Adeus, Sócrates

Confesso que não me lembro de Sócrates jogando. De certa forma, isso faz dele um jogador ainda maior, já que só o conheço como lenda. Mas acompanhei nos últimos anos sua coluna, interessantíssima, na revista CartaCapital, e fiquei feliz em saber que Sócrates se formou médico na USP de Ribeirão Preto, onde fiz residência médica e mestrado. A Wikipédia tem uma foto do Sócrates participando de uma manifestação pelas Diretas Já, em frente a um hotel da cidade, hoje desativado; lembro-me muito bem do teatro e da choperia que ficam ao lado, bem como da praça em frente.

Outra surpresa, essa já mais desagradável, foi quando fiquei sabendo de sua internação em agosto. Já dava para saber que Sócrates estava na marca do pênalti, com o perdão do trocadilho. Depois de sua alta hospitalar, ele deu uma entrevista em que ficou clara a sua preocupação didática. Ele tinha consumido bebidas alcoólicas em excesso durante muito tempo, e não queria que outras pessoas seguissem seus passos.

Sócrates foi um atleta de ponta, médico e artista. Tinha suas finanças em dia, e gostava mais de cerveja do que de cachaça. Bem diferente da imagem que as pessoas fazem de um “alcoólatra”. Imagine então a dificuldade que as pessoas têm em identificar o consumo potencialmente nocivo, que é quando a pessoa está bebendo em excesso mas ainda não sofreu consequências negativas. Esse é o momento ideal para a prevenção, e é por isso que escrevi no começo do ano o artigo Você sabe beber com moderação?.

2 ideias sobre “Adeus, Sócrates

  1. Enrico Nicoletto

    Acredito que o Sócrates mesmo em sua morte passou uma mensagem que devemos refletir.

    Coloquei uma foto da Copa de 82 na minha apresentação de ante-projeto de TCC.

    Parabéns pelo artigo, Leonardo.

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