Arquivo da tag: Saúde da Família

A estratégia Saúde da Família (ESF), antigamente chamada Programa Saúde da Família (PSF), é a principal forma de atenção primária à saúde no Brasil. Também é o principal campo de atuação dos médicos de família e comunidade.

UFES abre residência em medicina de família

Ano passado, ao listar os quatro programas de residência médica em medicina de família e comunidade do estado (“A medicina de família no Espírito Santo em 2015“), mencionei que a UFES pretendia abrir seu próprio programa de residência na especialidade. Hoje fui informado pelo professor doutor Thiago Dias Sarti, coordenador do programa, que a UFES foi autorizada a abrir o programa para 3 médicos residentes de primeiro ano.

Como a UFES já selecionou os médicos residentes de seus outros programas, as novas vagas para medicina de família e comunidade foram incluídas no edital de vagas remanescentes para 2016. As inscrições para o processo seletivo serão feitas nos dias 21 e 22 de março. Para mais informações, leiam a página geral da residência médica na UFES.

SBMFC recomenda 9 melhorias na Lei dos Mais Médicos

A Lei nº 12.871, mais conhecida como a Lei dos Mais Médicos, aborda não apenas a distribuição de médicos bolsistas para os municípios, mas também uma série de questões relativas à formação dos médicos, tanto na graduação quanto na especialização (residência médica). Como o Congresso Nacional está avaliando projetos de lei que visam  a alterar a Lei dos Mais Médicos, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) emitiu em dezembro do ano passado um posicionamento a esse respeito, com 9 recomendações que dizem respeito à nossa especialidade: Continue lendo

A medicina de família no Espírito Santo em 2015

No Brasil, o dia  do médico de família e comunidade é comemorado no dia 5 de dezembro, em referência ao dia de fundação da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) em 1981.  A Associação Capixaba de Medicina de Família e Comunidade (ACMFC) já publicou uma matéria comemorativa, cuja leitura recomendo.

#diadomfc 05/12 - Dia do Médico de Família e Comunidade Parabéns a todos os Médicos de Família e Comunidade, por cuidarem da população da forma mais justa e com todo o respeito que merece.

© SBMFC (divulgação)

Da minha parte, aproveito para comentar algumas notícias, sobre a especialidade, que eu não tive tempo de comentar ao longo deste ano. A medicina de família e comunidade vem crescendo no Espírito Santo, tanto em visibilidade na mídia quanto em mercado de trabalho e vagas para especialização (residência médica).

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A visão de um médico de família sobre o rastreamento do câncer de próstata

No mês de outubro, o Instituto Lado a Lado Juntos pela Vida e a Sociedade Brasileira de Urologia realizam uma campanha (Novembro Azul) para estimular os homens a fazer exames de rastreamento do câncer de próstata, Ao contrário do que muita gente acredita, essa não é uma campanha do Ministério da Saúde. Na verdade, Ministério da Saúde e Instituto Nacional do Câncer (INCA) não recomendam o rastreamento do câncer de próstata, por considerarem que os malefícios superem os benefícios.

Neste ano a imprensa percebeu que não existe um consenso em torno do assunto, e o debate ganhou destaque nacional através de veículos como a Folha de São Paulo e o Jornal Nacional. Como as evidências científicas atuais são basicamente as mesmas de quando discuti o rastreamento do câncer de próstata em 2010, prefiro trazer hoje outra abordagem: explicar como médicos de família e urologistas podem ter pontos de vista tão diferentes sobre a questão.

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8ª Jornada de Capixaba de MFC

No dia 25 de setembro a Associação Capixaba de Medicina de Família e Comunidade vai realizar a sua 9ª jornada. Este é o primeiro ano em que jornada abriga um encontro de médicos residentes e outro de ligas acadêmicas. Outra novidade é que, neste ano, a jornada não será realizada dentro do congresso da AMES. Confiram a programação para maiores detalhes. Mais importante: divulguem que a entrada é gratuita!

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ACMFC ocupa Tribuna Livre da Câmara Municipal de Vitória

No dia primeiro de julho de 2015, a Associação Capixaba de Medicina de Família e Comunidade (ACMFC) ocupou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Vitória. Durante 10 minutos, o vice-presidente Marcello Dala Bernadina Dalla explicou a importância do médico de família e comunidade para a Estratégia Saúde da Família (antigo PSF) do município de Vitória. A principal mensagem foi necessidade (e viabilidade) de se investir em vagas de residência médica para em medicina de família e comunidade no município. O discurso chamou a atenção dos vereadores, e foi seguido por uma série de perguntas e respostas.

Doutor Marcello Dalla discursando na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Vitória

Fonte: Departamento de Comunicação da CMV

Para assistir à Tribuna Livre, visite a TV Câmara Web e selecione a Sessão Ordinária do dia 01/07/2015. A Tribuna Livre começa aos 8 minutos e 40 segundos.

Em breve a ACMFC deverá publicar em seu site uma nota sobre a Tribuna Livre, e divulgar através do YouTube um vídeo apenas com a Tribuna Livre, sem o resto da Sessão Ordinária. Atualização: o vídeo está disponível no YouTube:

Dia do médico de família e comunidade

O blog da Associação Capixaba de Medicina de Família e Comunidade divulgou uma nota do presidente da SBMFC sobre o dia do médico de família e comunidade no Brasil. Destaco o início da nota:

Em 2014, chegamos aos 33 anos da especialidade no Brasil, onde formamos uma sociedade com 7.000 membros, 17 associações estaduais de MFC fundadas, 3 sendo regularização, e outras 3 em processo de formação. Neste período de existência, realizamos 12 congressos brasileiros, e 17 edições da prova de título de especialista.

É um levantamento impressionante, vale a pena para quem tem interesse na área!

O PSF é um programa?

Volta e meia alguém me pergunta se o PSF é um programa, que poderia acabar a qualquer momento. Em especial, isso costuma ser utilizado por secretários municipais de saúde para justificar a contratação temporária das equipes de Saúde da Família.

A estratégia Saúde da Família evoluiu gradualmente de 2 mil equipes, em julho de 1998, até mais de 35 mil equipes implantadas em março de 2014.

Número de equipes de Saúde da Família, de julho de 1998 até março de 2014. Elaborado por Elson Farias a partir de dados do Ministério da Saúde. Clique para ampliar.

Eu pretendia contar sobre como a Constituição Federal de 1988 levou a uma coisa, que levou a outra, até 14ª Conferência Nacional de Saúde recomendar que todos os brasileiros sejam atendidos pela estratégia Saúde da Família. Mas esse gráfico, elaborado pelo médico de família e comunidade Elson Farias, é uma daquelas imagens que valem por mil palavras. É como eu já dizia em 2008, e outro médico de família e comunidade disse há dois anos: entra eleição, sai eleição, e a estratégia Saúde da Família continua a crescer.

Então, por que os municípios insistem em chamar a estratégia Saúde da Família de “programa”?

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Saúde da Família previne mortes por infarto e derrame

No início do ano eu tinha comentado que, ao longo de 20 anos, a mortalidade por doenças cardiovasculares diminuiu em 33% no Brasil. Na época, associei a melhoria à expansão da estratégia Saúde da Família, com base na experiência internacional de melhoria das condições de saúde quando as pessoas têm acesso à atenção primária à saúde, e com base no fato do derrame (AVC) ter caído de primeira para segunda causa de morte no Brasil. (O derrame é ainda melhor prevenido pelo controle da pressão arterial do que o infarto cardíaco.)

Em julho a revista científica The BMJ publicou um artigo de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos confirmando a minha suposição. Examinando vários dados de 1622 municípios brasileiros ao longo dos anos 2000 a 2009, os autores observaram que a cobertura de 70% ou mais dos moradores de um município num ano predizia, para o ano seguinte, uma redução em 18% na taxa de morte por derrame, e 21% na taxa de morte por infarto, em comparação ao que seria esperado se o município não implementasse a estratégia Saúde da Família. Melhor ainda: esse efeito parece aumentar com o tempo. Em 2009, os municípios que durante oito anos tinham mantido uma cobertura de 70% ou mais apresentaram taxas de derrame e infarto 31% e 36% menores do que o que seria esperado sem a estratégia Saúde da Família.

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