Arquivo do Autor: Leonardo Fontenelle

Overdose de diagnóstico

Ainda estou entretido com o capítulo de livro, e minha dissertação de mestrado ainda não está online, então trago a vocês uma outra leitura pertinente. A entrevista do médico norte-americano H. Gilbert Welch à Folha de São Paulo tem dado o que falar, ao menos entre os médicos de família e comunidade. É que ele expôs, num dos principais veículos de comunicação de massa do país, que o famoso check-up também pode fazer mal à saúde:

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Chá de sumiço

Durante os próximos dias não poderei publicar aqui no Doutor Leonardo. Não se preocupem, minha saúde vai muito bem, obrigado. Mas eu tenho uma dissertação de mestrado para defender nesta sexta-feira, e um capítulo de livro para escrever até semana que vem. Quando puder, escrevo mais sobre ambos.

Já que hoje é o Dia da Mulher, aproveito para sugerir a (re)leitura de alguns artigos pertinentes:

Planeta Saúde Brasil recebe a Palavra de Fonoaudióloga

Fico feliz em anunciar que o Planeta Saúde Brasil passou a contar com a participação da fonoaudióloga Patrícia Ribeiro, autora do blog Palavra de Fonoaudióloga. Patrícia escreve para um público bem amplo. Desde um fonoaudiólogo formado até uma pessoa que não saiba bem o que é a profissão, todos devem encontrar alguma coisa de interessante por lá. Tenho certeza de que o Planeta terá muito a ganhar com esse novo ponto de vista sobre a saúde humana.

Para quem ainda não conhece, o Planeta Saúde Brasil é um site que agrega a íntegra dos artigos mais recentes de uma série de blogs profissionais em saúde de alta qualidade. Faça uma visita!

Como prevenir um novo cálculo renal

A cada ano, a cólica renal afeta uma em cada 200 pessoas na Europa e nos Estados Unidos. A causa básica são os cálculos renais, que infelizmente são recorrentes: em acompanhamentos por 5 a 10 anos, metade das pessoas voltam a apresentar os sintomas. Por isso, 8 pesquisadores americanos revisaram toda a literatura científica (em inglês) atrás de estudos clínicos de prevenção da recorrência de cálculo renal. O resultado, publicado na revista European Urology, é interessante no sentido de que as medidas mais simples parecem ser as mais eficazes.

Ondas na superfície da água.  É mostrada a perturbação realística (causada por um bastão) e sua expansão formando círculos de interferência aproximadamente concêntricos. A aparência metálica da superfície é resultante do baixo ângulo de iluminação.

A intervenção melhor estudada é a ingestão de água. Foram dois estudos, um recomendando que as pessoas bebessem ao menos 2 litros de água por dia, e outro recomendando a ingestão de água (e outros líquidos) em volume suficiente para urinar pelo menos 2,5 litros por dia. Em resumo, beber muita água e outros líquidos reduz em 61% o risco de voltar a ter cálculo renal. Quem me dera se todos os medicamentos fossem tão baratos e eficazes!

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Ter uma saúde perfeita não é normal

Quase 2 mil norte-americanos de meia-idade responderam a um questionário sobre o quão saudável era seu estilo de vida. O resultado é ainda pior do que se esperava: apenas um, dos 1933 entrevistados, apresentava os 7 componentes de uma vida saudável do ponto de vista cardiovascular (cardíaco e circulatório). Em média, os brancos tinham 2,6 componentes do estilo de vida saudável, enquanto os negros estavam ainda pior, com uma média de apenas 2,0 componentes.

Radiografia de tórax, com o espaço dos pulmões em vermelho.

A pesquisa é melhor entendida no contexto do projeto da American Heart Association: Até 2020, melhorar a saúde cardiovascular de todos os [norte-]americanos em 20%, reduzindo em 20% as mortes cardiovasculares e por derrame. Para fins desse projeto, a saúde cardiovascular (do coração e da circulação) é medida através do cumprimento dos 7 critérios a seguir:

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Onde foram parar os pediatras dos planos de saúde?

Fiquei sensibilizado ao saber que o pediatra Andre Bressan, autor do Blog do Pediatra em Casa, fechou seu consultório particular:

Faleceu nesta última quarta-feira, dia 2 de fevereiro, o consultório do Dr. Andre Bressan. O cadáver foi encontrado no segundo andar do número 155 da Rua Firmino Barbosa, em Santos. Estava respirando com o auxílio de aparelho de ventilação mecânica fazia tempo e as pequenas doses de consultas pagas com convênios médicos não o sustentavam, o que mantinha a desnutrição, e as consultas particulares, sempre muito raras, não lhe estimularam o suficiente a imunidade.

Com a dificuldade cada vez maior de se marcar uma consulta com um pediatra, seria de se esperar que a especialidade se tornasse cada vez mais atraente para os médicos. Na verdade, está acontecendo justamente o contrário, com os pediatras abandonando a profissão (ou pelo menos o consultório particular) dia após dia, e os médicos recém-formados disputando cada vez menos as vagas de residência médica (especialização) em Pediatria.

Fábrica da Volkswagen na cidade alemã de Wolfsburg.

A maioria dos médicos reclamam dos planos de saúde, mas os pediatras com certeza são os mais prejudicados. Explico: os planos de saúde no Brasil pagam por produção (como o INAMPS fazia), mas os pediatras não são produtivos.

Estima-se que, apenas para manter o consultório sem prejuízo, um médico precisa atender no mínimo quatro pacientes por hora. Acontece que uma consulta com um pediatra (ou médico de família e comunidade, ou geriatra, ou um clínico geral) demora no mínimo quinze minutos; uma boa consulta de rotina dura uns trinta minutos, e uma consulta de caso novo ocupa facilmente uma hora. Para fins de pagamento, não importa a complexidade da consulta, ou sua resolutividade, ou o tempo que ela toma do profissional, ou a satisfação do paciente. Para os planos de saúde, consulta é tudo a mesma coisa, e o pagamento é sempre igual.

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As filas para atendimento médico são um problema cada vez maior nos planos de saúde. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estuda exigir prazos, e pediu que a população dê sua opinião sobre o assunto. (A consulta pública fica aberta até o dia 04 de março.) Mas como os planos de saúde vão garantir o atendimento a tempo, se não têm controle sobre a agenda dos profissionais? O contrato entre profissionais e planos, quando chega a existir, é que consulta feita é (com sorte) consulta paga.

Os planos de saúde nem informam aos médicos quantos pacientes em potencial existem (por exemplo, quantas crianças para quantos pediatras), então mesmo se o profissional quiser ele não tem como se programar para dar conta da demanda. Se ele quiser. Como os planos de saúde não têm compromisso quase algum com os médicos, eles também não costumam ter muito compromisso com os planos de saúde.

Os planos de saúde trabalham com um orçamento bem mais folgado que a saúde pública, e por isso as coisas de uma forma geral estão mais fáceis. Mas os pacientes, os profissionais e mesmo os planos de saúde reclamam de dificuldades financeiras. Essa parece ser uma boa hora para os planos de saúde deixarem de ser planos de doença… Leonardo Savassi, médico de família e comunidade e pediatra, pegou o gancho da consulta pública da ANS e escreveu sobre a crise da saúde suplementar brasileira.

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Semana passada divulguei que a ampla maioria das pessoas atendidas pela Saúde da Família avaliam o serviço como bom ou ótimo. Outros serviços do SUS também foram avaliados. O relatório do IPEA abordou ainda a saúde suplementar, mas não perguntou aos entrevistados se eles aprovavam ou não seus planos de saúde. É uma pena, pois estou curioso para ver como seria uma comparação direta entre a satisfação do usuário do SUS com a do usuário dos planos de saúde.

Atualização: Durante o dia 7 de abril os médicos não vão mais atender pelos planos de saúde. Confira o informe da Federação Nacional dos Médicos.

Saúde da Família é aprovada por 80,7% dos usuários

O IPEA publicou anteontem (dia 9) uma pesquisa sobre a satisfação dos brasileiros com o SUS e com os planos de saúde, e constatou que 80,7% dos brasileiros atendidos pela estratégia Saúde da Família (PSF) avaliam o atendimento como bom ou muito bom.

Gráfico de barras indicando a satisfação dos usuários com os seguintes serviços: postos/centros de saúde; saúde da família; médicos especialistas; urgência e emergência; distribuição de medicamentos.

Fonte: Ipea. Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) 2010

Na estratégia Saúde da Família, cada família tem um agente comunitário de saúde de referência, e cada agente tem um médico de referência. A continuidade da relação entre o paciente e o médico facilita em muito o cuidado adequado de condições a longo prazo, como a necessidade de exames periódicos (os check-ups) ou o controle da pressão arterial. Como o médico da família é o primeiro a ser procurado quando a pessoa precisa, ele conhece melhor o histórico e pode resolver os problemas com mais eficiência.

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Exercícios físicos previnem quedas em idosos

Há muito tempo se acredita que os exercícios físicos sejam capazes de melhorar a qualidade de vida na terceira idade. Mais especificamente, recomenda-se que os idosos pratiquem tanto exercícios aeróbicos (caminhada) quanto treinamento de equilíbrio e exercícios de força e resistência (musculação).

Casal de idosos andando de bicicleta numa área rural.

Pesquisadores australianos resolveram verificar até que ponto esse consenso encontra respaldo nas evidências científicas, e descobriram uma série de estudos clínicos confirmando que exercícios físicos multimodais são capazes de prevenir quedas em idosos. Além disso, existe alguma evidência também de efeito sobre a qualidade de vida, capacidade funcional (autonomia), e aptidão física.

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Professor da UFES analisa a estratégia Saúde da Família no estado

O jornal A Gazeta publicou recentemente a visão do médico de família e comunidade Thiago Dias Sarti, professor do Departamento de Medicina Social da UFES, sobre a estratégia Saúde da Família (“PSF”) no estado do Espírito Santo. Confira um trecho:

O foco deve ser agregar valor ao atendimento prestado à população, elegendo como prioridade da gestão do Estado e municípios a expansão do acesso, a diminuição das desigualdades em saúde, a melhoria contínua da qualidade do processo de trabalho das equipes de saúde e a construção de fluxos resolutivos entre os níveis de atenção, bem como a atração de profissionais com formação específica (em Medicina de Família e Comunidade, por exemplo) e o estímulo à capacitação e à titulação dos trabalhadores.

Você pode ler a nota completa na página 6 d’A Gazeta de quarta-feira, 26 de janeiro de 2010; ou então conferir esta versão digitalizada. Não deixe de conferir também o artigo que escrevi sobre a estratégia Saúde da Família para o blog Kanzler Melo Psicologia.

Pílula anticoncepcional não engorda

Grande parte das mulheres (e dos médicos em geral) acredita que os anticoncepcionais engordam. Esse é um fenômeno que acontece no mundo inteiro, e que ainda por cima é uma causa importante de interrupção do uso do método contraceptivo.

Pílulas anticoncepcionais

Pesquisadores da Cochrane Collaboration revisaram os estudos clínicos que abordaram a questão, e descobriram que apenas três estudos compararam o anticoncepcional com o placebo. Em todos os três estudos, o ganho de peso das mulheres que usaram a pílula ou adesivo foi igual ao ganho de peso das que usaram o placebo.

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