Ter uma saúde perfeita não é normal

Quase 2 mil norte-americanos de meia-idade responderam a um questionário sobre o quão saudável era seu estilo de vida. O resultado é ainda pior do que se esperava: apenas um, dos 1933 entrevistados, apresentava os 7 componentes de uma vida saudável do ponto de vista cardiovascular (cardíaco e circulatório). Em média, os brancos tinham 2,6 componentes do estilo de vida saudável, enquanto os negros estavam ainda pior, com uma média de apenas 2,0 componentes.

Radiografia de tórax, com o espaço dos pulmões em vermelho.

A pesquisa é melhor entendida no contexto do projeto da American Heart Association: Até 2020, melhorar a saúde cardiovascular de todos os [norte-]americanos em 20%, reduzindo em 20% as mortes cardiovasculares e por derrame. Para fins desse projeto, a saúde cardiovascular (do coração e da circulação) é medida através do cumprimento dos 7 critérios a seguir:

A pesquisa traz um resultado muito claro: por esses critérios, quase ninguém é perfeitamente saudável. E agora?

Você sempre pode entender isso como um recado para faltar ao trabalho e ir ao médico, fazer uma bateria de exames, e começar a tomar uma série de remédios para tentar ficar saudável de novo. Se você não for muito chegado em médico, pode começar a ter uma alimentação saudável, ser fisicamente ativo, e não fumar — com um pouco de sorte, o resto é consequência.

Essa não é uma abordagem de todo errada, mas tem uma série de limitações:

  • Mudar a alimentação é muito difícil. A maioria das pessoas volta a ganhar peso 3 a 12 meses depois de ter começado a dieta, reeducação alimentar ou como quer que você chame isso.
  • Ter uma pressão arterial menor que 12 por 8 é melhor do que ter a pressão menor que 14 por 9. Mas, quando a pessoa já tem hipertensão arterial, ou seja, sua pressão é maior que 14 por 9, existe um bocado de controvérsia sobre o quanto sua pressão arterial precisa ser diminuída.
  • Ainda não se tem certeza se o controle do pré-diabetes(glicemia de jejum entre 100 ou 125) reduz o risco cardiovascular.

Você e seu médico têm uma importância enorme para a sua saúde, mas não é só isso. Algumas coisas precisam ser resolvidas em nível coletivo para os efeitos surgirem em nível individual. Por exemplo, você ainda precisa reduzir o sal da sua comida, mas a diminuição do sal nos alimentos industrializados ajuda muito, até para o seu paladar começar a se acostumar com comida menos salgada. O resultado é que a pressão arterial de todo o mundo diminui; as pessoas de baixo risco ficam com o risco ainda menor, e as pessoas de alto risco acabam escapando de precisar tomar um punhado de comprimidos no café da manhã. O mesmo tipo de raciocínio se aplica para outros componentes do estilo de vida saudável.

Mas eu acredito que a maior lição dessa pesquisa é para nós, médicos. A pessoa completamente saudável é quase um mito. A maioria das pessoas está no meio caminho. Ao invés de tratar os fatores de risco como se fossem doenças, tentando extirpá-los um a um, nossa missão é ajudar as pessoas a caminhar no sentido de uma vida mais saudável, levando suas prioridades sempre em consideração.

2 ideias sobre “Ter uma saúde perfeita não é normal

  1. leandro

    Eu descobri que estava com a minha pressão em 18 por 12 no dia em que fui trocar minha carteira. Até aí minha vida era normal: comia de tudo e de repente vejo que aos 54 anos as coisas mudaram totalmente. Estou tentando me alimentar totalmente sem sal e fazendo caminhadas. Pretendo exercitar mais com musculação e tentar tirar o stress da minha vida diária eliminando atitudes e procurando passar mais tempo com minha esposa e filha, passeando e vivendo mais junto à natureza. Talvez até mudo para o interior, uma cidadezinha pequena e pacata…

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  2. Pingback: Os 10 maiores fatores de risco para a nossa saúde | Doutor Leonardo

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