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A relação reversa entre atividade física e demência

A falta de atividade física é um dos principais fatores de risco para a saúde no Brasil, assim como no resto do mundo. A importância da atividade física é devida principalmente a sua relação com doenças cardiovasculares e câncer; sua relação com a demência é mais controvérsia. Estudos observacionais indicam que as pessoas com baixos níveis de atividade física têm maior risco de receberem o diagnóstico de demência nos anos seguintes; mas estudos de intervenção não têm comprovado o suposto efeito protetor da atividade física sobre a demência.

A revista The BMJ publicou recentemente um estudo europeu sobre a relação entre demência e atividade física, com base na coorte Whitehall II. Essa coorte é uma pesquisa que incluiu mais de 10 mil servidores públicos britânicos com 35 a 55 anos de idade na década de 80, e os tem acompanhado desde então. Ao longo de um acompanhamento que durou em média 27 anos, essas pessoas foram avaliadas várias vezes com relação ao nível de atividade física e ao funcionamento da mente, entre outras características relevantes. O diagnóstico de demência foi obtido a partir do sistema de saúde público da Inglaterra, que é usado até por quem tem plano de saúde para o tratamento de problemas de saúde clínicos e/ou crônicos.

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Vila Velha dispensa laudo médico para vacinar idosos contra febre amarela

De acordo com o portal de notícias G1, o município de Vila Velha decidiu que idosos sem laudo médico poderão ser vacinados contra a febre amarela. A médica Márcia Andriolo, assessora especial do secretário municipal de saúde, teria informado que o procedimento atendia às normas do Programa Nacional de Imunização (PNI). Antes de serem vacinados, idosos sem laudo precisariam responder a uma série de questões, e caso não apresentem contra-indicações absolutas nem outras contraindicações relativas (além da idade, que é uma relativa), poderiam receber a vacina desde que concordassem com o risco de eventos adversos graves.

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Cirurgia de catarata aumenta risco de quedas em idosos

A catarata e as quedas são alguns dos maiores, e mais frequentes, problemas de saúde entre os idosos. Nós profissionais de saúde costumamos pesquisar a baixa acuidade visual entre os idosos e encaminhar ao oftalmologista, pensando especialmente na prescrição de óculos para a presbiopia (vista cansada) e na cirurgia para os casos mais avançados de catarata.

Mature cataract.

A cirurgia de catarata é uma das intervenções médicas com maior resultado em termos de qualidade de vida: é uma das raras situações em que podemos efetivamente curar a cegueira. Por isso mesmo, acreditava-se que a cirurgia para catarata seria uma ótima forma de se prevenirem as quedas.

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Retrospectiva 2011: os artigos mais lidos no Doutor Leonardo

Você que acompanha o Doutor Leonardo deve ter reparado que os artigos se tornaram menos frequentes. É por um bom motivo: além dos compromissos pessoais típicos de fim de ano, a produção científica também está tomando muito do meu tempo, e em janeiro passei a acumular o cargo de professor da Emescam, uma tradicional faculdade de medicina do Espírito Santo.

Em breve voltarei a publicar artigos orginais, mas hoje trago uma lista dos 10 artigos mais lidos pelos visitantes em 2011:

E você, quais foram seus artigos favoritos em 2011? Deixe seu comentário!

Suplementos com cálcio parecem causar infarto

O British Medical Journal publicou, em 2010 e 2011, dois estudos que revisaram o efeito dos suplementos de cálcio, com ou sem vitamina D, sobre o risco de infarto agudo do miocárdio e AVC (derrame). Foram incluídas 9 pesquisas, com mais de 28 mil homens e mulheres de meia-idade e idosos; o risco de infarto se mostrou 24% maior entre as pessoas que tomavam suplementos com cálcio.

Pó de carbonato de cálcio sobre um prato transparente, sobre um fundo negro.

No primeiro estudo, que abordou apenas os suplementos de cálcio sem vitamina D, foi possível ainda analisar a influência do cálcio da alimentação. As pessoas cuja alimentação continha mais de 800mg de cálcio por dia tiveram um aumento de 85% em seu risco de infarto com o uso dos suplementos; já as pessoas com dieta pobre em cálcio podiam usar os suplementos sem risco adicional. Essa diferença é ainda mais importante ao considerarmos que uma alimentação com 800mg de cálcio por dia é o suficiente para minimizar fraturas de osteoporose. Com uma ingestão diária maior do que 800mg, o risco de fratura continua o mesmo, e talvez até aumente.

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Prevenção de fratura por osteoporose: bastam 800mg de cálcio por dia

Pesquisadores da Suécia seguiram mais de 60 mil mulheres durante 19 anos, e avaliaram a relação entre o consumo de cálcio nos alimentos (poucas mulheres usavam suplementos de cálcio e/ou vitamina D) e o risco de fratura ou osteoporose. A conclusão, publicada este ano no British Medical Journal, é que as mulheres de meia-idade que ingerem cálcio acima da média apresentam um risco de osteoporose e fratura igual (ou maior) ao das com uma ingestão média.

Gráfico do risco ajustado de fratura osteoporótica de quadril, em função da ingestão diária de cálcio, usando 800mg como referência.

Mulheres que ingeriam menos de 750 mg de cálcio por dia tiveram um risco 32% maior de sofrer uma ou mais fraturas de quadril, e um risco 47% maior de desenvolver osteoporose. Essas eram as mulheres para as quais um consumo adequado de vitamina D também diminuía o risco de fratura.

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Finasterida aumenta risco de câncer de próstata

O FDA, agência americana mais ou menos equivalente à Anvisa, alertou os médicos para um aumento no risco de diagnóstico de câncer de próstata agressivo (de alto grau) em homens que usem finasterida, dutasterida e outros medicamentos do grupo dos inibidores da 5α-redutase. Esses medicamentos são usados para combater dois problemas muito comuns entre homens: a calvície (alopecia androgênica) e o crescimento anormal da próstata sem câncer (hiperplasia prostática benigna).

Tudo começou com o Prostate Cancer Prevention Trial, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos para avaliar a hipótese de que a finasterida preveniria o câncer de próstata. De fato, os homens que usaram finasterida tiveram menos casos de câncer de próstata: 18,4%, contra 24,4% entre os que usaram placebo.

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Efeito da glicosamina sobre o diabetes mellitus tipo 2

A glicosamina é um medicamento muito usado no tratamento da osteoartrose de joelhos, ainda que sua eficácia seja controversa. Repare que a osteoartrose atinge principalmente as pessoas idosas e/ou obesas, justamente aquelas com maior risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2. Para piorar a situação, estudos com animais e depois com humanos mostraram que a glicosamina aumenta a resistência à insulina, que é justamente o mecanismo de base do diabetes mellitus tipo 2!

Molécula de glicosamina

A revista científica Diabetes: metabolism research and reviews publicou em janeiro deste ano uma revisão de literatura envolvendo todo tipo de estudo sobre a relação entre a glicosamina e o diabetes — desde estudos in vitro (em tubos de ensaio, por assim dizer) até estudos clínicos de grande porte com humanos. Em resumo, a glicosamina interfere, sim, no metabolismo da glicose, mas apenas em doses muito superiores àquelas usadas para o tratamento da osteoartrose.

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Exercícios físicos previnem quedas em idosos

Há muito tempo se acredita que os exercícios físicos sejam capazes de melhorar a qualidade de vida na terceira idade. Mais especificamente, recomenda-se que os idosos pratiquem tanto exercícios aeróbicos (caminhada) quanto treinamento de equilíbrio e exercícios de força e resistência (musculação).

Casal de idosos andando de bicicleta numa área rural.

Pesquisadores australianos resolveram verificar até que ponto esse consenso encontra respaldo nas evidências científicas, e descobriram uma série de estudos clínicos confirmando que exercícios físicos multimodais são capazes de prevenir quedas em idosos. Além disso, existe alguma evidência também de efeito sobre a qualidade de vida, capacidade funcional (autonomia), e aptidão física.

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Quando parar de fazer mamografia

Chega uma época na vida da pessoa em que os exames de rotina precisam ser repensados. Assim como muitos idosos não vêm benefício em adotar um estilo de vida mais saudável (por exemplo comendo mais salada), a rotina de mamografia precisa ser rediscutida com a pessoa quando ela atinge os 70 anos de idade.

O documento da Femama que citei há duas semanas não aborda a questão de quando (ou se) parar de fazer mamografia a partir de alguma idade; e o Inca não faz recomendações para as mulheres com 70 anos ou mais de idade.

Não existem dúvidas de que a mamografia continua sendo efetiva na detecção precoce do câncer de mama depois dos 70 anos. Na verdade, quando mais idosa a mulher, melhor a mamografia, pois fica mais fácil identificar calcificações anormais e pequenos nódulos. O problema é que, depois de uma certa idade, aumenta muito a chance do exame detectar um câncer que não traria qualquer consequência para a mulher.

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