença tão importante não tenha um tratamento comprovadamente eficaz.
Fico feliz que você tenha gostado, espero receber ainda muitos comentários seus!
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Caro Dr. Leonardo
Li seu artigo (comentario) sobre a condrointina e glicosamina e quero acrescentar que para mim, o medicamento atuou de forma impressionante. Há alguns anos foi dectado um quadro de osteoartrose numa radiografia que fiz para localizar calculos renais. Meu medico orientou procurar um profissional da área para indicar um medicamento. Sempre tomei anti-inflamatorios para atenuar minhas dores na região lombar causada por trabalho mais pesado. Assim, numa crise mais intensa, fiz uso do medicamento (após interromper com os anti-inflamotrios). Foi impressionante o resultado! Por uns 2 meses segui tomando o medicamento Artrolive da Aché. Uma vez melhor (sem qualquer dor ou limitação de movimentos), parei com o medicamento, pois, é muito caro! Nunca mais tive crises lombar o na região da bacia… Tenho sim, dores quando abuso de movimentos com o tronco baixado, nessas situações, retorno aos anti-inflamatorios. Pena o Artrolive ser mto caro, em media R$50,00 por 30 capsulas que duram 10 dias. Um grande abraço! Donizeti Manoel R. Correa
ola! por um acaso acabei de ler sobre a pesquisa publicada e pensei que talvez o senhor possa me esclarecer duvidas a respeito da condromalacia, pois após muitas dores no joelho E, fui submetido a um exame de RNM o resultado foi o seguinte: condromalacia difusa grau 2 e bursite infrapatelar profunda. O meu medico me disse ser uma simples lesão e que não iria atrapalhar no meu trabalho( militar) e que eu deveria fazer reforço muscular e tomar medicamento a base de glicosamina e condroitina, fico meio perdido não sei mais no que acredito, pois a dor e muito forte e fico triste quando vou ao medico e ele nem se quer preocupa faço tratamento a 1 ano e a dor só piora, na 1º RNM tinha apenas sinais de impacto na cartilagem e após 1 ano condromalacia grau 2, pelos “meus” calculos mais 1 ano e estarei no grau 4 e depois artrose com apenas 23 anos de idade e o medico ainda diz que não tem problema eu correr em retas e andar de bicicleta, por favor me de uma resposta sobre isso se puder me mandar estudos a respeito, grato
Diego, não tenho como fazer consulta médica através do blog.
gostei muito do que li mas, qual o medicamento eficaz para artrose no quadri
Hilder, eu prefiro não falar no Doutor Leonardo de medicamentos vendidos apenas sob prescrição médica.
Eu tenho esporao calcaneo nos dois pes a dois anos e recentemente descobri que tenho artrose nos dois joelhos o medico começou o tratamento com condroitina e glicosamina isso pode ajudar no esporao ou e so para artrose
Pra mimei resultado e bom! NÃo tenho mais dor e posso inclusive me ajoelhar. Tem que fazer o tratamento direitinho
Caro Dr. Leonardo,
Sofre há cerca de 9 anos de uma tendinite crónica e também me tenho visto aflita com a ciática.Os anti-inflamatórios não têm dado nenhuns resultados.
Uma vizinha sofreu também de uma tendinite e em fisioterapia foi-lhe recomendado que tomasse o Ossin 500. a senhora recuperou completamente o movimento do braço, fazendo 3 tratamentos de 3 meses cada por ano.
Não quis seguir o exemplo, por não acreditar. Contudo, atingi uma fase de desespero, em que a casa se transformou um objecto de tortura. O ombro produzia estalos ao menor movimento, a dor começou a descer até à mão e a mão incha.
Há menos de um mês decidi experimentar. Vi que não havia interacções com outros medicamentos (pelo menos conhecidas) e comecei a tomar dois por dia, há mais ou menos 3 semanas.
O resultado está a deixar-me espantada: a dor na perna (ciática) praticamente desapareceu, os estalos no ombro desapareceram também, e a dor no braço diminuiu imenso, a ponto de me permitir dormir algumas horas (só conseguia dormir um pouco no sofá, apoiando o ombro contra o espaldar).
Dado que eu não acreditava no efeito, não pode ser uma acção tipo “placebo”. Ou seja, o Ossin 500 está a produzir efeitos que nenhum anti-inflamatório havia conseguido. Vou continuar o tratamento e acho que devia ser feitos mais estudos sobre a acção da condroitina, pois não é verdade que o seu efeito seja negligenciável.
Dr.Leonardo
Será que já sairam os tais novos resultados que refere no final deste seu artigo “Agora está sendo realizada uma nova pesquisa clínica de condroitina e glicosamina, e seus pacientes teriam alterações radiográficas moderadas e manifestações clínicas mais significativas. Essa pesquisa seria independente, ou seja, não estaria sendo patrocinada por fabricantes dos medicamentos. Os primeiros resultados só deverão estar disponíveis a partir do final do ano que vem.”
Grata pela atenção
Bom dia Dr. Leonardo
Estou com 38 anos e apareceu umas dores lombares, fiz uma resonancia e constatou ernia de disco.
gostaria de saber sobre esses medicamentos se possível.
glicosamina 1,5 g
condritina 1,2 g
colágeno 750 mg
diacireina 50 mg
Emfim esta uma formula fora os outros medicamentos como: Lyrica 750 mg
Estou muito na duvida sobre este medicamento.
desde já muito obrigado.
PrezadoDr.Leonardo , estava navegando pela web em busca de depoimentos sobre o tal artrolive. Cerca de 3 semanas estou tomando o dito medicamento e fui atacada por fortissimas dores em ambas as mãos. Como era o ´único medicamento novo que ingeria, suspendi por 2 dias e, como por encanto as dores sumiram. Creio que tenho alguma sensibilidade aos princípios ativos do medicamento.
Gostaria de saber sua opinião sobre o artrodar , medicamento que me foi dado em substituição ao artolive. Tomei conhecimento do um outro medicamento, o Protos.
Agradeceria ouvi-lo a respeito.
Flávia